Flávio Bolsonaro recebeu Rolex de lobista da Covaxin ao lado de 3 garotas de programa em lancha, na pandemia, diz site

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Por Daniel Levi — Combate Racismo Ambiental

Flávio Bolsonaro recebeu Rolex de lobista da Covaxin ao lado de 3 garotas de programa em lancha, na pandemia, diz site

Reportagem da revista Piauí reconstituí passeio no Lago Paranoá em julho de 2020 com empresários da Precisa Medicamentos, que negociavam a vacina indiana, enquanto o Brasil registrava mais de mil mortes diárias por Covid-19

Urbs Magna

Em julho de 2020, enquanto o Brasil registrava mais de mil mortes diárias por Covid-19, o então senador Flávio Bolsonaro participou de um passeio de lancha no Lago Paranoá, em Brasília, organizado por empresários da Precisa Medicamentos que negociavam a venda da vacina indiana Covaxin ao governo federal. Segundo reconstituição publicada nesta quarta-feira (21/out) pela revista Piauí, três garotas de programa trazidas de São Paulo estavam a bordo e, ao final do evento, o diretor institucional da empresa, Danilo Berndt Trento, retirou um relógio Rolex de pulseira prateada do próprio pulso e o colocou no braço do parlamentar.

A reportagem “Uma tarde no lago”, assinada por Ana Clara Costa, Breno Pires e João Batista Jr., descreve a chegada do grupo a Brasília na noite de 16 de julho de 2020 em um jato executivo Embraer Phenom 300 (prefixo PR-SAD). No dia seguinte, por volta das 10h30, a lancha de cerca de 20 metros foi abastecida com bebidas e petiscos. Participaram do passeio Danilo Trento, Francisco Maximiano (proprietário da Precisa), o agente de viagens Raphael Barão, Alexandre Santini (então sócio de Flávio Bolsonaro em franquia da Kopenhagen) e as três mulheres. O grupo fez uma parada no restaurante flutuante Alô Grau, com despesa de R$ 1.949 paga por Barão. O passeio terminou por volta das 15 horas.

O QUE A PIAUÍ RECONSTITUIU SOBRE O ROLEX E O PASSEIO?

Segundo a revista, com o barco já atracado, Trento presenteou Flávio Bolsonaro com o Rolex. O senador deixou a embarcação usando o relógio. A reconstituição baseou-se em conversa com uma pessoa que estava na lancha (sob condição de anonimato), cruzamento de quebras de sigilo de Barão, Maximiano e Trento enviadas às CPIs da Pandemia, do INSS e do Crime Organizado, além de depoimentos de pilotos, assessores e outras fontes. Até o fechamento da reportagem, Flávio Bolsonaro não havia se manifestado. Danilo Trento interrompeu a comunicação com a revista após receber detalhes sobre os voos, o passeio e o relógio.

IMPORTANTE: A reportagem da Piauí descreve um presente de Rolex de pulseira prateada entregue por Danilo Trento no dia do passeio de 17 de julho de 2020. Trata-se de episódio distinto de outro Rolex (modelo Submariner Date avaliado em cerca de R$ 305 mil) mencionado em reportagem do PlatôBR de setembro de 2026, atribuído ao advogado Alan Belaciano. As fontes não confirmam que se trata do mesmo relógio.

QUAL O CONTEXTO DA PRECISA MEDICAMENTOS E DA COVAXIN?

A Precisa Medicamentos atuava como intermediária da indiana Bharat Biotech no Brasil. Em 2021, a empresa e seus dirigentes, incluindo Francisco Maximiano e a diretora Emanuela Medrades, foram alvos da CPI da Pandemia após denúncias de irregularidades no contrato de aproximadamente R$ 1,6 bilhão para 20 milhões de doses da Covaxin. O contrato foi suspenso e cancelado; nenhuma dose foi entregue e nenhum pagamento foi realizado. Relatórios do Coaf e da Receita Federal apontaram movimentações atípicas. A Polícia Federal realizou buscas na sede da empresa em Barueri (SP) a pedido da CPI. Maximiano permaneceu em silêncio em depoimento, amparado por habeas corpus do STF, conforme o g1.

Na CPI, Flávio Bolsonaro defendeu a Precisa e afirmou que se tratava de um caso em que “não tem um real que foi pago”. A comissão recomendou indiciamentos, incluindo o do senador. Em outubro de 2020, Flávio intermediou contato virtual entre Maximiano e o então presidente do BNDES, Gustavo Montezano, para discutir financiamento em telecomunicações, sem que houvesse contratação.

QUAIS OS DESDOBRAMENTOS E A ANÁLISE?

A análise aponta que o episódio descrito pela Piauí ocorre no mesmo período em que o governo federal enfrentava críticas por atraso na compra de vacinas e por negociações com preços elevados. O contrato da Covaxin previa cerca de R$ 80 por dose, valor superior a ofertas de Pfizer (cerca de R$ 56 por dose) e AstraZeneca (cerca de R$ 18) na época. A presença de garotas de programa e a entrega de presente de luxo a um senador filho do então presidente, em meio a mais de mil mortes diárias, reforça o debate sobre a distância entre o discurso oficial de combate à pandemia e as práticas de aproximação com empresários interessados em contratos públicos.

O mesmo círculo de relações já havia sido objeto de reportagem do PlatôBR em setembro de 2026, que descreveu mensagens de Alexandre Santini organizando encontros com garotas de programa e a compra de outro Rolex por Alan Belaciano. Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência no segundo turno de 2026, não se manifestou publicamente sobre as novas revelações da Piauí até o momento desta publicação.

FAQ Rápido

O Rolex foi entregue durante o passeio de lancha?
Sim, segundo a reconstituição da revista Piauí, Danilo Trento colocou o relógio de pulseira prateada no pulso de Flávio Bolsonaro ao final do passeio, por volta das 15 horas de 17 de julho de 2020.

A Precisa Medicamentos chegou a vender doses da Covaxin?
Não. O contrato de R$ 1,6 bilhão foi suspenso e cancelado após denúncias de irregularidades. Nenhuma dose foi entregue e nenhum pagamento foi efetuado.

Flávio Bolsonaro se pronunciou sobre a reportagem da Piauí?
Até o fechamento desta matéria, não havia manifestação pública do senador sobre o conteúdo da reportagem.

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Fonte: Combate Racismo Ambiental

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