Citado em mensagens de Vorcaro, filho de Nunes Marques é recém formado e acumula grandes clientes

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Por Otávio RossoBrasil 247

247 – Aos 26 anos, o advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), construiu em pouco tempo uma carteira de clientes de grande porte em ações na Justiça Federal. Especializado em Direito Tributário, ele passou no exame da Ordem dos Advogados do Brasil em fevereiro de 2024 e, desde então, assumiu casos envolvendo grupos como Refit e Petrópolis. As informações foram publicadas nesta quinta-feira (17) pelo jornal O Globo.

Kevin foi mencionado em conversas extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no contexto de pagamentos ligados à Consult Inteligência Tributária, empresa aberta em 2022 por um contador de Teresina apontado como amigo de longa data da família de Nunes Marques.

De acordo com relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a Consult recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master. Em uma das mensagens citadas, de agosto de 2025, o então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, afirma a Vorcaro que estava faltando um pagamento à “consult”. A mensagem foi enviada em resposta a um contato de Kevin Marques encaminhado pelo banqueiro.

“Dos pagamentos está faltando a consult. Aqui”, escreveu Rennó. Em seguida, acrescentou: “Esse aí. Único ‘meu’ que faltou”.

O Globo também cita reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, publicada em março, segundo a qual a Consult transferiu R$ 281,6 mil a Kevin em 11 operações realizadas entre agosto de 2024 e julho de 2025. No mesmo período, a empresa recebeu os R$ 6,6 milhões do Banco Master.

Em nota, a assessoria do advogado afirmou que Kevin Marques nunca prestou serviços ao Banco Master nem recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro. A defesa, porém, confirmou os pagamentos feitos pela Consult, “empresa à qual prestou serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa”.

“A atuação profissional do advogado Kevin Marques em favor da Consult não tem qualquer relação com o Supremo Tribunal Federal”, declarou a assessoria.

A reportagem também informa que, um mês antes da mensagem sobre o pagamento que “faltou”, Rennó perguntou a Vorcaro se deveria manter o repasse de “500 mil mês” ao advogado. Segundo o texto, Vorcaro respondeu com “kkkk”.

Além da relação profissional com a Consult, Kevin Marques é sócio do Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária (IPGT), aberto em novembro de 2024. O sócio-administrador da Consult é pai do sócio de Kevin nessa nova empresa. As duas companhias estão registradas no mesmo endereço, em Barueri, na Grande São Paulo.

Segundo dados da Junta Comercial de São Paulo, o IPGT tem como foco treinamentos e gestão empresarial. A assessoria do advogado confirmou a sociedade, mas afirmou que o instituto ainda está em estruturação.

“O IPGT, de que o advogado Kevin Marques é sócio, está em fase de estruturação, sem que tenha havido qualquer operação ou movimentação financeira. O IPGT é independente da Consult, empresa para a qual o advogado Kevin Marques apenas prestou serviço”, informou a assessoria.

A rápida ascensão profissional de Kevin também aparecia na página de seu escritório, retirada do ar em março deste ano. O site do K M, iniciais do advogado, afirmava atuação em mais de mil processos “resolvidos” e dizia que mais de 500 clientes “confiam em nós para proteger seus direitos e alcançar a justiça”.

A assessoria do escritório afirmou que a página estava em “versão teste” e, por isso, foi removida. Na autodescrição publicada no site, Kevin dizia: “Desde o início da minha carreira, busquei me aprofundar em legislações, jurisprudências e estratégias de planejamento tributário para proporcionar aos meus clientes um atendimento de excelência e resultados positivos”.

Entre os clientes do advogado está a Refit, alvo de inquérito no STF por suspeita de esquema bilionário de fraude e sonegação fiscal no setor de combustíveis no Rio de Janeiro. Kevin passou a atuar para a empresa em uma ação contra uma interdição realizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em conjunto com a Receita Federal, em setembro do ano passado.

Segundo a coluna de Malu Gaspar, de O Globo, Kevin entrou no caso depois que a ação chegou ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), corte em que Kassio Nunes Marques atuou como magistrado entre 2011 e 2020.

A assessoria de Kevin afirmou que ele “exerce a advocacia de forma estritamente formal e regular, com atuação nos autos, peticionamento e procuração devidamente constituídos. E pauta sua atuação profissional pelo respeito às regras de impedimento e suspeição”.

A menção a Kevin nas mensagens de Vorcaro ganhou repercussão no Supremo em meio ao julgamento sobre a possibilidade de investigar a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro. Na terça-feira, Kassio Nunes Marques se declarou impedido de participar da análise do caso.

O ministro disse que a decisão tinha como objetivo não “impactar no cenário político eleitoral”, já que preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A manifestação surpreendeu parte dos integrantes da Corte e ocorreu horas depois da divulgação das mensagens que citavam supostos pagamentos ao filho do ministro.

Fonte: Brasil 247

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