Erika Hilton pede inclusão de Flávio Bolsonaro no inquérito do INSS
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) anunciou que vai acionar o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para pedir que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) seja incluído nas investigações sobre as fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A iniciativa foi anunciada após reportagens revelarem que a Bravo Grafeno, empresa de capacetes que tem Flávio Bolsonaro entre seus sócios, está registrada na mesma sala, em Brasília, utilizada como endereço cadastral por ao menos 16 empresas ligadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, o chamado “Careca do INSS”, personagem central da Operação Sem Desconto.
“Frente à revelação de que Flávio Bolsonaro e o ‘Careca do INSS’ usavam o mesmo endereço e o mesmo contador para suas empresas, estou acionando o ministro André Mendonça para que ele inclua Flávio Bolsonaro no Inquérito do INSS”, afirmou Erika Hilton em uma postagem nas redes sociais.
A parlamentar classificou a revelação como grave e defendeu que as relações empresariais identificadas sejam submetidas ao escrutínio dos investigadores.
“É absurdo que um senador e candidato à presidência da República tenha uma empresa sediada no mesmo lugar onde 16 empresas de alguém indiciado por operar um dos maiores esquemas criminosos da história recente do nosso país”, escreveu.
Mesmo endereço em Brasília
O endereço que está no centro das novas revelações é a sala 2601, bloco D, do Edifício Connect Towers, em Águas Claras, no Distrito Federal.
Ao menos 16 empresas vinculadas a Antonio Carlos Camilo Antunes aparecem ou apareceram registradas nesse mesmo endereço, assim como a Bravo Grafeno. Os negócios relacionados a Antunes abrangem áreas como consultoria, construção, incorporação, comércio, locação de veículos e serviços de call center.
Uma delas é a Prospect Consultoria Empresarial. De acordo com informações do relatório final da CPMI do INSS reproduzidas pela imprensa, a empresa recebeu R$ 204,2 milhões de nove entidades investigadas. O endereço cadastrado da Prospect também era a sala 2601.
A Bravo Grafeno foi constituída em junho de 2024, com capital social de R$ 100 mil. O ex-vereador Carlos Bolsonaro também integra a sociedade, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro já participou da empresa e atuou como garoto-propaganda da marca.
Conexão passa pela contabilidade
A coincidência cadastral não é o único elemento levantado pelas reportagens. Outro ponto é a prestação de serviços contábeis.
O escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro utiliza os serviços da Voga Serviços Contábeis, pertencente a Alexandre Caetano dos Reis. A informação já havia sido revelada pelo Metrópoles em julho. Segundo as reportagens, o e-mail da Voga aparece em notas fiscais emitidas pelo escritório do senador.
Alexandre Caetano dos Reis, por sua vez, é citado no relatório final da CPMI do INSS como responsável por funções contábeis em empresas diretamente relacionadas ao núcleo empresarial de Antonio Carlos Camilo Antunes. Ele foi preso pela Polícia Federal no âmbito das investigações.
O vínculo vai além da prestação de serviços. Alexandre foi sócio de Antunes em uma empresa offshore registrada nas Ilhas Virgens Britânicas. Sua irmã, Letícia Caetano dos Reis, aparece como administradora do escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro.
No levantamento sobre a Bravo Grafeno, um representante da Voga confirmou que o escritório contábil presta serviços à empresa ligada a Flávio. Ele negou, porém, que a sala 2601 pertença à Voga, afirmando que o espaço funcionava como um coworking administrado por outra empresa.
Erika pede escrutínio sobre Flávio
Diante desses elementos, Erika Hilton afirmou que a investigação deve esclarecer se existe algo além das relações cadastrais e profissionais já reveladas.
“Mas isso não significa que Flávio Bolsonaro não deva passar pelo devido escrutínio após uma revelação chocante como essa”, afirmou a deputada.
A parlamentar encerrou sua manifestação citando uma passagem bíblica: “Pois não há nada escondido que não venha a ser revelado nem oculto que não venha a ser conhecido. O que vocês disseram no escuro será ouvido à luz do dia; o que sussurraram nos ouvidos dentro de casa será proclamado dos telhados.”
Até o momento, as informações disponíveis sobre endereço e contabilidade não demonstram, por si só, participação de Flávio Bolsonaro nas fraudes contra beneficiários do INSS. O senador já negou envolvimento no escândalo. Procurado pela imprensa após a revelação sobre a Bravo Grafeno, ele não se manifestou.
Mendonça relata investigação no STF
O pedido anunciado por Erika Hilton é dirigido a André Mendonça porque o ministro conduz no Supremo procedimentos relacionados à Operação Sem Desconto.
Em dezembro de 2025, Mendonça determinou, a pedido da Polícia Federal e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, a prisão preventiva de 16 investigados na PET 15041, além de monitoramento eletrônico e outras medidas cautelares.
Antonio Carlos Camilo Antunes permanece preso. O STF já o descreveu, com base nas investigações da PF, como operador financeiro e um dos supostos líderes do grupo investigado por descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
Bilhões em descontos e ressarcimentos
Em sua postagem, Erika Hilton afirmou que “foram ao menos 6 bilhões de reais retirados dos pagamentos de aposentados”. A cifra se aproxima da dimensão financeira atribuída às fraudes investigadas: informações divulgadas sobre a Operação Sem Desconto apontam aproximadamente R$ 6,3 bilhões em descontos associativos sob investigação no período entre 2019 e 2024.
A deputada também afirmou que o governo Lula “já pagou de volta os aposentados”. Os dados oficiais, contudo, exigem uma precisão adicional: o ressarcimento ocorreu em larga escala, mas o balanço divulgado pelo Ministério da Previdência em junho registrava R$ 3,2 bilhões devolvidos a 4,7 milhões de beneficiários.
Em janeiro de 2026, Lula sancionou a Lei 15.327, que proibiu descontos de mensalidades associativas nos benefícios administrados pelo INSS, estabeleceu mecanismos de busca ativa dos beneficiários prejudicados e determinou a devolução integral dos descontos indevidos nos casos previstos pela legislação.
A ofensiva contra o esquema teve como marco a Operação Sem Desconto, ação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União. Segundo documento oficial do governo enviado ao Congresso, as investigações desarticularam esquemas responsáveis por descontos indevidos em milhões de benefícios previdenciários.
O APOCALIPSE DE FLÁVIO
Frente à revelação de que Flávio Bolsonaro e o “Careca do INSS” usavam o mesmo endereço e o mesmo >CONTADOR< para suas empresas, estou acionando o ministro André Mendonça para que ele inclua Flávio Bolsonaro no Inquérito do INSS.
É absurdo que um… pic.twitter.com/B6k2Ppp6tt
— ERIKA HILTON 5070
(@ErikakHilton) September 11, 2026
Fonte: Brasil 247
O APOCALIPSE DE FLÁVIO
(@ErikakHilton)