Setor de serviços opera com estabilidade em julho e fica 20% acima do nível pré-pandemia
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O volume do setor de serviços no Brasil apresentou estabilidade (0,0%) no mês de julho de 2026 na comparação com o mês imediatamente anterior, mantendo-se em patamar elevado após a ligeira variação positiva de 0,1% registrada em junho, informa o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o desempenho, o segmento se consolida 20% acima do nível registrado em fevereiro de 2020, período pré-pandemia de Covid-19, e posiciona-se apenas 0,2% abaixo do topo de sua série histórica, alcançado em outubro de 2025.
No confronto com o mesmo mês de 2025, o volume de serviços cresceu 0,9%, anotando o seu 28º resultado positivo consecutivo nessa métrica. O desempenho acumulado de janeiro a julho de 2026 atingiu alta de 1,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a taxa acumulada nos últimos 12 meses ficou em 2,4%, apresentando uma leve desaceleração no ritmo de expansão quando comparada ao acumulado até junho (2,6%).
Comportamento setorial e disseminação de altas
Apesar da variação nula no índice geral em relação a junho, o resultado mostrou maior disseminação de taxas positivas, com expansão registrada em quatro das cinco atividades pesquisadas:
- Serviços prestados às famílias: +0,5%
- Serviços profissionais, administrativos e complementares: +0,6% (recuperando parte do recuo de 1,3% visto em junho)
- Outros serviços: +0,7%
- Transportes: +0,4% (retomando o avanço após estabilidade no mês anterior)
O único setor a apresentar resultado negativo no mês foi o de informação e comunicação (-2,5%), que devolveu parte do crescimento de 3,3% acumulado no período entre abril e junho.
Na média móvel trimestral com ajuste sazonal, o volume total de serviços também sinalizou estabilidade (0,0%). Nesse indicador, o segmento de serviços profissionais, administrativos e complementares teve o único avanço (0,5%), enquanto as outras quatro atividades recuaram: outros serviços (-0,9%), transportes (-0,2%), serviços prestados às famílias (-0,2%) e informação e comunicação (-0,1%).
Comparação anual e acumulado do ano
Frente a julho de 2025, o avanço de 0,9% no volume de serviços contou com crescimento em 50,0% dos 166 tipos de serviços investigados e em três das cinco atividades. O setor de informação e comunicação liderou as contribuições positivas com alta de 4,6%, impulsionado pelo aumento de receita em telecomunicações, desenvolvimento de programas de computador sob encomenda, tratamento de dados, provedores e hospedagem na internet, licenciamento de softwares, TV aberta e portais de conteúdo.
Os serviços prestados às famílias cresceram 2,9% (alavancados por restaurantes, bufês e catering) e os serviços profissionais, administrativos e complementares subiram 2,6% (impulsionados por locação de veículos, vigilância privada, plataformas de comércio eletrônico, publicidade e engenharia). Em contrapartida, exerceram impacto negativo os setores de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-2,7%) e outros serviços (-1,6%), afetados pelas quedas no transporte aéreo de passageiros, rodoviário de cargas, logística e serviços financeiros auxiliares.
No acumulado de janeiro a julho de 2026 (1,9%), o setor de informação e comunicação registrou alta de 6,5%, seguido por serviços profissionais, administrativos e complementares (2,4%) e serviços prestados às famílias (2,2%). As retrações acumuladas do ano ficaram a cargo de transportes, serviços auxiliares e correios (-1,4%) e outros serviços (-0,1%).
Desempenho por unidades da federação
Em termos regionais, 14 das 27 unidades da federação apresentaram retração no volume de serviços em julho ante junho. A maior pressão negativa partiu de São Paulo (-0,8%), seguido por Rio de Janeiro (-0,7%), Mato Grosso (-3,3%), Santa Catarina (-0,9%) e Goiás (-1,9%). Já as principais contribuições positivas vieram do Rio Grande do Sul (3,0%), Paraná (1,9%), Bahia (3,2%) e Minas Gerais (1,0%).
Na comparação com julho de 2025, 15 locais registraram expansão, com destaques para São Paulo (0,8%), Rio de Janeiro (2,9%), Bahia (9,7%) e Distrito Federal (5,9%). As maiores quedas interanuais do mês foram anotadas no Mato Grosso do Sul (-9,6%), Mato Grosso (-6,8%), Goiás (-3,5%) e Paraná (-1,4%). No acumulado do ano, São Paulo (3,5%) e Distrito Federal (9,2%) lideraram o crescimento nacional, enquanto Ceará (-4,5%) e Amazonas (-4,5%) puxaram as perdas.
Turismo e transporte de cargas e passageiros
O índice de atividades turísticas avançou 2,7% em julho de 2026 frente a junho, recuperando parte da perda de 4,0% registrada entre maio e junho. O segmento está 9,4% acima do patamar pré-pandemia e 3,8% abaixo do pico histórico alcançado em dezembro de 2024. Das 17 localidades pesquisadas, 11 avançaram, com destaque para São Paulo (3,5%) e Bahia (8,6%). Contudo, na comparação interanual com julho de 2025, o turismo recuou 2,6% — a quinta queda seguida —, pressionado pelas quedas na receita de transporte aéreo e hotelaria. No acumulado do ano, o turismo recua 1,0%.
Por sua vez, o transporte de passageiros cresceu 2,9% em julho ante junho, após perdas de 4,6% acumuladas nos dois meses anteriores. O setor está 1,5% acima do nível pré-pandemia, mas recuou 7,4% na comparação interanual e acumula queda de 3,5% em 2026. Já o transporte de cargas subiu 1,0% em julho ante junho, operando 37,8% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020) e registrando leve acréscimo de 0,2% no acumulado de janeiro a julho de 2026.
Fonte: Brasil 247