Sede por lucro de mineiradora privatizada leva a tragédia no Vale do Ribeira-SP
Por Laura Viana — Esquerda Diário

No dia 14 de novembro de 2026 algumas cidades do Vale do Ribeira amanheceram com a água da enchente batendo os 14 metros, fruto da abertura criminosa das comportas da mineiradora de Capivari, gerida pela COPEL privatizada. Dia 12 de novembro a água já tinha começado a subir e bananais e plantações próximas ao Rio Ribeira que abastece a região já estavam com água o suficiente para impedir carros de passar. Alguns moradores conseguiram retirar suas coisas de casa e, com o apoio coletivo, pessoas que moravam em regiões mais propícias ao alagamento evacuaram enquanto muitos outros sofrem com a perda de casas, movéis e carros.
A água atingiu sua máxima durante a madrugada do dia 14, diversas casas, comércios e plantações foram totalmente engolidas pela enchente. Importante ressaltar que o Vale do Ribeira é a região mais pobre de todo o Estado de São Paulo, se localiza no litoral sul do estado e abriga a maior parte da Mata Atlântica remanescente, é uma área de preservação ambiental e portanto, a principal renda dos moradore é através da plantação, gado e pesca. Essa tragédia destruiu o trabalho de diversas famílias, que tendo sua renda e subsistência fundamentalmente ligadas à terra, precisará de tempo para se recuperar até o cultivo se estabilizar. As principais cidades afetadas foram Registro, Ribeira, Barra do Turvo, Iporanga, Eldorado e Sete Barras, juntas elas possuem entre 26 e 33 comunidades quilombolas e 2 aldeias indígenas. A defesa civil registrou 148 famílias desabrigadas, e a população conta com o trabalho comunitário e dos próprios afetados, para receber doações, limpar e reconstruir suas casas.
O que está por trás disso?
Pela região ser um vale, ocorrem enchentes com o aumento de chuvas e o nível do rio que contorna as cidades, contudo, uma enchente dessa magnitude foi causada pela represa de Capivari em Campina Grande do Sul (PR). Gerida pela COPEL, empresa responsável pela energia no Estado do Paraná que, desde a privatização em 2023, opera com capital misto pulverizado, em resumo, empresas e investidores internacionais e nacionais detém mais de 80% das ações e dos lucros. Ou seja, a tragédia que aconteceu no na região sul do estado de São Paulo foi para sanar a sede de lucro dos capitalistas que não são responsabilizados, enquanto centenas de famílias perderam tudo.
A água da represa encontra com o Rio Ribeira de Iguape que deságua no Vale do Ribeira, com o aumento das chuvas na região sul e sudeste a represa atingiu seu nível máximo e para não romper, abriram as comportas de uma vez só, causando essa tragédia. Importante lembrar que está não é a primeira vez que isso acontece, em 1997 houve uma grande enchente na região causada pela mesma represa e os gestores da época disseram que esse episódio nunca mais iria se repetir. Agora o que resta aos moradores é contar com a própria organização e solidariedade, como foi o caso dos cidadãos com barcos que passaram resgatando moradores e animais ilhados.
Algumas personalidades públicas passaram pela região e fizeram mensagens em solidariedade. Quem chamou mais atenção foi o asqueroso governador bolsonarista Tarcísio de Freitas, que visitou a cidade de Eldorado Paulista e chegou a prometer uma ponte à comunidade do Batatal que luta até hoje por isso, para facilitar seu deslocamento. O mesmo governador que reduziu a verba de combate a enchentes, chegando a apenas R$1,37 bilhão para o setor de segurança hídrica, vale ressaltar que esta mesma semana ocorreu enchentes como no Jardim Pantanal da capital Paulista com o aumento do nível do Rio Tietê. Já tentaram também aprovar uma barragem para o Rio Ribeira de Iguape, para abastecer a cidade de São Paulo, mas não teve continuidade pela rejeição dos moradores da região e por se tratar de uma região de preservação.
Esse episódio nos mostra como o lucro está acima da vida, e em prol da relação predatória e extrativista com o meio ambiente, regiões pobres são deixadas à sorte para sobreviver em meio a desastres . É necessário um plano emergencial de assistência, com abrigos e moradia digna para todas as famílias atingidas, que garanta espaço para essas pessoas, além de um projeto de obras públicas que possa prevenir outras futuras tragédias impostas pela sanha capitalista que descarrega as crises nas costas dos trabalhadores e da população pobre. Toda solidariedade à população atingida pela enchente.
Fonte: Esquerda Diário