Brasil: hora de olhar para ‘espelho’ da extrema-direita na Argentina e no Chile
Por Marcia Carmo — Brasil 247
A poucos dias do primeiro turno da eleição presidencial no Brasil, governos, analistas e opinião pública da América Latina (e além dela também) observam com muita atenção a campanha para o Palácio do Planalto. O Brasil é o maior país da América Latina. E hoje vários países da região são governados pela extrema-direita, aliada de Trump e unida no chamado ‘Escudo das Américas’, que envolve políticas de segurança para a América Latina, a América Central e o Caribe. Mas qual é hoje a situação econômica e social dos países governados pela extrema-direita na nossa região? Qual é a realidade, por exemplo, na Argentina e no Chile?
‘Bolsonaros’, Milei, Kast
Os Bolsonaro dialogam com os líderes da extrema-direita da região e apoiaram as eleições de Milei, na Argentina, Kast, no Chile, e também de Abelardo de la Espriella, na Colômbia. Em muitos pontos, eles demonstram sintonia, como na defesa do Estado mínimo e na relação sem freios com os Estados Unidos. No Chile, o chanceler ressalvou que a aliança não significa, porém, aceitar ingerências e que o país tem sua própria autonomia. Ou seja, nada de cheque em branco. Na Argentina, Milei respalda todas as políticas de Trump. “Ele é um funcionário de Trump na região”, disse o ex-embaixador da Argentina na China, Sabino Vaca Narvaja, em entrevista ao Brasil 247.
Realidade da Argentina
Desde novembro de 2023, um mês antes de Javier Milei tomar posse na Casa Rosada, mais de 31 mil empresas (31.342) fecharam as portas na Argentina, segundo levantamento da consultoria econômica CEPA, a partir de dados oficiais do Ministério de Capital Humano. Nos bastidores do governo, reconhecem que o consumo não decola e que a queda no índice oficial de inflação é insuficiente para melhorar a qualidade de vida dos argentinos. Atualmente, as pesquisas apontam que o índice de rejeição contra Milei supera 60% e que sua aprovação está na casa dos 30% e 35%. O estilo presidencial, de disparar sua metralhadora de insultos (como fez com Lula no palanque de Flávio Bolsonaro), gerou cansaço em muitos eleitores. O país realiza eleição presidencial no ano que vem, 2027. A oposição continua fragmentada. “Não suporto Milei. A Argentina merece mais. Porém, não há um opositor que me convença hoje”, disse um motorista de aplicativo numa viagem entre os bairros de Palermo e Recoleta.
Realidade do Chile
Do outro lado dos Andes, no Chile, o presidente José Antonio Kast completou seis meses de mandato com uma coleção de números negativos. Atualmente, somente 35% dos chilenos aprovam sua gestão e 65% a reprovam, de acordo com o último levantamento da empresa de pesquisas Cadem, de Santiago. O retrato ocorre apesar de alguns dados positivos, como a queda de 17% no número de homicídios e de 13% nos roubos violentos no país andino. Mas a realidade econômica fala forte e, naturalmente, resulta em impopularidade. A inflação anual chegou a 4,1% em agosto e era de menos de 3% antes de Kast chegar ao Palácio presidencial La Moneda. Segundo o Banco Central do Chile, o crescimento econômico deste ano deve ficar entre 0,25% e -0,75%. Em março, a instituição previa expansão entre 1,5% e 2,5%. O desemprego chegou a 9,5% na era Kast, o índice mais alto desde 2021. A desocupação é ainda mais alta entre as mulheres, superando 10%. Neste momento, ao Brasil convém olhar para a vizinhança…
Fonte: Brasil 247