Do título brasileiro ao cage: Terere projeta novos desafios na carreira
Por Maria Luiza Figueredo — Brasil 247
No último sábado (12), entre uma luta e outra no Samurai Fight, em São Sebastião, o atleta Júnio César Terere dividia a atenção entre o próprio combate e os atletas que também representavam a Team Terere Fight naquela noite. Ele já vinha se preparando para lutar, mas só soube dois dias antes quem seria o adversário no combate de MMA. Com pouco tempo para adaptar a estratégia ao confronto, chegou ao cage para disputar os três rounds. A decisão dos árbitros foi favorável ao adversário. Para o lutador, porém, a experiência também serviu para avaliar o que poderia ter sido diferente com uma preparação específica para aquele confronto.
“Eu conhecia o jogo do meu adversário, mas recebi a luta com apenas dois dias de antecedência. Mesmo assim, consegui me adaptar e fazer os três rounds”, conta. Segundo ele, a estratégia precisou ser montada praticamente em cima da hora e uma preparação específica de cerca de um mês poderia ter mudado todo o cenário.
“Também acredito que uma luta de cinco rounds poderia ter mostrado ainda mais. Mas saio com aprendizado e com a certeza de que consegui enfrentar um grande desafio mesmo sem ter o tempo ideal de preparação”.
A noite não era só de Terere. Filipe Hunter, João Lelis, Paulo Marques e Wilian Bonfim também competiram pela equipe. Filipe saiu com a vitória, enquanto o professor acompanhava os companheiros e se preparava para a própria luta.
Essa divisão entre competir e estar ao lado dos alunos não é novidade para ele. O atleta dá aulas e luta desde maio de 2011, e as duas funções acabam se encontrando também nos dias de competição.
“Quando meus alunos competem no mesmo dia que eu, acompanhar as lutas deles acaba funcionando até como uma preparação para a minha. Estou ali como professor, orientando e dando apoio, mas também como atleta, me preparando para entrar e fazer o meu trabalho”, explica.
Mais do que ensinar durante os treinos, Terere quer que os alunos acompanhem de perto o que significa competir, inclusive quando o resultado não é uma vitória.
“Não quero apenas ensinar no treino. Quero mostrar na prática, competindo junto com eles, que também enfrento pressão, dificuldades, vitórias e derrotas.”
Antes da luta, Jairinho também havia percebido uma mudança na postura de Terere durante os treinos. Nas semanas que antecederam o combate, ele avaliou que o atleta estava mais agressivo na luta e chegava preparado para o desafio.
“Estou achando o Terere superpreparado. Ele está bem mais agressivo nessas semanas que passaram antes da luta, na parte do treinamento. Ele mostrou muito mais agressividade na luta”, avaliou.
Roger Vieira, que conhece Terere desde os treinos de 2011, também destaca a evolução do atleta ao longo dos anos. Para ele, dedicação e intensidade fazem parte da forma como o lutador encara a preparação.
“Ele é um cara muito atlético, um cara que treina muito, é um cara dedicado, um cara que faz tudo certo”, afirma Roger.
O treinador também chama atenção para o estilo de Terere, especialmente pela combinação entre o Muay Thai e o jogo de chão. Roger lembra dos treinos antigos e de como o atleta já surpreendia com finalizações por baixo.
“Eu sempre gostei muito do estilo dele por ser um cara agressivo, que tem um Muay Thai muito bom, que tem chão muito bom”, diz.
Roger também aponta uma evolução que considera importante na trajetória do atleta: a parte mental. Segundo ele, Terere passou por momentos em que isso interferia durante as lutas, mas conseguiu amadurecer nesse aspecto ao longo dos anos.
“Eu gostei muito da evolução mental dele”, afirma.
A luta no Samurai Fight, portanto, aparece como mais um capítulo de uma trajetória que já passa de 15 anos. Pouco antes do MMA, Terere havia conquistado o título brasileiro no Muay Thai. Agora, o próximo grande objetivo já está definido: disputar o Mundial nos Estados Unidos no ano que vem.
“Ser campeão brasileiro foi uma conquista muito importante, mas agora temos um sonho ainda maior. No ano que vem, o objetivo é disputar o Mundial nos Estados Unidos e representar o Brasil”.
A motivação, segundo ele, também vem da família. “Deus e minha família são minhas maiores motivações. São eles que me dão força para continuar treinando, lutando e buscando novos objetivos”.
Enquanto pensa nos próprios próximos passos, o lutador também acompanha o crescimento dos atletas que treinam ao seu lado. A Team Terere Fight, construída ao longo de mais de 15 anos, começa a colocar seus competidores em eventos de maior projeção, como o Jungle Fight. Entre os nomes citados pelo professor estão Ricardo Henrique Morais e Jadson Wender Chagas.
A equipe também trabalha com oportunidades no MFC, com novas lutas previstas para novembro. Para Terere, esse movimento faz parte do trabalho que vem sendo construído dentro da academia.
“Queremos continuar revelando atletas e levando o nome da Team Terere Fight para competições cada vez maiores”.
Nesse caminho, ele divide os créditos com quem está ao seu lado. Família, alunos, Roger Vieira, Jairinho e toda a equipe aparecem como parte da trajetória, assim como a parceria com a RPlay.
O trabalho também começa a ultrapassar o cenário das competições. Terere conta que a equipe prepara novidades em parceria com a Associação Cultural e Esportiva Cidadã do Distrito Federal (ACECDF), com a intenção de usar o esporte para criar novas oportunidades.
“Queremos usar o esporte não apenas para formar competidores, mas para criar oportunidades e construir algo que possa deixar um legado”.
No Samurai Fight, Terere viveu justamente os dois lados que tenta mostrar aos alunos: entrou no cage para competir e, antes disso, esteve ao lado de quem também se preparava para lutar. Naquela noite, houve vitória, derrota e tudo o que existe entre uma coisa e outra.
Agora, os próximos desafios já estão no horizonte. Há novas lutas previstas, atletas da equipe chegando a eventos maiores e um Mundial nos Estados Unidos no próximo ano. Para Terere, a caminhada continua, dentro do cage, nos treinos e ao lado da equipe que vem construindo há mais de 15 anos.
Fonte: Brasil 247