Votos brancos e nulos podem abrir caminho para virada de Lula, avalia diretor da Quaest

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode encontrar entre os eleitores que votaram em branco ou anularam o voto no primeiro turno uma oportunidade para reverter a disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Essa é a avaliação do diretor da Quaest, Felipe Nunes, em artigo publicado no blog Pulso, do jornal O Globo. Para o pesquisador, a conversão desses votos em escolhas válidas merece atenção na reta final de uma eleição que permanece aberta.

A análise identifica três movimentos capazes de influenciar o resultado: a transferência direta de votos entre os finalistas, a escolha dos eleitores de candidatos eliminados e o comportamento de quem não compareceu às urnas ou votou em branco ou nulo. Nunes considera que os dois primeiros apresentam estabilidade e concentra na terceira frente a principal possibilidade de mudança no equilíbrio eleitoral.

“A mudança pode vir do outro componente da alienação: os votos brancos e nulos”, escreve o diretor da Quaest.

Segundo os números apresentados no artigo, as simulações de segundo turno do instituto registram empate técnico desde setembro. Com nível de confiança de 95%, a estimativa situa Flávio entre 43% e 47% das intenções de voto e Lula entre 42% e 46%. A sobreposição desses intervalos mantém indefinido o desfecho da eleição.

Entre os entrevistados que afirmam ter faltado à votação ou escolhido branco ou nulo no primeiro turno, 40% dizem que votarão em Lula na etapa decisiva, enquanto 36% declaram preferência por Flávio. Esses percentuais se referem ao conjunto dos três grupos, sem uma separação, no texto, entre ausentes e eleitores que compareceram, mas não escolheram um candidato.

Nunes observa que o perfil de quem menos participa das eleições reúne características mais próximas do eleitorado lulista, como menor escolaridade, idade mais elevada e predominância feminina. Ainda assim, ele considera pouco provável que uma queda da abstenção, por si só, tenha dimensão suficiente para determinar uma virada.

“Pouca gente — eu incluído — acredita que a abstenção cairá o suficiente para produzir uma virada”, afirma.

A referência utilizada pelo pesquisador é a eleição de 2014, quando Dilma Rousseff (PT) superou Aécio Neves (PSDB) após começar o segundo turno em desvantagem nas pesquisas. Naquela disputa, segundo os dados citados no artigo, a abstenção aumentou em quase 2,4 milhões de eleitores entre as duas etapas, mas os votos brancos e nulos diminuíram em aproximadamente 4 milhões.

Com esses movimentos, o total de votos válidos cresceu cerca de 1,5 milhão no segundo turno. Na interpretação de Nunes, a conquista de pessoas que haviam votado em branco ou nulo contribuiu para a vitória de Dilma e representa um caminho que pode ampliar as chances de Lula em 2026.

A troca direta de votos entre os finalistas, por sua vez, não apresenta movimentação expressiva no levantamento analisado. Lula mantém 95% dos eleitores que o escolheram no primeiro turno, e Flávio conserva 94%. O saldo das transferências entre os dois é próximo de zero.

Esse tipo de mudança tem efeito duplo sobre a distância entre os concorrentes: quando um eleitor troca de candidato, um perde um voto e o outro ganha. Nunes lembra que, em 2022, pesquisas da Quaest identificaram a migração para Jair Bolsonaro (PL), no segundo turno, de cerca de 2% dos eleitores que haviam escolhido Lula na primeira etapa. Segundo ele, não há sinal de movimento significativo semelhante neste ano.

Já entre os eleitores de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), Flávio recebe 43% das intenções de voto, contra 37% de Lula. Para o diretor da Quaest, o levantamento não indica uma alteração expressiva dessa distribuição na última semana.

“Não é nesse grupo que vejo a principal possibilidade de Lula alterar o equilíbrio da disputa”, avalia.

Nunes contrapõe os desfechos de 2014 e 2022 para mostrar que a posição inicial nas pesquisas não determina, isoladamente, o resultado. Dilma conseguiu a virada; Jair Bolsonaro, que também começou o segundo turno atrás, terminou derrotado. Para a disputa de 2026, o pesquisador aponta o acompanhamento dos três fluxos eleitorais na pesquisa de sábado como elemento para avaliar se haverá mudança suficiente para romper o equilíbrio entre Lula e Flávio.

Fonte: Brasil 247

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