O que, de fato, Mendonça não quer que o STF veja?

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Por Florestan Fernandes JrBrasil 247

A pergunta que todos os que acompanham a crise no STF devem estar se fazendo é simples: por que os dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro continuam fora do alcance dos ministros da Corte, justamente às vésperas da sessão desta terça-feira (15), que decidirá se Alexandre de Moraes deve ou não ser investigado?

Mais do que isso: por que André Mendonça, autor do pedido de abertura de investigação contra Moraes, se manifestou contra o compartilhamento integral dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sob a alegação de que a abertura total das mídias poderia “tumultuar o julgamento”?

O que precisa ficar claro ao ministro André Mendonça é que ele apenas pediu a abertura de uma investigação. A partir daí, não cabe a ele controlar o processo, decidir o que os demais ministros podem ou não conhecer, nem determinar os termos em que o pedido será julgado. Essa é uma atribuição do presidente da Corte, a quem compete conduzir o andamento do julgamento.

Cristiano Zanin e Gilmar Mendes já demonstraram contrariedade à limitação imposta por Mendonça e devem questionar a falta de informações cruciais para o julgamento do pedido de investigação contra um colega de Corte.

As informações passadas já na semana passada para mim por fontes do STF dão conta de que há fortes suspeitas de que Mendonça poderia estar tentando se blindar. Ministros do STF trabalham com a possibilidade de que André Mendonça dificulta a abertura dos dados para evitar o vazamento de informações da relação dele próprio com Daniel Vorcaro.

Uma de minhas fontes diz que ministros próximos a Moraes estão preparados para chutar o balde e apresentar dentro da Corte informações que poderiam comprometer mais de uma dezena de ministros do STJ e do STF. Nesse sentido, vale lembrar das informações que já são públicas envolvendo parentes de ministros do STF com Daniel Vorcaro, como: Kassio Nunes Marques, Luiz Fux, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. O próprio André Mendonça tem uma história mal contada com Daniel Vorcaro.

Todos se lembram que, no início de setembro, o jornalista Paulo Motoryn revelou que, em 14 de março de 2025, André Mendonça teve uma conversa de cerca de duas horas com Daniel Vorcaro, na sede do Instituto Iter, que na época pertencia ao ministro. A justificativa apresentada por Mendonça foi a de que o encontro se destinara exclusivamente a tratar de uma questão relacionada a precatórios de interesse do Banco Master.

Convenhamos: essa justificativa é extremamente frágil. Um ministro do Supremo tem a obrigação ética de tratar assuntos relacionados ao seu cargo em seu gabinete no STF, com registro oficial e total transparência. Não se trata apenas de uma questão de formalidade, mas de preservar a necessária distância entre um ministro da Corte e os interesses privados de um banqueiro.

Mais ainda: o encontro a portas fechadas entre Mendonça e Vorcaro, no instituto privado do ministro, poderia configurar impedimento para a relatoria do caso Banco Master. Essa informação deveria ter sido comunicada ao presidente Edson Fachin antes do sorteio que atribuiu a Mendonça a relatoria, retirada de Dias Toffoli.

Ao dificultar o acesso integral aos dados extraídos dos celulares de Daniel Vorcaro, André Mendonça abre espaço para especulações sobre sua própria relação com o ex-banqueiro. Se tomarmos como régua o que ocorreu com Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, que foi desmentido em diferentes versões sobre sua relação com Vorcaro, as perguntas são inevitáveis: Mendonça teve mais de uma reunião com o banqueiro? Existem mensagens entre os dois que ainda não vieram a público? Ele ou sua família receberam algum tipo de benefício financeiro de Vorcaro, como ocorreu com outros integrantes da Corte?

E, finalmente, por que André Mendonça afastou os agentes da Polícia Federal que investigavam o caso para colocar em seu lugar policiais de confiança ligados ao bolsonarismo? O que havia nas investigações que justificaria uma mudança dessa natureza justamente naquele momento?

Fonte: Brasil 247

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