Medicamento experimental de Lito Sousa chega ao Brasil após autorização da Anvisa
Por Silvia Melo — Catraca Livre
O medicamento experimental destinado ao tratamento de Lito Sousa chegou ao Brasil na madrugada deste sábado (12). A substância ALN-6457 foi transportada dos Estados Unidos até o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, e liberada para seguir diretamente ao Einstein Hospital Israelita, onde o influenciador é acompanhado.
Lito foi diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob, uma condição rara e grave associada a príons. Diante da ausência de alternativas terapêuticas disponíveis, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou excepcionalmente o acesso ao medicamento por meio do chamado uso compassivo.
Medicamento chegou em operação de emergência
A logística para transportar a substância até o hospital foi realizada rapidamente. Depois de desembarcar em Guarulhos, a carga passou pelo despacho aduaneiro e foi encaminhada de helicóptero ao Einstein.
A agilidade era considerada importante porque as características do medicamento fazem com que seu potencial terapêutico seja reduzido com o passar do tempo.
Em nota, a Receita Federal informou que o processo envolveu uma ação coordenada com a Anvisa. Segundo o órgão, o planejamento antecipado permitiu que os procedimentos necessários para a liberação da carga fossem organizados antes da chegada ao país, evitando atrasos no transporte.
Substância ainda não foi testada contra a doença em humanos
O ALN-6457 é produzido pela farmacêutica Regeneron Pharmaceuticals e ainda não tem registro comercial ou representante legal no Brasil.
Outro ponto importante é que a substância está em fase pré-clínica. Até o momento, não foram iniciados estudos formais em seres humanos para avaliar sua utilização especificamente contra a doença de Creutzfeldt-Jakob.
Por esse motivo, Lito será a primeira pessoa a receber o medicamento nesse contexto.
O uso compassivo é uma alternativa prevista para situações excepcionais, permitindo que pacientes com doenças graves tenham acesso a tratamentos experimentais quando não existem opções terapêuticas satisfatórias disponíveis. No caso de Lito, o pedido foi apresentado pelo Einstein Hospital Israelita, responsável pelo acompanhamento médico.
Família buscou acesso ao tratamento experimental
Antes de recorrer ao uso compassivo, a família de Lito tentou conseguir uma vaga em um estudo experimental. Segundo Mila Seidl, esposa do influenciador, ele não deixou de participar por não atender aos critérios médicos, mas porque o processo de inclusão já estava encerrado.
A partir disso, familiares e médicos passaram a buscar outra possibilidade de tratamento. A equipe entrou em contato com a farmacêutica responsável pela substância e reuniu exames, informações clínicas e documentação científica para apresentar o pedido de acesso excepcional.
Mila afirmou que a solicitação foi construída com apoio da equipe médica e com informações fornecidas pela própria empresa responsável pelo medicamento.
Esposa nega interferência de autoridades
A chegada do medicamento também foi acompanhada por rumores sobre uma possível interferência de autoridades ou empresários para viabilizar o tratamento.
Mila negou essas versões e afirmou que o acesso à substância foi buscado diretamente por ela e por Lito, com participação dos médicos responsáveis pelo caso.
A família também destacou que a autorização da Anvisa ocorreu dentro dos mecanismos previstos para o acesso excepcional a medicamentos experimentais.
O tratamento, portanto, será realizado em uma situação ainda experimental. Como o ALN-6457 não passou por estudos clínicos em humanos especificamente para a doença de Creutzfeldt-Jakob, ainda não é possível afirmar qual será sua eficácia ou quais resultados poderá produzir no caso do influenciador.
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Fonte: Catraca Livre