‘Nova parceria com a África é uma via de mão dupla para compartilhar e aprender’, diz George Maha, representante do novo Escritório da ApexBrasil em Adis Abeba
Por Leonardo Sobreira — Brasil 247
247 – O representante do novo Escritório da ApexBrasil para a África, George Okechukwu Maha, avaliou, em entrevista ao 247, diretamente de Adis Abeba, que a instalação da representação comercial permanente brasileira na capital etíope inaugura um novo momento nas relações entre o Brasil e o continente africano. A entrevista foi concedida após a cerimônia de inauguração do escritório, que passa a funcionar como representação permanente da ApexBrasil para os países africanos, com a missão de apoiar empresas brasileiras na expansão de negócios para novos mercados e, ao mesmo tempo, atrair investimentos capazes de contribuir para a modernização da indústria e da economia brasileira. Segundo Maha, a nova estrutura permitirá ampliar a oferta de serviços da agência voltados especificamente ao mercado africano e aproximar os empresários brasileiros da diversidade econômica dos 55 países reconhecidos pela União Africana.
Para Maha, a presença permanente em Adis Abeba também permitirá à ApexBrasil oferecer informações mais precisas sobre as características e oportunidades específicas de cada mercado africano, ajudando a reduzir percepções baseadas em mitos e estereótipos sobre o continente. Ele destacou que a África deve ser vista como um espaço de esperança e de futuro e ressaltou as afinidades culturais e a condição de Brasil e países africanos como integrantes do Sul Global, fatores que, segundo ele, favorecem a cooperação e o fortalecimento das cadeias de valor. Nesse contexto, a ApexBrasil pretende atuar para ampliar a cooperação comercial e aproximar empresas brasileiras das oportunidades existentes no continente.
Leia na íntegra a entrevista com George Okechukwu Maha sobre a nova atuação da ApexBrasil na África e as oportunidades de negócios entre o Brasil, a Etiópia e os demais países do continente africano:
[Leonardo Sobreira]: Qual a expectativa em relação ao estabelecimento do Escritório aqui em Adis Abeba. O que o Brasil pode esperar a partir desse marco?
[George Maha]: Esse novo momento é um marco para as relações Brasil-África e também para as relações Brasil-Etiópia. O Brasil sempre enxergou o continente africano como um continente irmão. Temos muito carinho em dizer que nós viemos da África e por isso para a África voltaremos, e aqui estamos celebrando essa que é a inauguração do nosso novo escritório.
O escritório da ApexBrasil é a representação integral da ApexBrasil para os países africanos. Como a ApexBrasil é conhecida pela sua capacidade de promover exportações, iremos assistir empresas na expansão dos seus negócios para outros mercados e também atrair investidores que venham a trazer ainda mais qualidade e modernização às nossas indústrias, ao nosso mercado nacional.
Da mesma forma o escritório da ApexBrasil para o continente africano terá a capacidade de entregar todos os serviços da ApexBrasil focados no mercado do continente africano. Quando falamos de África, nós estamos falando de um continente. Quando falamos de África, estamos falando de un continente cujos os seus países têm nomes. Falamos de Angola, Argélia, Botsuana, África do Sul, Chade, Djibuti, Namíbia, Nigéria, Senegal, Costa do Marfim, Mali, Mauritânia. Falamos de 55 países reconhecidos pela União Africana. O continente africano ele carrega essa diversidade que o brasileiro precisa conhecer.
São países com características diferentes, características específicas, e o nosso desejo, estando mais perto, tendo agora a presença da ApexBrasil em Adis Abeba, capital da Etiópia, é sobre poder trazer essa informação mais clara para a tomada de decisões do empresário brasileiro.
A África é um continente que para muitos está carregado por mitos, ainda marcado por desafios, por riscos, por questões que são desagradáveis de mencionar. Mas para aquele que mora, para aquele que vive, para aquele que trabalha aqui, é um continente da esperança, é um continente do futuro.
A ApexBrasil identifica que é um continente cujo Brasil tem um acesso privilegiado pela nossa relação cultural e pela nossa afinidade como membros do Sul Global, para cooperar pelo fortalecimento das cadeias de valor. O Brasil tem muito a compartilhar e deseja contribuir com a cooperação comercial entre o Brasil e o continente africano.
[Leonardo Sobreira]: Quais as expectativas sobre e quais as iniciativas que já vêm sendo projetadas em relação à exportação e ao comércio, com base no estabelecimento do escritório?
[George Maha]: Nossa expectativa é a melhor melhor de todas. Onde alguns veem dificuldades, a ApexBrasil vê oportunidade. Vivemos um momento em que há muitas incertezas e fragmentações no mundo, com relações diplomáticas sendo afetadas, parceiros comerciais sendo também afetados, mas é por isso que o comércio global tem uma dinâmica que a cada dia cria novas oportunidades.
Temos uma alta expectativa com essa nova presença no continente africano. De pronto, temos já algumas iniciativas que estamos discutindo com o governo da Etiópia. Ainda este ano pretendemos realizar um encontro de negócios para apresentar empresas brasileiras às empresas etíopes. A ApexBrasil tem uma parceria com a agência de atração de investimentos da Etiópia, a Ethiopian Investment Commission.
Além disso, entendemos que há um campo ainda a preencher na apresentação do mercado às empresas brasileiras, e queremos trabalhar com webinars e com materiais de conhecimento para apresentar às empresas brasileiras quais são as oportunidades que ela tem no setor dela no mercado etíope, e como a Etiópia pode ser um mercado competitivo, um mercado que agregue valor à expansão e ao negócio daquela empresa brasileira.
Em especial no setor de agricultura, a ApexBrasil está também em diálogo com o Ministério da Agricultura da Etiópia para que possamos desenvolver ações focadas nas demandas da indústria local.
Desde sementes, desde recuperação, tratamento de terras, desde irrigação, maquinário para agricultura, até distribuição. A ApexBrasil, pela experiência do setor agropecuário brasileiro, deseja, junto com seus parceiros como a Embrapa, fazer com que essa transferência de conhecimento e tecnologia chegue mais rápido e chegue a partir de oportunidade de negócios.
Além disso, a próxima COP 32, que será realizada em 2027, acontecerá em Adis Abeba. Essa é mais uma plataforma para nós mostrarmos o Brasil, o diferencial da indústria brasileira, falarmos de como o Brasil trata de forma séria a sustentabilidade e a responsabilidade de todos com o futuro do planeta. Essas são as nossas primeiras iniciativas.
[Leonardo Sobreira]: Impressionou muito em particular a Etiópia. Qual o panorama da situação econômica? Como a Etiópia conseguiu passar de ser sinônimo de pobreza, sendo considerada o país mais pobre do mundo, para alcançar esse nível surpreendente de desenvolvimento?
[George Maha]: Em 1991 a Etiópia foi considerado o país mais pobre do mundo. Mas aquilo não foi a sepultura da Etiópia. Eles cresceram e se desenvolveram a partir de políticas sérias voltadas à distribuição de renda e à capacitação de agricultores e dos produtores rurais, para provimento de alimento para a população. Isso trouxe um grande resultado a nível de desenvolvimento. A Etiópia ela foi muito afetada no passado pelas secas e as enchentes, mas por causa do trabalho sério, os efeitos foram cada vez mais reduzidos.
O nosso desejo estando aqui em Adis Abeba é entender melhor essa dinâmica, entender melhor e ver como que o Brasil pode contribuir para escalar ainda o desenvolvimento do país.
Mesmo na área da agropecuária, que a Etiópia já vem desenvolvendo um trabalho muito sério, o Brasil pode contribuir com tecnologia agrícola, com processos para trazer mais eficiência para a produção, com mecanismos, como máquinas e implementos agrícolas, que podem facilitar o cultivo e também a irrigação. Estamos aqui para contribuir. Essa é mensagem que deixamos para o governo da Etiópia, e também estando aqui em Adis Abeba, onde está estabelecida a União Africana, essa é a mensagem que deixamos para todas as representações diplomáticas. Estamos aqui também para aprender e para também levar conhecimento para o Brasil, para poder fazer com que essa parceria faça com que nós, Brasil e Etiópia, Brasil e países africanos, possamos nos desenvolver juntos.
Fonte: Brasil 247