EUA retiram Venezuela de lista de países que falham no combate às drogas

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Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 – O governo dos Estados Unidos retirou a Venezuela da lista de países que, segundo Washington, falham no combate às drogas, ao reconhecer avanços de Caracas no controle de entorpecentes após duas décadas de classificação negativa. A decisão foi formalizada pelo presidente Donald Trump na quarta-feira (16), segundo informações da teleSUR baseadas em documentos oficiais e agências internacionais.

De acordo com a teleSUR, a mudança consta da “Determinação Presidencial para o Ano Fiscal de 2027 sobre os Principais Países de Trânsito de Drogas ou Produtores de Drogas Ilícitas”. O texto foi encaminhado ao Congresso norte-americano na terça-feira (15) e publicado no dia seguinte pelo Departamento de Estado.

A justificativa apresentada pelo governo norte-americano é que Caracas demonstrou cumprir seus compromissos relacionados ao controle de drogas. A Casa Branca também manifestou a expectativa de que as ações conduzidas pelo governo venezuelano, liderado pela presidente interina Delcy Rodríguez, continuem avançando nessa área.

Com a decisão, a Venezuela deixa uma relação na qual permaneceu por cerca de 20 anos. A classificação é elaborada unilateralmente pelos Estados Unidos com base em seus próprios critérios de avaliação das políticas antidrogas adotadas por outros países.

O documento norte-americano também cita nações como Bolívia, Honduras, Jamaica e México, que permanecem entre os países considerados grandes territórios de produção de drogas ilícitas ou rotas relevantes para o trânsito internacional de entorpecentes.

Colômbia poderá ter classificação revista

Trump indicou ainda que o status atribuído à Colômbia poderá ser reavaliado em curto prazo. Segundo o presidente norte-americano, Washington consideraria retirar a classificação de “fracasso demonstrável” caso Bogotá implemente, durante o próximo ano, um plano agressivo para eliminar plantações de coca e desarticular grupos classificados pelos Estados Unidos como narcoterroristas.

A sinalização ocorre enquanto o governo norte-americano afirma coordenar iniciativas contra organizações criminosas na América Latina. Sob a alegação de enfrentar o narcotráfico, Washington tem realizado operações militares contra embarcações no Caribe e no Pacífico.

Essas ações, porém, provocaram críticas de especialistas das Nações Unidas. Relatores da ONU exigiram a interrupção imediata do uso de força letal em águas internacionais e contestaram o argumento norte-americano de legítima defesa.

Segundo os especialistas citados pela teleSUR, as Forças Armadas dos Estados Unidos realizam ataques desse tipo desde setembro de 2025. Mais de 200 pessoas teriam morrido em operações contra embarcações, sem registro de sobreviventes em parte dos episódios e com relatos de desaparecimento completo das tripulações.

Os relatores também rejeitaram o uso do Artigo 51 da Carta das Nações Unidas como justificativa para as ações. Na avaliação dos especialistas, organizações ligadas ao narcotráfico não constituem partes de um conflito armado, enquanto o direito internacional proíbe execuções sumárias.

Ainda segundo a reportagem, o governo dos Estados Unidos não apresentou provas concretas de que as embarcações atingidas estivessem efetivamente envolvidas no transporte de drogas. A retirada da Venezuela da lista ocorre, assim, em meio à combinação entre uma mudança diplomática em relação a Caracas e a manutenção da estratégia militar norte-americana contra o narcotráfico na região.

Fonte: Brasil 247

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