BNDES estuda melhorias na gestão dos clubes de futebol, diz Mercadante

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Por João Antonio CunhaBrasil 247

247 – O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou nesta segunda-feira (14) que a gestão do futebol brasileiro estará entre os temas analisados pelo centro de estudos estratégicos que está sendo criado na instituição.

Durante evento do Grupo Esfera, em São Paulo, Mercadante criticou o nível de endividamento dos clubes e defendeu mudanças na administração do futebol. Segundo ele, o esporte pode ser utilizado como instrumento de “soft power”, expressão usada para definir a capacidade de um país ampliar sua influência internacional por meio da cultura e da imagem.

“Nós estamos estudando o futebol brasileiro. Nós temos que mudar o modelo de gestão do futebol […] Nós temos talento e falta gestão. Os times se endividam sem nenhuma regra de prudência. Então, nós estamos estudando as experiências internacionais”, afirmou.

O estudo será desenvolvido pelo centro de estudos estratégicos em criação no BNDES. A estrutura também deverá avaliar outros assuntos, entre eles minerais críticos e projetos de infraestrutura.

Mercadante não informou quando a análise sobre o futebol deverá ser concluída nem apresentou detalhes sobre as medidas que estão sendo consideradas. Também não esclareceu se o trabalho envolverá o sistema de controle financeiro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), as normas atualmente existentes ou possíveis linhas de crédito destinadas ao pagamento das dívidas dos clubes.

Receitas aumentam, mas dívidas também

O debate ocorre em meio ao crescimento das receitas dos principais clubes brasileiros, acompanhado pela elevação das despesas e pela manutenção de um elevado nível de endividamento.

Levantamento da consultoria Sports Value aponta que os 20 clubes de maior faturamento do país registraram R$ 15 bilhões em receitas em 2025. O valor representa crescimento de 36% em relação ao ano anterior, impulsionado por transferências de jogadores, direitos de transmissão, patrocínios e receitas dos estádios.

Mesmo com o aumento da arrecadação, as dívidas desses clubes chegaram a R$ 16 bilhões em 2025, contra R$ 13,8 bilhões em 2024, uma alta de 16%. No mesmo período, as despesas financeiras relacionadas a empréstimos e à atualização de débitos tributários ultrapassaram R$ 2,9 bilhões.

As obrigações tributárias somaram R$ 3,5 bilhões e representaram 22% do endividamento. De acordo com a Sports Value, o crescimento das receitas ocorreu junto com a elevação dos custos de salários, contratações e manutenção das atividades esportivas.

O conjunto dos clubes voltou a apresentar déficit. Os resultados positivos de Flamengo e Palmeiras foram suficientes para compensar apenas parte das perdas registradas pelas demais equipes.

“Diante dos juros extremamente elevados no Brasil, os clubes deveriam reduzir a alavancagem financeira e os níveis de dívida para destinar recursos de maneira mais eficiente e produtiva”, afirma a consultoria.

O Corinthians aparece na liderança do ranking de endividamento, com R$ 2,44 bilhões, seguido pelo Atlético-MG, com R$ 2,29 bilhões. O Botafogo ocupa a terceira posição, com R$ 1,57 bilhão, depois de registrar crescimento de 81% em relação a 2024. Cruzeiro, com R$ 1,15 bilhão, e Palmeiras, com R$ 1,14 bilhão, completam os cinco primeiros.

Futebol já possui regras financeiras

Os clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro já estão submetidos a um sistema de sustentabilidade financeira.

As regras estabelecem obrigações relacionadas ao pagamento de compromissos, ao equilíbrio entre receitas e despesas e ao controle dos custos dos elencos. O regulamento também prevê sanções em caso de descumprimento.

A fiscalização é atribuída à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), que tem entre suas áreas de atuação o acompanhamento das dívidas dos clubes. O sistema busca verificar a capacidade das equipes de cumprir seus compromissos e evitar que despesas sem sustentação financeira prejudiquem suas atividades.

Fonte: Brasil 247

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