Casa Marx Belo Horizonte abre suas portas com mais de 700 pessoas

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Por Odete AssisEsquerda Diário

No sábado, dia 12 de setembro, a Casa Marx Belo Horizonte abriu suas portas. O evento reuniu mais de 700 pessoas e foi um grande acontecimento no coração da capital mineira. Com muito orgulho nós do Esquerda Diário e do Instituto Casa Marx abrimos nossa terceira sede, depois do sucesso em São Paulo e Rio de Janeiro.

A inauguração da Casa Marx Belo Horizonte aconteceu no sábado dia 12 de setembro, contando com a presença de centenas de pessoas. Trabalhadores da educação, bancários em greve, técnicos administrativos e professores da UFMG e da PUC, operários de fábricas, petroleiros, trabalhadores da Copasa, da saúde, da Cemig, garis, trabalhadores terceirizados de distintas categorias, jovens trabalhadores, estudantes secundaristas, da UFMG e outras universidades, além de lutadores de diversas gerações. O evento contou com o apoio da Fundação Rosa Luxemburgo e da Boitempo Editorial.

Centenas de pessoas participaram do lançamento da Casa Marx , lotando a livraria e a exposição Rosa Luxemburgo: Vida e Revolução , em parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo, e estava tão cheio que foi inevitável ocupar a calçada e a rua. As crianças também puderam curtir as atividades da Casinha Marx.

O lançamento foi uma potente demonstração de que as ideias revolucionárias despertam cada vez mais interesse, para desespero de Trump e seus capachos como os Bolsonaros, Zema, Nikolas Ferreira, entre tantos outros políticos capitalistas. Também deixou claro que ao invés da desmoralização ou resignação podemos batalhar para dar uma resposta à crise capitalista confiando na força da nossa classe organizada, retomando seus métodos de luta e afiando suas armas da crítica com o marxismo revolucionário para construir uma alternativa independente da frente ampla de Lula, capaz de superar a conciliação de classes e derrotar a extrema direita e todos os ataques capitalistas. Por tudo isso, também se expressou desde o início o apoio à greve dos bancários e dos correios.

Todo espaço da Casa Marx emanava a reivindicação do legado teórico revolucionário de Marx e Engels, e dos grandes marxistas do século XX, como Lênin, Trótski, Gramsci, Rosa Luxemburgo. Diante de um capitalismo em crise, da ingerência imperialista de Trump na América Latina e do momento político do país, onde fica claro que as instituições burguesas estão a serviço de manter uma verdadeira república dos banqueiros, o lançamento da Casa Marx veio para contribuir na fusão das lutas da classe operária, da juventude e dos movimentos sociais mineiros com o legado político, teórico e prático das distintas gerações do marxismo revolucionário. Queremos que a Casa Marx seja uma trincheira para pensar os grandes desafios de transformação da nossa época contra o capitalismo e na batalha para retomar o imaginário comunista, que não tem nada a ver com o legado contrarrevolucionário do stalinismo.

O momento das saudações despertou forte interesse dos presentes, apresentando um pouco mais do projeto e dos aliados da Casa Marx. Mediado por Mafê, psicóloga, mestranda da UFMG e militante da Faísca Revolucionária e Maré, professora da rede estadual, redatora do Esquerda Diário e militante do Nossa Classe.

Heloísa Greco, a Bizoca, militante histórica da luta pelos direitos humanos e coordenadora do Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania, começou as saudações falando sobre a importância de construir mais esse espaço de resistência e luta em Belo Horizonte, e da batalha comum que damos na luta por memória, verdade e justiça, com uma política de independência de classe e combativa.

Dirlene Marques, professora da UFMG, do Comitê Mineiro de Solidariedade ao Povo Palestino e do 8M Unificado de BH, também expressou como a Casa Marx vem para fortalecer essas lutas tão importantes da nossa classe, e uma perspectiva internacionalista e do feminismo socialista.

Deise Luiza, professora Face-UFMG e coordenadora da Rede Trama fez um chamado a juventude presente naquele evento, para se colocar na linha de frente da batalha pelo marxismo revolucionário.

Leandro Lanfredi, diretor do Sindpetro do Rio de Janeiro, que esteve na Global Sumud Flotilha pela Palestina e leva à frente à campanha anti imperialista de envio de petróleo para Cuba contra o bloqueio imperialista comentou sobre a importância da luta antiimperialista na América Latina, como o projeto dos capitalistas significa mais mil Marianas e Brumadinho e são os trabalhadores os que podem defender a natureza, fazendo um chamado para construir a campanha “O petróleo e as terras raras são nossos”.

Gustavo Seferian, professor da faculdade de direito da UFMG e um dos organizadores do Curso Marx e Engels da Boitempo saudou fortemente o evento e a capacidade de reunir tanta gente para um lançamento que era a expressão da defesa de tantas pautas de lutas dos trabalhadores, da juventude e dos movimentos sociais. Desejou vida longa à Casa Marx e apontou a necessidade de fortalecer a tradução revolucionária de Marx, Engels, Trotski, Rosa e tantos outros.

Depois foi a vez de Claudionor Brandão, fundador do MRT e demitido político do Sintusp, que demonstrou sua alegria de ver as novas gerações militantes dando continuidade a esse projeto que é parte da batalha pela construção de uma ferramenta política da nossa classe, um partido da classe trabalhadora que possa superar pela esquerda a conciliação de classes do PT para lutar contra o imperialismo, o capitalismo e todas as opressões que ele sustenta.

Marcello Pablito, fundador do Quilombo Vermelho, diretor do Sintusp e organizador do livro “A revolução e o negro” retomou como em Minas Gerais a classe trabalhadora é herdeira da luta negra, dos quilombos e das revoltas camponesas e urbanas que seguiram se expressando nas greves do ascenso operário e em cada luta que hoje explode no estado recordista de trabalho escravo no Brasil. Expressou nossa luta ao lado dos povos do continente africano, dos imigrantes que no Brasil e em todo o mundo lutam contra a polícia racista, nossa luta pelo fim da 6×1 e contra cada reforma defendida pelos herdeiros da casa grande, e mantidas pelo governo de Lula e da Frente Ampla.

Depois dele, Renato e Gabriel, companheiros da Kasa Invisível, expressaram a luta contra a especulação imobiliária que avança em Belo Horizonte e a luta contra o despejo das ocupações.

Diana Assunção, dirigente do MRT e autora do livro “Rosa Luxemburgo, a águia da revolução” falou sobre como o lançamento da terceira Casa Marx era uma grande alegria, retomando como vários camaradas já tinham apontado sobre a necessidade de uma política de independência de classe para enfrentar a extrema direita, discutindo como a crise que estamos vendo é expressão de uma república de banqueiros, onde juízes milionários que não foram eleitos por ninguém votam as reformas anti-operárias, votam leis contra o povo, impedem o direito das mulheres ao aborto legal, seguro e gratuito. Discutiu como a conciliação da Frente Ampla e do governo Lula não está derrotando essa extrema direita. Citando o exemplo da esquerda revolucionária Argentina, com Myriam Bregman a frente para que possamos também no Brasil batalhar para que uma política de independência de classe ganhei força. Diana abordou também nossa defesa de que todo juiz seja eleito, em mandatos revogáveis, e ganhe o salário de uma professora e como contra a república dos banqueiros lutamos para tirar o sistema bancário das mãos dos Vorcaro e do imperialismo, pela nacionalização sob controle dos trabalhadores.

Por fim, Flávia Valle, professora da rede estadual, fundadora do Pão e Rosas em Minas Gerais e uma das coordenadoras da Casa Marx BH agradeceu a cada um dos companheiros e companheiras que fizeram suas saudações e a todes que estavam presentes no lançamento. Colocando como a Casa Marx vem para unir a nossa classe, para ajudar a fortalecer nossa resposta contra todos os ataques, como os que acontecem agora contra parlamentares, contra figuras públicas, contra as ocupações, as lutas contra as privatizações. Como a da Copasa levada a frente por Zema e que Patrus e Kalil já se comprometeram a manter. Defendendo a reestatização da Copasa sob gestão de trabalhadores e controle popular. Expressou como a Casa Marx vai ecoar cada uma das lutas do passado e do presente da classe trabalhadora, para honrar todas as vítimas de Mariana, de Brumadinho, a vida do gari Laudemir, dos mortos e desaparecidos pela ditadura militar, das mulheres, meninas e meninos vítimas da transfobia e do feminicídio. E ser um polo de independência de classe, contra o machismo, o patriarcado, o racismo e a LGBTQIAP+fobia. Terminou fazendo um convite para construir a Casa Marx e retomou o grande revolucionário ao dizer que nossa classe é uma e sem fronteiras, e que os trabalhadores não tem nada a perder a não ser seus grilhões.

Depois das saudações a exposição e a livraria ficaram cheias, com um momento de forte confraternização e trocas revolucionárias ao som da Dj Zvbinni.

A Casa Marx BH segue aberta às quartas, sextas e sábados, das 14h às 19h, na rua Tabaiares, 22, bairro Floresta. Com a exposição “Rosa Luxemburgo: Vida e Revolução”, de 12 de setembro a 17 de novembro, uma parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo, que conta com as obras da artista mineira e petroleira Lina Handam, que surgiu a partir do processo de criação gráfica do livro Rosa Luxemburgo, a águia da revolução, de Diana Assunção. Além de diversas outras atividades políticas e culturais que serão anunciadas nos próximos dias.

Para manter todo esse projeto militante e independente dos patrões e governos lançamos também uma nova campanha financeira nacional. Você pode ser parte de ajudar a levar esse projeto mais longe, ampliando a cobertura das lutas e os debates, cursos, podcasts, além da produção de novos livros e elaborações. Contribua para fortalecer a Casa Marx e o Esquerda Diário!

Fonte: Esquerda Diário

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