Entenda como operava a quadrilha que vendida sangue de gato

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Por Laís GouveiaBrasil 247

247 – O Ministério Público de São Paulo denunciou cinco pessoas por um suposto esquema clandestino de coleta e comercialização de sangue de gatos no interior paulista. A investigação aponta maus-tratos aos animais e atuação do grupo em diferentes cidades da região de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. A acusação ainda precisa ser analisada pela Justiça antes de eventual abertura de ação penal.

Segundo a Folha de S.Paulo, a denúncia foi apresentada pelo Ministério Público no último dia 2 e atribui aos cinco investigados os crimes de associação criminosa e maus-tratos a animais. O caso havia se tornado público em outubro de 2025, quando três pessoas foram presas em flagrante em uma residência de Monte Alto, no interior de São Paulo.

Entre os denunciados está a médica veterinária Thaís Daniele Antonussi, de 34 anos. Também foram acusados Renato Franco, Celso Truguilo Alves, Everton Leite Silva e José Luiz de Lima. A reportagem da Folha informou que não conseguiu identificar as defesas dos denunciados.

Thaís se apresenta nas redes sociais como coordenadora de um curso de hematologia e hemoterapia veterinária. Ela também divulga trabalhos como atriz em produções de televisão e teatro, além de cursos e projetos sociais relacionados a animais em situação de vulnerabilidade.

O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo informou que realizou fiscalizações em estabelecimentos ligados ao caso. Segundo o órgão, foram constatadas irregularidades e adotadas as medidas administrativas consideradas cabíveis.

De acordo com a Polícia Civil, a investigação identificou uma associação criminosa que teria operado em Monte Alto, São José do Rio Preto, Mirassol, Catanduva e municípios da região. O grupo seria responsável por captar animais, realizar coletas clandestinas de sangue e posteriormente comercializar o material de maneira irregular.

“Os envolvidos exerciam diferentes funções, como financiamento, coordenação, captação de animais e realização das coletas. A investigação reuniu laudos periciais, análises de celulares, documentos financeiros, depoimentos e outros elementos”, afirmou a corporação.

O episódio que deu origem à exposição pública do caso ocorreu em 4 de outubro de 2025. Na ocasião, policiais encontraram três pessoas usando luvas e roupas utilizadas em procedimentos veterinários dentro de uma residência onde, segundo a investigação, funcionava a estrutura de coleta.

No imóvel, seis gatos foram encontrados desacordados. A apuração policial apontou que os animais haviam sido submetidos a anestesia com uma dose elevada de medicamento. As circunstâncias das coletas passaram então a integrar a investigação sobre possíveis maus-tratos e comércio clandestino de sangue animal.

As três pessoas encontradas no local foram presas em flagrante. Uma delas declarou à polícia ser estudante de medicina veterinária, enquanto as outras duas disseram atuar como auxiliares. Conforme os depoimentos, o estudante receberia R$ 300 pelo procedimento e cada auxiliar, R$ 100. Os três foram liberados após serem conduzidos à delegacia.

A investigação também apurou o possível destino do sangue retirado dos gatos. Segundo a polícia, o material coletado em Monte Alto seria encaminhado para utilização em transfusões realizadas por uma clínica veterinária de São José do Rio Preto.

A clínica afirmou, quando o caso veio à tona, que não tinha conhecimento de que o sangue teria sido obtido por meio de um esquema clandestino.

A doação de sangue de animais tem papel relevante em procedimentos veterinários de emergência e pode ser necessária para salvar animais em situações críticas. A comercialização do sangue, no entanto, é apontada na investigação como irregular e integra a acusação apresentada pelo Ministério Público.

A função específica atribuída a cada um dos cinco denunciados não foi detalhada na reportagem. Também não foram informadas as profissões dos quatro acusados além da veterinária Thaís Daniele Antonussi.

Com a apresentação da denúncia, caberá agora à Justiça decidir se existem elementos suficientes para recebê-la e transformar o caso em ação penal. Até essa decisão, os cinco permanecem na condição de denunciados e não há prazo informado para a análise judicial.

Fonte: Brasil 247

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