Britânico admite ter drogado e estuprado a esposa durante 21 anos

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Por Aquiles LinsBrasil 247

Um homem britânico de cerca de 60 anos confessou ter drogado e violentado sexualmente a própria esposa de forma reiterada durante mais de duas décadas, dentro da casa do casal, no norte da Inglaterra. Ele admitiu dezenas de crimes cometidos entre 2004 e 2025, enquanto outros 12 homens também respondem por acusações de abuso contra a mesma vítima.

Segundo informações divulgadas pela Reuters nesta segunda-feira (14), o acusado se declarou culpado, pouco antes do início do julgamento, de 45 acusações no Tribunal da Coroa de Minshull Street, em Manchester. Em uma etapa anterior do processo, ele já havia admitido outros 15 crimes.

O nome do réu não pode ser divulgado porque a legislação britânica garante à vítima de crimes sexuais o direito ao anonimato por toda a vida, e a identificação do marido poderia revelar indiretamente a identidade da mulher.

Entre os crimes admitidos estão 21 estupros, 15 agressões com penetração, 11 agressões sexuais e o compartilhamento de imagens íntimas sem consentimento. O homem também confessou ter administrado uma substância à esposa para deixá-la inconsciente.

Abusos dentro de casa

De acordo com a acusação, a mulher era drogada pelo marido e, enquanto estava inconsciente, era submetida repetidamente a estupros e outras formas de violência sexual dentro da própria residência.

Os crimes atribuídos ao marido se estenderam por um período de 21 anos. A investigação também levou outros 12 homens ao banco dos réus.

Eles têm entre 28 e 74 anos e são acusados de ter cometido abusos sexuais contra a mulher entre 2018 e 2025. Todos negam as acusações, que incluem estupro.

O subchefe da Polícia da Grande Manchester, Rick Jackson, afirmou que a prioridade das autoridades continua sendo a proteção da vítima.

“Nosso foco continua sendo apoiar a vítima dessa terrível campanha de abuso ao longo dessa investigação muito complexa”, disse Jackson.

“Continua sendo prestado apoio especializado à vítima que está no centro deste caso.”

Julgamento deve durar meses

Os 12 homens que negaram participação nos crimes serão julgados no mesmo tribunal de Manchester. A previsão é que o processo se estenda por vários meses, devido ao número de réus e à complexidade das acusações.

A investigação deverá analisar individualmente os episódios atribuídos a cada acusado, dentro de um conjunto de crimes que teria se prolongado por anos.

A confissão do marido ocorre antes da análise das acusações dirigidas aos demais réus, que permanecem formalmente inocentes até eventual condenação pela Justiça.

Caso lembra crimes contra Gisèle Pelicot na França

O processo no Reino Unido apresenta semelhanças com o caso de Gisèle Pelicot, que ganhou repercussão internacional após a descoberta de uma série de estupros cometidos enquanto ela estava inconsciente.

Na França, Dominique Pelicot drogou a então esposa durante cerca de dez anos e permitiu que outros homens a estuprassem sem que ela soubesse dos ataques. Ele foi condenado pela Justiça francesa no fim de 2024.

As investigações apontaram que Gisèle foi estuprada pelo menos 92 vezes por 72 homens diferentes, com idades entre 21 e 68 anos. A acusação formal, porém, alcançou 50 outros réus além de Dominique Pelicot, enquanto 22 suspeitos não foram identificados ou localizados.

Gisèle tinha direito a manter a própria identidade em sigilo, mas decidiu abrir mão do anonimato e pediu que o julgamento fosse realizado de forma pública. Segundo seus advogados, a intenção era dar visibilidade à violência sofrida e contribuir para evitar que outras mulheres fossem submetidas a crimes semelhantes.

Fonte: Brasil 247

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