Lindbergh defende ‘quebra de sigilo do caso Master’ e abertura da ‘caixa preta de Dark Horse’

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Por Leonardo LucenaBrasil 247

247 – O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) demonstrou apoio ao ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, que determinou a recondução de Andrei Rodrigues como diretor-geral da Polícia Federal. O magistrado André Mendonça havia determinado o afastamento do dirigente e alegou que era necessário apurar o conteúdo de relatórios da PF enviados a outro ministro da Corte, Alexandre de Moraes. Em vídeo na rede social X, o petista cobrou mais investigação sobre a relação de ministros do órgão com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e sobre o financiamento do filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro.

O parlamentar do PT sugeriu que Mendonça pretende blindar o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “Que se derrube o sigilo de todo o caso Master e abra a caixa preta do filme Dark Horse e do envolvimento do Flávio Bolsonaro com Vorcaro. Não dá pra ter parcialidade! Tudo precisa ser investigado, doa a quem doer. Não dá pra usar a Justiça para proteger os amigos e tentar interferir nas eleições. Estamos contigo, presidente!”, disse Lindbergh. “Essa decisão do Flávio Dino foi importante. O objetivo final do ministro André Mendonça era parar as investigações sobre o Dark Horse”.

Na plataforma, o deputado também citou nomes como o do empresário Antônio Carlos Freixo Junior. Conhecido como Mineiro, ele é dono da Entre Investimentos, empresa usada pelo ex-banqueiro para enviar recursos para o Dark Horse.

“É desmoralização, é dinheiro de corrupção, do Flávio e do Eduardo para esse filme. (O dinheiro) não foi para fazer filme coisa nenhuma. Tem um delator, eu chamo o Mineiro”, acrescentou.

Além do vídeo, o petista escreveu uma mensagem fazendo cobranças. “André Mendonça tentou afastar o diretor-geral da PF justamente quando a investigação do Banco Master entra na reta final. A quem interessa parar tudo agora? O Brasil precisa saber toda a verdade. E tudo indica que vem muito mais bomba por aí!”, complementou.

Guerra no STF

O ministro André Mendonça havia determinado o afastamento de Andrei Rodrigues em um contexto de divergência com Moraes no STF.

Mendonça foi indicado por Jair Bolsonaro para a Corte. Já Moraes teve atuação de destaque nos últimos anos em investigações sobre ações golpistas que resultaram na condenação de Jair Bolsonaro e vários de seus aliados.

No último dia 1, André Mendonça tornou públicos alguns materiais produzidos pela PF que incluem referências a mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. Apesar da exposição das informações, Moraes não figura formalmente como investigado no caso.

Entre os documentos divulgados está material relacionado ao contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório Barci de Moraes, pertencente à advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes.

Os registros também fazem referência à emissão de cartões de crédito do Banco Master destinados a filhos do ministro, com limites que chegariam a R$ 300 mil. Conforme as mensagens citadas no material, a solicitação teria partido do administrador do escritório Barci de Moraes e sido encaminhada diretamente a Vorcaro, que autorizou o pedido.

O escritório confirmou que os cartões foram emitidos, mas sustentou que nenhum deles chegou a ser utilizado.

A divulgação desse conjunto de informações foi seguida por uma reação de Moraes. Na quinta-feira (3), o ministro encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, relatórios da Polícia Federal que, segundo os documentos, apontariam “fortes indícios” de irregularidades atribuídas a Mendonça na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero.

A medida foi adotada no âmbito do Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news. Moraes também determinou a retirada do sigilo tanto de sua decisão quanto dos documentos mencionados e ordenou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) fosse formalmente comunicada sobre o conteúdo.

A escalada prosseguiu após a iniciativa de Moraes. Mendonça enviou a Fachin um pedido para que Alexandre de Moraes seja afastado, em meio à repercussão das informações relacionadas ao Banco Master.

O embate passou, assim, a envolver decisões recíprocas dos dois ministros e levou à presidência do Supremo documentos e pedidos relacionados à atuação de ambos em diferentes investigações.

Dark Horse

O Grupo Entre repassou pelo menos R$ 10 milhões para o Havengate Development Fund (EUA). O responsável pela gestão do fundo é Paulo Calixto, advogado do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, condenado a quatro anos de prisão por ministros do STF por coação judicial (tentativa de interferência no inquérito da trama golpista). 

Documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) também indicaram que Vorcaro  realizou em 16 de setembro de 2025 uma transferência de US$ 1.666.667 ao Havengate Development Fund (EUA), entidade responsável por administrar recursos destinados à produção de Dark Horse.

A informação foi publicada pela revista Piauí e diverge da versão apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República. Ele havia declarado que Vorcaro deixara de contribuir financeiramente com o projeto em maio de 2025.

O registro identificado pelo Coaf mostra, porém, que houve uma nova remessa quatro meses depois do período citado pelo senador. A movimentação ocorreu ainda oito dias após Flávio Bolsonaro ter enviado uma mensagem ao banqueiro cobrando parcelas que estariam atrasadas.

Com esse pagamento adicional, o total de recursos enviados por Vorcaro para a produção teria subido de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões. Pela cotação vigente à época, o montante ultrapassava R$ 65 milhões. Investigadores ainda apuram outra transferência, também avaliada em cerca de US$ 1,6 milhão, que teria aumentado os repasses para cerca de R$ 72 milhões. 

O Havengate Development Fund era a estrutura financeira utilizada para concentrar os valores vinculados ao longa, apresentado como um retrato biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Fonte: Brasil 247

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