“O homem por trás de Pazolini”: vitórias como articulador; revés como candidato
A Gazeta
Redes Sociais
Esqueci minha senha
Acesse aqui
Acesse aqui
Publicado em 21 de Outubro de 2026 às 05:00
Públicado em
Colunista
Presidente estadual do Republicanos, o ex-presidente da
Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) é, notoriamente, o homem de
confiança de Lorenzo Pazolini, encarregando-se pessoalmente do trabalho de
articulação política em nome do ex-prefeito de Vitória e candidato a governador.
A proximidade política se traduz em proximidade física: comumente visto ao lado
ou um passo atrás de Pazolini, Erick já foi descrito aqui como o “homem por
trás de Pazolini” e “o homem que tem os ouvidos” do candidato do Republicanos.
> Clique aqui e receba em primeira mão a Coluna Vitor Vogas pelo Whatsapp
O caso específico de Erick Musso é um dos mais interessantes
desta eleição. Como articulador político, ele acumulou algumas vitórias no
primeiro turno, realizado no último dia 4. Já como candidato, o presidente
estadual do Republicanos não teve o mesmo sucesso atingido como articulador
político.
Os dois maiores triunfos de Erick se deram nas eleições
majoritárias. Filiado ao Republicanos por ele, Evair de Melo elegeu-se senador
como o segundo mais votado (e por muito pouco não teve mais votos até que
Renato Casagrande).
Além disso, é claro, o próprio Pazolini, com 49,65% dos
votos válidos, por muito pouco não venceu a eleição para governador no primeiro
turno e, agora, é matematicamente o favorito para o Palácio Anchieta no segundo
turno.
Já nas eleições proporcionais, o próprio Erick não conseguiu
se eleger deputado federal, quatro anos após ter perdido a eleição para o
Senado. Está sem mandato desde fevereiro de 2023 e assim seguirá por pelo menos
mais dois anos.
Além disso, é preciso pontuar que, no Espírito Santo, o
resultado do Republicanos foi pior que em 2022 na Câmara dos Deputados e na
Assembleia Legislativa.
Em 2022, o partido conservador ligado à Igreja Universal do
Reino de Deus fez dois federais no Estado: Messias Donato e Amaro Neto. Desta
vez, só um: Coronel Ramalho, que teve 60.085 votos. Apoiado pessoalmente por
Pazolini e pela prefeita de Vitória, Cris Samorini (PP), Erick teve 53.726 votos e ficou como suplente.
Há quatro anos, a legenda fez quatro deputados
estaduais no Espírito Santo (muito em função do puxador de votos, Sérgio
Meneguelli). Neste pleito, foram apenas dois: Pablo Muribeca (reeleito) e Davi
Esmael, hoje vereador de Vitória.
Pule de dez (em caso
de vitória)
Sem mandato, Erick é pule de dez para compor a equipe de
governo de Pazolini, em caso de vitória do candidato a governador do Republicanos
no próximo domingo (25): chefe da Casa Civil, secretário estadual de Governo ou
outra função diretamente relacionada à articulação política.
Bases de Da Vitória
vão para Pazolini
Como expliquei aqui na última sexta-feira (16), o deputado federal Josias da Vitória (PP), reeleito
para um terceiro mandato seguido na Câmara, retirou seu apoio pessoal a Ricardo
Ferraço e liberou a militância estadual do PP no segundo turno… para tomar o
sentido contrário.
Da Vitória é o presidente estadual do partido e da Federação
União Progressista (composta pelo PP e pelo União Brasil). A federação está na coligação de Ricardo, apoiado por Da Vitória no primeiro turno.
O deputado ficou muito aborrecido com o comportamento de
Renato Casagrande (PSB) na campanha do primeiro turno, entendendo que o
ex-governador teria mantido uma “condução política muito violenta” contra ele,
agindo pessoalmente para levar apoiadores dele para outros candidatos a
federal. Esse seria o principal motivo da deserção no segundo turno.
O time de Casagrande nega isso. Fala em “desculpa
esfarrapada” para justificar uma “traição” e uma “atrocidade”.
Mulher de Da Vitória
na campanha de Pazolini
Da Vitória não entrou pessoalmente na campanha de Pazolini.
Mas – obviamente, por influência dele – sua base na Região Noroeste foi quase toda
para a campanha do republicano, incluindo a própria esposa dele, Luciana
Tozato. A mulher de Da Vitória fez o seguinte post:
Nesta quarta-feira (20), a senhora Da Vitória publicou nos stories um vídeo em que participa de adesivaço
de Pazolini em Vitória, com o jingle dele soando ao fundo.
Exemplo de mudança de
lado no PP
Um exemplo de como grande parte da base de Da Vitória se
transferiu para a campanha de Pazolini é Doutor Sidiclei, prefeito de Pancas
por dois mandatos, de 2017 a 2024. O ex-prefeito foi lançado na política por Da
Vitória, tem o deputado como líder e lhe é muito leal. Entrou na política pelo
PDT e se elegeu prefeito pelo então partido de Da Vitória. Em 2023, com Da
Vitória assumindo a presidência estadual do PP, Sidiclei entrou na sigla.
Nesta eleição, o ex-prefeito foi candidato a deputado
estadual, com quase 7 mil votos. No primeiro turno, apoiou Ricardo Ferraço. Agora,
seguindo a nova orientação de Da Vitória, passou a apoiar Pazolini e redirecionou
toda a sua base na região (Pancas e adjacências) para trabalhar pelo candidato
do Republicanos.
“O Da Vitória e o Marcelo Santos tiveram problemas com a
campanha do Ricardo. E estou acompanhando o novo posicionamento do meu líder”,
explica Sidiclei, que é médico efetivo do Estado.
Voto Lulaço: um
prefeito do ES que vota em Lula e Ricardo Ferraço
Já o posicionamento do atual prefeito de Pancas, Guima,
comprova duas coisas: como o PP hoje está dividido e como existe realmente o
voto Lulaço (Lula e Ricardo Ferraço), inclusive entre líderes locais.
Filiado ao PP, Guima não fez campanha para Da Vitória para
federal. Seu candidato foi Eustáquio de Freitas (PSB), não eleito. À coluna, o
prefeito afirma: “Apoio e sempre apoiei Lula para presidente. Para governador,
sou Ricardo Ferraço”.
Gilson Daniel de
cabeça na campanha de Ricardo
O caso do Podemos é diferente do PP e do União Brasil, cujos
líderes estaduais (Da Vitória e Marcelo Santos) se retiraram da campanha de
Ricardo.
O Podemos também faz parte da coligação liderada por
Ricardo. Mesmo assim, no início do segundo turno, a direção nacional do
partido, representada por Renata Abreu, declarou apoio a Pazolini: uma mudança
de lado, de cima para baixo.
Desde o primeiro momento, o prefeito de Viana, Wanderson
Bueno, protestou contra a decisão da nacional, classificando-a como uma “interferência
abrupta e sem sentido”. De tão indignado, cogita até sair do Podemos após o
pleito. Secretário-geral do partido no Espírito Santo, Wanderson coordenou a
campanha de Ricardo no primeiro turno.
E quanto ao presidente estadual do Podemos, Gilson Daniel? O
deputado afirmou desde o primeiro momento que a decisão da nacional foi tomada
à sua revelia e postou a defesa do voto RicaNaro.
Na última segunda-feira (19), Gilson foi além. Numa atitude
que não deixa dúvida quanto ao seu lado no segundo turno, participou com
Wanderson Bueno de atividade de campanha de Ricardo: uma carreata pelas ruas de
Viana, postada pelo candidato.
Banestes retira
patrocínio a festa de servidores, diz Assembleia
Enquanto isso, em possível contragolpe político, a Assembleia Legislativa do Espírito Santo, presidida por Marcelo Santos, sofreu a retirada de outro tipo de apoio: o financeiro.
Como publicamos aqui na última quarta-feira (14), a exemplo
de Da Vitória, Marcelo liberou seu grupo político e os dirigentes municipais do
União Brasil, presidido por ele no Estado, que agora foram em grande parte para
o lado de Pazolini.
No último dia 13, Marcelo também bancou a PEC das Emendas
Impositivas, à revelia do governo Ricardo Ferraço.
Após a guinda de Marcelo, a assessoria da Assembleia
confirma que o Banestes, banco público controlado pelo Governo do Estado,
retirou patrocínio, inicialmente combinado, para ajudar a custear a tradicional
festa anual oferecida aos servidores da Casa.
A festa ocorreria no Clube Álvares Cabral, na próxima
segunda-feira (26), para celebrar o Dia do Servidor, que cairá dois dias depois
(28).
Nesta terça-feira (19), Marcelo comunicou aos servidores, em
reunião à entrada do plenário, que desta vez não haverá a confraternização,
segundo ele, porque o Banestes recuou da decisão de patrocinar a festa.
A folha de pagamento da Assembleia está no Banestes, que tem
agência na sede da Casa.
Entrei em contato com a assessoria do Banestes na noite
desta terça-feira (19), sem sucesso, para ouvir e registrar o posicionamento do
banco. O espaço segue aberto para isso, se houver resposta.
Leia mais colunas de Vitor Vogas
Vitor Vogas
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.
Tópicos Relacionados
Notou
alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a
corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua
mensagem
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta
A Gazeta integra o
Privacidade e segurança
Privacidade e segurança
© 1996 – 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados
Fonte: A Gazeta