Em postagem, Gilmar Mendes chama Mendonça de ‘pixuleco eleitoral’ e ‘boneco de campanha’
Por Gabriel Anjos — ICL Notícias
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Por Gabriel Gomes
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a fazer duras críticas ao colega André Mendonça nesta quinta-feira (17). Em uma publicação nas redes sociais, o decano da Corte chamou Mendonça de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral” e o acusou de tentar obter ganhos políticos com a divulgação de informações relacionadas ao caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A manifestação ocorre dois dias depois da conturbada sessão extraordinária do STF que discutiu os procedimentos adotados a partir das mensagens encontradas no celular de Vorcaro e que envolvem o ministro Alexandre de Moraes. Durante o julgamento, Gilmar e Mendonça já haviam protagonizado um forte embate, com acusações de viés político-eleitoral e troca de críticas no plenário.
Ao associar a atuação de Mendonça ao 7 de Setembro e falar em “boneco de campanha”, Gilmar acusa, ainda que indiretamente, o ministro de atuar em benefício da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). O ato citado pelo decano foi organizado pela campanha do senador e teve manifestações de apoio a Mendonça.
Na postagem desta quinta, Gilmar se concentrou na defesa do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Segundo o ministro, Gonet teve a reputação atingida pelo levantamento do sigilo de conversas que, na avaliação de Gilmar, não indicavam qualquer prática ilícita. O decano afirmou que o próprio Mendonça reconheceu posteriormente, durante a sessão do Supremo, não haver irregularidade na conduta do chefe da Procuradoria-Geral da República.

Gilmar questionou, então, a razão de Gonet ter sido exposto. Para o ministro, reconhecer posteriormente a lisura do procurador-geral não seria suficiente para reparar os efeitos da divulgação das informações. “Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário”, escreveu.
‘Boneco de campanha’
O decano elevou o tom ao mencionar um vídeo publicado por Mendonça nas redes sociais após a repercussão do caso. Segundo Gilmar, a publicação em agradecimento ao apoio recebido demonstraria uma tentativa de obter dividendos políticos com o episódio.
“A intenção de lucrar politicamente com o episódio ficou escancarada quando o relator fez publicar vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio popular. Apoio a quê, exatamente?”, questionou.
Na sequência, Gilmar afirmou: “Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral.”
Gilmar também comparou a situação a práticas que atribuiu à Operação Lava Jato. Na postagem, citou Sergio Moro e Deltan Dallagnol e afirmou que, naquele período, o levantamento seletivo de sigilos teria sido utilizado para produzir fatos políticos antes da conclusão dos processos.

Para o ministro, a divulgação de informações às vésperas do 7 de Setembro também não teria ocorrido por acaso. Gilmar sustentou que o episódio buscou “inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar” adversários desse método.
Gilmar encerrou a publicação manifestando “integral solidariedade” a Gonet e afirmando que instituições sérias devem respeitar o devido processo desde o início.
Embate no plenário
As críticas desta quinta-feira são um novo capítulo do confronto público entre Gilmar e Mendonça. Na terça-feira (15), durante a sessão extraordinária do STF, o decano já havia acusado o colega de imprimir um “viés político-eleitoral” à condução das apurações envolvendo Moraes e Vorcaro.
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Gilmar questionou por que a investigação submetida ao plenário havia se concentrado em Moraes e sustentou que houve seleção de mensagens encontradas no celular de Vorcaro, deixando de fora referências a outros integrantes da Corte.
“Há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como os autos foram conduzidos”, declarou Gilmar durante a sessão. Ele relacionou a divulgação das informações à proximidade do 7 de Setembro e acusou Mendonça de envolver o Supremo na campanha eleitoral.
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O ministro também afirmou que “até a máfia tem ética” e questionou a origem de vazamentos relacionados às investigações.
“A deliberação do Tribunal sobre matéria da tamanha gravidade não pode ocorrer nos termos ditados por alguém que tem desprezado qualquer senso de colegialidade, muito menos em pleno ciclo eleitoral”, afirmou.

Mendonça reagiu às acusações durante a sessão e cobrou respeito de Gilmar. Em um dos momentos de maior tensão, disse ao colega: “Não seja leviano, não aponte o dedo para mim”. O confronto entre os ministros marcou a sessão, que acabou interrompida após um pedido de vista de Flávio Dino.
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Fonte: ICL Notícias

