Ataque iraniano danifica caças dos EUA em base estratégica na Jordânia
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – Um ataque iraniano contra uma importante instalação militar dos Estados Unidos na Jordânia danificou diversas aeronaves de combate estadunidenses, entre elas um A-10 Thunderbolt e cerca de oito caças F-15, segundo informações divulgadas pela CBS e reproduzidas pela RT nesta quinta-feira (10).
De acordo com a reportagem, que cita fontes familiarizadas com o episódio, a ofensiva ocorreu durante a madrugada de terça-feira e teve como alvo a Base Aérea de Muwaffaq Salti, nas proximidades de Azraq, aproximadamente 100 quilômetros a nordeste da capital jordaniana, Amã. A instalação funciona como um dos principais centros das operações aéreas dos Estados Unidos na região.
Um A-10 Thunderbolt, aeronave de ataque conhecida como Warthog, teria sofrido danos graves em uma das asas. Cerca de oito F-15 também foram atingidos, embora com avarias consideradas leves. Segundo o relato, esses caças retornaram posteriormente ao serviço. Não houve registro de mortes entre militares estadunidenses.
Mais de 30 mísseis Patriot teriam sido disparados
As forças dos Estados Unidos teriam lançado mais de 30 mísseis interceptores do sistema Patriot durante a ofensiva iraniana, numa tentativa de proteger a base e as aeronaves estacionadas no local.
O governo da Jordânia informou ter interceptado 18 mísseis iranianos. Outros dois projéteis atingiram áreas desabitadas e não provocaram vítimas, segundo as autoridades jordanianas.
O Comando Central dos Estados Unidos, responsável pelas operações militares do país no Oriente Médio, não confirmou os danos relatados às aeronaves.
Washington, por outro lado, rejeitou alegações iranianas de que dois destróieres da Marinha estadunidense teriam sido atingidos nos confrontos mais recentes.
Disputa no Estreito de Ormuz amplia tensão
A ofensiva ocorre em meio à escalada militar entre Estados Unidos e Irã e ao agravamento das disputas pelo controle da navegação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
Os Estados Unidos impuseram restrições ao tráfego marítimo com origem ou destino em portos iranianos, enquanto Teerã adotou controles sobre a passagem de embarcações pelo estreito.
Antes da guerra, a hidrovia concentrava cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo, o que aumenta o temor de impactos globais sobre energia e transporte caso o conflito se prolongue.
Segundo o Comando Central dos EUA, forças estadunidenses destruíram dez navios petroleiros iranianos desde 5 de setembro, cinco deles somente na terça-feira. Washington afirma que as ações ocorreram depois que o Irã atacou um navio de guerra dos Estados Unidos com mísseis balísticos.
Petróleo volta a superar US$ 100
A combinação entre os combates envolvendo Estados Unidos e Irã e ataques de mísseis e drones dos Houthis contra a infraestrutura energética da Arábia Saudita aumentou a pressão sobre os mercados internacionais.
Nesse cenário, o petróleo Brent voltou a superar a marca de US$ 100 por barril, impulsionado pelo temor de interrupções no fornecimento e pela possibilidade de novas restrições à circulação de navios no Golfo Pérsico.
O risco de bloqueios ou de ataques nas proximidades do Estreito de Ormuz passou a representar um dos principais fatores de instabilidade para os preços globais do petróleo.
Trump promete novos ataques
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quarta-feira que Washington poderá atacar “muito mais” navios iranianos caso Teerã continue mirando alvos estadunidenses.
Trump também acusou o governo iraniano de prolongar a guerra com o objetivo de influenciar as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos. Segundo ele, Teerã esperaria obter benefícios políticos com um eventual avanço dos democratas, que se opõem majoritariamente ao conflito.
O governo iraniano rejeita essa versão e acusa Washington de alimentar a instabilidade no Oriente Médio.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que, se os Estados Unidos realmente pretendem buscar a paz, devem encerrar suas “intervenções malignas e desestabilizadoras em nossa região”.
Irã alerta países vizinhos
Teerã tem advertido reiteradamente governos do Oriente Médio para que não permitam o uso de seus territórios ou de seu espaço aéreo em operações militares estadunidenses contra o Irã.
Desde fevereiro, forças iranianas realizaram ataques contra alvos americanos em países como Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Jordânia.
Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, defendeu essas ações e argumentou que Teerã não poderia permanecer sem reagir enquanto território e espaço aéreo de países árabes fossem utilizados pelos Estados Unidos em ofensivas contra o Irã.
Fonte: Brasil 247