Motorista que matou tio de Boulos diz ter provocado acidente “por pirraça”
Por Laís Gouveia — Brasil 247
247 – O motorista acusado de atropelar e matar Carlos Boulos, tio do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSol), afirmou à Polícia Civil que provocou uma colisão de trânsito “por pirraça”, depois de se irritar com as buzinas da vítima. O episódio ocorreu em 3 de outubro, na Avenida 23 de Maio, no centro de São Paulo, e terminou com a morte de Carlos três dias depois, em consequência dos ferimentos sofridos no atropelamento.
Segundo reportagem do Metrópoles, publicada nesta quarta-feira (21), o depoimento de Amilton Jusselino Rodrigues consta de uma decisão da 3ª Vara do Júri do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), proferida na segunda-feira (19). O motorista foi denunciado por homicídio doloso qualificado, por motivo fútil, mas permanece em liberdade após a Justiça rejeitar o pedido de prisão preventiva apresentado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).
De acordo com as informações reunidas na investigação, Carlos Boulos dirigia pela Avenida 23 de Maio quando começou a buzinar repetidamente para o veículo conduzido por Amilton. Incomodado, o investigado decidiu frear bruscamente em uma via de trânsito rápido, provocando uma colisão entre os automóveis.
O comportamento foi descrito no documento judicial com base no relato prestado pelo próprio motorista à polícia. Conforme o trecho reproduzido na decisão, “ele brecou seu veículo em avenida de trânsito rápido (23 de Maio), para ‘pirraçar’”.
Depois da batida, houve um desentendimento entre os envolvidos. Carlos desceu de sua caminhonete para confrontar o outro condutor, momento em que foi atingido pelo veículo dirigido por Amilton.
Segundo a investigação, o motorista acelerou, atropelou a vítima e deixou o local sem prestar socorro.
Carlos foi encaminhado ao hospital em estado grave, mas morreu em 6 de outubro, após três dias de internação.
Justiça recebe denúncia por homicídio qualificado
O juiz Daniel de Medeiros Silva Corró, da 3ª Vara do Júri do TJSP, recebeu a denúncia do Ministério Público contra Amilton Jusselino Rodrigues por homicídio doloso qualificado, com a imputação de motivo fútil.
A acusação considera as circunstâncias da discussão de trânsito e a conduta atribuída ao motorista antes do atropelamento. A denúncia aponta que o episódio teria sido desencadeado por um desentendimento relacionado às buzinas.
Apesar de aceitar a acusação formal, o magistrado rejeitou a solicitação do Ministério Público para decretar a prisão preventiva do investigado.
Na avaliação do juiz, a imposição de medidas cautelares seria suficiente para acompanhar o acusado durante o andamento do processo, sem necessidade de mantê-lo preso neste momento.
A decisão não representa absolvição nem julgamento definitivo sobre a responsabilidade criminal de Amilton, que continuará respondendo à acusação na Justiça.
Motorista terá habilitação suspensa e deverá cumprir restrições
Como alternativa à prisão preventiva, a Justiça estabeleceu uma série de obrigações que deverão ser respeitadas pelo investigado.
Entre elas está o comparecimento mensal ao Judiciário para informar suas atividades e confirmar o endereço residencial.
O motorista também ficou proibido de mudar de residência sem autorização judicial expressa ou de permanecer afastado de seu domicílio por mais de oito dias sem permissão prévia.
Outra medida determinada pelo magistrado foi a suspensão da habilitação de Amilton, impedindo-o de conduzir veículos enquanto a restrição estiver em vigor.
O investigado já havia prestado depoimento à Polícia Civil, mas não foi preso naquele momento porque o período legal de flagrante havia terminado.
As autoridades também consideraram as restrições previstas no artigo 236 do Código Eleitoral, que estabelece limitações à prisão de eleitores nos cinco dias anteriores à votação e nas 48 horas posteriores ao encerramento do pleito.
A legislação prevê exceções para situações de flagrante delito, desrespeito a salvo-conduto e cumprimento de sentença condenatória nos termos legais.
Vídeo registrou atropelamento na Avenida 23 de Maio
Imagens divulgadas pelo Metrópoles mostram parte da sequência que terminou na morte de Carlos Boulos.
Na gravação, a vítima aparece na via tentando interromper a passagem de um automóvel branco. Em seguida, o veículo avança e a atinge.
De acordo com informações da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), testemunhas relataram que os dois motoristas haviam discutido após uma colisão.
O vídeo e os depoimentos colhidos durante a investigação integram os elementos utilizados para esclarecer as circunstâncias do atropelamento.
Guilherme Boulos lamentou morte do tio
Após a morte de Carlos, o ministro Guilherme Boulos publicou uma homenagem nas redes sociais, na qual manifestou pesar e classificou o episódio como uma violência inexplicável.
“Meu tio Carlos era uma das pessoas mais generosas com quem convivi. Uma alma única. É desolador o que ocorreu. Partiu vítima de uma violência humanamente inexplicável. Vá em paz, meu velho! Te amamos muito!”, escreveu o ministro.
Com o recebimento da denúncia pela Justiça, Amilton Jusselino Rodrigues passa a responder formalmente ao processo criminal por homicídio qualificado. Ele permanecerá em liberdade enquanto cumprir as medidas cautelares impostas, salvo eventual nova decisão judicial.
Fonte: Brasil 247