Vai-Vai e Singer usam costura para impulsionar empreendedorismo feminino no Carnaval
Por Allan Ravagnani — Carta Capital
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Escola de samba recebe máquinas doadas pela Singer e as marcas preparam ações de capacitação voltadas a costureiras e empreendedoras do Carnaval
Mais de 60% das máquinas de costura vendidas no país servem como fonte de renda, usadas em confecção, conserto, customização e produção sob encomenda, segundo dados das fabricantes do setor. Por trás desse número está um trabalho movido, em grande parte, por mulheres que fazem da costura profissão e sustento.
Essa realidade aparece com força no Carnaval, onde costureiras, modelistas, aderecistas e artesãs formam uma cadeia de produção que sustenta fantasias e alegorias meses antes de qualquer escola entrar na avenida. Grande parte dessas profissionais atua sem vínculo formal, o que torna o acesso a equipamento e capacitação uma barreira para crescer no ofício.
Essa barreira é o alvo de uma parceria fechada entre uma escola de samba paulistana e uma fabricante centenária de máquinas de costura, com o objetivo de abrir caminho para o empreendedorismo entre mulheres da comunidade carnavalesca.
O Grêmio Recreativo Cultural e Social Escola de Samba Vai-Vai e a Singer anunciam uma parceria, voltada ao fortalecimento do empreendedorismo entre mulheres que atuam na costura, dentro e fora do Carnaval.
A proposta nasceu da constatação de que grande parte dessas profissionais já vive da costura, mas sem estrutura para transformar o ofício em negócio.
A parceria começou com a doação de máquinas para a produção de fantasias, figurinos e outros projetos da escola.
A Singer completa 175 anos neste ano e amplia, com a iniciativa, sua atuação junto a costureiras, artesãs e profissionais que vivem da costura.
Concheta Feliciano, diretora sênior de Marketing para América Latina e APAC da SVP Worldwide, empresa proprietária da Singer, resume o histórico da marca com essas profissionais:
“Há 175 anos, a Singer acompanha pessoas que encontram na costura uma profissão, uma fonte de renda e uma oportunidade de construir o próprio negócio. A parceria com a Vai-Vai nos permite ampliar esse trabalho, apoiar a formação de novos talentos e valorizar profissionais fundamentais para o Carnaval e para a economia criativa brasileira”, afirma Concheta.
Nos próximos meses, as duas marcas pretendem desenvolver ações de capacitação, inclusão produtiva e formação de talentos, com foco em ampliar oportunidades para mulheres que buscam profissionalizar o trabalho com costura.
Para a Vai-Vai, a parceria reforça a estrutura de produção da escola e abre espaço para o desenvolvimento profissional das mulheres da comunidade em torno do barracão. Paulo Mello, presidente da escola, avalia a primeira etapa da iniciativa:
“A parceria reúne duas marcas presentes na história e na cultura brasileiras, com o objetivo de transformar conhecimento em oportunidades. A doação das máquinas representa a primeira etapa da parceria, que deverá ganhar novos capítulos até o Carnaval de 2027”, avalia Mello.
A doação de máquinas chega antes da temporada de preparação para os desfiles, período em que a demanda por costura cresce dentro dos barracões e nas comunidades ligadas às escolas de samba, movimentando sobretudo o trabalho de mulheres que vivem do ofício.
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Fonte: Carta Capital