“Sinto vergonha”: jovem relata impacto da psoríase na autoestima e na vida social

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Por Luan MonteiroJornal Opção

“Sinto vergonha”: jovem relata impacto da psoríase na autoestima e na vida social

Além das manifestações na pele, a psoríase pode interferir na autoestima, nos relacionamentos e na vida social de quem convive com a doença. Lesões visíveis podem provocar vergonha e medo de julgamentos, enquanto o estresse e a ansiedade podem contribuir para o surgimento ou agravamento das crises, criando um ciclo que também afeta a saúde emocional do paciente.

A psoríase é uma doença crônica, não contagiosa e de caráter cíclico, marcada por períodos de melhora e reaparecimento dos sintomas. Em pessoas geneticamente predispostas, fatores ambientais, comportamentais e emocionais podem participar do desencadeamento das crises.

Paciente com Psoríase | Foto: FreePik

Para a psicóloga Karina Siqueira, da Hapvida, a relação entre a doença e o estado emocional ocorre em duas direções. Ao mesmo tempo em que situações de estresse podem contribuir para uma crise, as próprias lesões podem desencadear sofrimento psicológico.

Segundo a especialista, o problema pode se intensificar quando o paciente encontra pessoas que desconhecem a doença e acreditam, de maneira equivocada, que ela seja contagiosa. Olhares, comentários e afastamentos podem fazer com que o indivíduo passe a esconder as lesões e evite situações nas quais elas fiquem expostas. “Quando a psoríase está em crise, por conta das lesões que ficam bem evidentes, a pessoa costuma ter uma crise emocional, por conta da baixa autoestima, por conta desse sentimento de rejeição”, explicou ao Jornal Opção.

Isolamento pode ser sinal de sofrimento

A estudante de Enfermagem Maria Eduarda Borges, de 21 anos, conhece esse impacto. Diagnosticada ainda jovem, ela passou por um período de controle da doença, mas voltou a apresentar lesões há cerca de um ano, em uma fase marcada por ansiedade e instabilidade emocional. “As marcas e manchas que ficam me incomodam bastante, sinto vergonha e evito usar roupas que mostrem as partes mais marcadas”, relata.

Maria Eduarda Borges tem 21 anos | Foto: Arquivo Pessoal

A jovem também já precisou lidar com a dificuldade de aceitação da própria aparência. O acompanhamento psicológico e o apoio familiar, segundo ela, foram importantes para enfrentar a doença. “Não foi fácil a aceitação, até hoje não é, mas com o acompanhamento psicológico e o apoio da minha família consegui da primeira vez e creio que dessa vez também conseguirei”, afirma.

Para Karina, mudanças no comportamento podem indicar que a doença já ultrapassou o impacto físico. O isolamento é um dos principais sinais de alerta. “A pessoa começa a não querer mais participar dos eventos sociais. Ela começa a tentar esconder aquelas feridas, lesões por vergonha, por medo da opinião das pessoas”, afirma.

A psicóloga explica que o paciente pode deixar de usar determinadas roupas, frequentar determinados lugares ou participar de atividades para evitar que outras pessoas vejam as lesões. Nesse momento, a busca por ajuda profissional se torna importante.

Estresse não é a única causa das crises

Embora exista uma relação entre saúde emocional e psoríase, a psicóloga ressalta que não se deve atribuir as crises exclusivamente à ansiedade ou ao estresse. A doença é multifatorial e diferentes fatores podem atuar como gatilhos.

Karina Siqueira | Foto: Arquivo Pessoal

Atribuir ao próprio paciente a responsabilidade por uma crise pode, inclusive, piorar o quadro emocional. “Às vezes a pessoa escuta que é porque você fica muito nervoso, é porque você está muito ansioso. E por isso que fazendo crise, às vezes não foi algum tipo de alimentação, água muito quente, algum outro fator que desencadeou a crise”, explica Karina.

A sensação de culpa pode alimentar o mesmo ciclo que se busca interromper: o paciente se preocupa com a origem da crise, fica mais ansioso e passa a sofrer ainda mais com as manifestações da doença.

Por isso, o acompanhamento psicológico não substitui o tratamento médico da psoríase, mas pode atuar como parte do cuidado integral, ajudando o paciente a lidar com a própria imagem, com o preconceito e com as consequências emocionais da doença.

Apoio social ajuda no enfrentamento

A recomendação para quem passou a restringir a própria vida por vergonha das lesões é evitar o isolamento. Segundo Karina, construir uma rede de apoio pode ajudar o paciente a enfrentar tanto o impacto emocional quanto os períodos de crise. “É importante que a pessoa tenha o seu grupo de apoio social. Porque é isso que vai ajudar ela a controlar também as crises, quando elas vierem por gatilhos emocionais”, afirma.

A psicóloga também orienta que o paciente converse com pessoas próximas sobre a doença. Como parte do preconceito nasce da falta de informação, explicar que a psoríase não é transmissível pode ajudar a reduzir o medo e os julgamentos. “Se elas não souberem, explique. É importante. Nem todo mundo sabe, nem todo mundo tem o conhecimento”, diz.

Maria Eduarda afirma que, apesar das dificuldades, hoje consegue lidar melhor com as marcas da doença. “Não digo que sou 100% resolvida com o meu corpo e as manchas, mas consigo aceitar melhor do que anos atrás”, conta.

Para Karina, manter vínculos sociais é fundamental. “O isolamento é tudo que a gente não recomenda”, completou.

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Fonte: Jornal Opção

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