André Mendonça não tornou Lula inelegível

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Por Giovanna MassaroAos Fatos | Em busca da verdade na política – feed

É falso que decisão de André Mendonça, vice-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), tenha tornado o presidente Lula (PT) inelegível, como afirmam nas redes sociais. Não há registros sobre determinações nesse sentido. Para tentar fazer crer que a informação é real, os posts simulam uma edição do Jornal Nacional manipulada por IA.

Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos mil interações no Facebook e TikTok até a tarde desta quarta-feira (9).

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André Mendonça declara: Lula Inelegível!!!

Montagem vertical com três cenas de um programa de televisão e textos sobrepostos. No topo, uma mulher de óculos está diante de um cenário azul, com a legenda vermelha 'Mendonça Declara:'. No meio, um homem aparece em um ambiente escuro, acompanhado da legenda azul 'LULA inelegível!!!'. Na parte inferior, há uma imagem de um homem em primeiro plano, com a frase 'MENDONÇA DECLARA LULA INELEGÍVEL' em letras brancas e roxas.

Não é verdade que o ministro André Mendonça tornou Lula inelegível. Não há nenhum registro sobre a suposta decisão na imprensa ou em canais oficiais do STF e do TSE. Além disso, os posts que fazem essa alegação usam IA para simular que a desinformação teria sido noticiada no Jornal Nacional.

Por meio de busca reversa de imagens, Aos Fatos identificou que um dos vídeos utilizados é da edição do programa da TV Globo do dia 20 de agosto. É possível constatar que se trata do mesmo trecho do JN pelas roupas, óculos e cabelo da âncora Renata Vasconcellos (veja a íntegra aqui). Outro vídeo utilizado é o da sabatina de Lula, e as semelhanças são as mesmas.

Aos Fatos submeteu o áudio, que imita a voz de Renata Vasconcellos nas postagens desinformativas, à ferramenta InVID que detecta clonagem de voz e deepfake. O site indicou uma média de 80% de clonagem de voz durante o vídeo enganoso. No entanto, essas ferramentas de detecção de IA podem ter falhas e, por conta disso, instituições acadêmicas internacionais, como a UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles), recomenda o uso com cautela.

Captura de tela de uma ferramenta de clonagem de voz que analisa um áudio de 1 minuto e 13 segundos; no canto superior direito, um indicador marca 80% de detecção, e, à esquerda, um gráfico mostra variações da probabilidade de conteúdo gerado por IA ao longo do áudio. Abaixo, há uma mensagem informando que o fragmento é considerado muito provavelmente gerado por IA.
Ferramenta de checagem de fatos aponta que áudio tem 80% de clonagem

Contexto. As peças de desinformação circulam após decisões do ministro André Mendonça. Em 1º de setembro, o magistrado retirou o sigilo de uma investigação da PF, o que expôs supostas mensagens entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Nelas, o empresário pergunta se deveria sair do país dois dias antes de ser preso e disse que tinha uma “dívida de vida” com Moraes. Não há registro das respostas do magistrado porque a comunicação era feita por meio de visualização única no WhatsApp.

Nesta segunda-feira (8), Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. No entanto, nesta quarta-feira (9), o ministro Flávio Dino atendeu a um recurso de Andrei Passos Rodrigues e reintegrou o diretor-geral da Polícia Federal ao cargo.

O caminho da apuração

Aos Fatos consultou sobre a suposta decisão em veículos de imprensa e nos canais oficiais do STF e do TSE, mas não localizou registro sobre a alegada sentença de Mendonça.

A reportagem submeteu o áudio do post à ferramenta InVID, que detecta deepfakes e clonagens de voz, que identificou indícios de geração artificial. Aos Fatos também submeteu a gravação ao OpenAI e ao Gemini, que não atestaram presença de inteligência artificial. A reportagem também fez busca reversa nos trechos de programas da TV Globo e identificou os vídeos originais.

Fonte: Aos Fatos | Em busca da verdade na política – feed

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