Flávio Bolsonaro apaga ataques ao Bolsa Família das redes sociais
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apagou de sua conta no X publicações nas quais atacava o Bolsa Família e usava a expressão “bolsa-farelo” para se referir a programas sociais.
A exclusão foi identificada pelo Estadão e ocorre em meio à divulgação de propostas de sua campanha para manter o benefício e ampliar para dois anos uma regra de transição destinada a famílias que aumentem a renda.
Segundo o jornal, todas as postagens mencionadas em uma reportagem publicada em junho sobre o histórico de posicionamentos do candidato a respeito do Bolsa Família deixaram de estar disponíveis. Procurada pelo Estadão para explicar as exclusões, a campanha não havia respondido até a publicação da notícia.
O levantamento foi possível porque o veículo havia baixado, em junho, o conjunto de publicações de Flávio no X. O arquivo reúne textos, datas, horários e endereços das postagens originais, permitindo comparar os registros preservados com o conteúdo disponível na plataforma.
Quando foi questionado para a reportagem anterior, o senador negou ter mudado de posição sobre o programa. Nesta segunda-feira (19), publicou um vídeo no Instagram no qual afirmou que os beneficiários podem ficar “tranquilo” porque o “benefício está garantido”.
Postagens associavam o benefício à dependência eleitoral
Entre os conteúdos apagados está uma publicação de junho de 2013 na qual Flávio acusava o PT de explorar eleitoralmente o programa social. Na postagem, escreveu que o partido “perpetua a pobreza com o bolsa-farelo, mantendo as pessoas nessa dependência para não perder seus votos”.
Em 2014, ao fazer referência à comissão que investigava violações de direitos humanos durante a ditadura militar, publicou: “#ComissãoDaVerdadeDescobre que dinheiro cai do céu e ninguém precisa trabalhar dobrado para manter quem vive de bolsa família”. Esse registro também foi excluído.
Outra postagem daquele ano questionava o cálculo do desemprego no país e relacionava o recebimento de benefícios à ausência de procura por trabalho. “Os milhões que recebem bolsa-família ou auxílio-desemprego, não procuram emprego. Para o PT, estão empregados”, afirmou.
Já em 2011, ao criticar uma articulação entre o PT e a oposição para aprovar um reajuste do auxílio, Flávio classificou a iniciativa como “financiamento público de campanha do PT”. A publicação igualmente deixou de estar disponível.
Críticas também atingiram programa do Rio de Janeiro
A expressão “bolsa-farelo” também foi empregada pelo então deputado estadual contra o Renda Melhor, criado pelo governo do Rio de Janeiro em 2011. O programa previa um complemento de até R$ 300 para famílias que já recebiam o Bolsa Família, com o objetivo de combater a extrema pobreza.
Em 24 de novembro daquele ano, Flávio escreveu em resposta ao jornalista Ancelmo Gois: “Fui o único voto contra na @alerj ao projeto ‘Renda Melhor’, q chamei de “bolsa-farelo”, pelo seu caráter clientelista eleitoral”.
De acordo com o Estadão, o então parlamentar fez cinco publicações sobre a aprovação do projeto naquele mês e utilizou o apelido depreciativo em todas elas.
Nas mensagens, defendeu restringir a duração do pagamento. “Fiz emendas ao projeto, q foram rejeitadas, p/ limitar em 2 anos o tempo p/ a pessoa receber o ‘bolsa-farelo’”, registrou. Em seguida, acrescentou: “Se houvesse o limite de tempo p/ pessoa receber o ‘bolsa-farelo’ poderia até ser favorável…”.
Campanha apresenta proposta de transição de dois anos
O período de dois anos voltou à discussão nesta segunda-feira, agora associado a uma proposta apresentada pela coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, em entrevista à CBN Bahia.
Segundo ela, um eventual governo Flávio pretende adotar uma transição para beneficiários que abram um negócio ou aceitem emprego com carteira assinada, com possibilidade de retorno automático ao programa caso não consigam manter as oportunidades.
“As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família; aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada, e todo mundo merece sonhar com mais oportunidade, mais dignidade. É justamente nisso que a gente quer focar, esse é o coração do plano do Flávio”, declarou Marques.
Após a entrevista, perfis do PT e apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a afirmar nas redes sociais que a proposta previa retirar beneficiários do programa depois de dois anos.
Marques publicou então um vídeo para negar essa interpretação. Na explicação apresentada pela coordenadora, o prazo mencionado diz respeito à manutenção do benefício durante a transição após o aumento da renda familiar, e não a um limite geral de permanência no Bolsa Família. Flávio também reagiu e acusou a esquerda de divulgar uma mentira.
Ao comparar a proposta com as regras que atribuiu ao governo Lula, Marques afirmou: “A sua família hoje se aumentar a renda ou aceitar um emprego de carteira assinada, com o Lula mantém o Bolsa Família só por um ano. Com o Flávio, vai manter por dois anos. Com o Lula o retorno é em até 36 meses. Com o Flávio, seu retorno [ao programa] é automático”.
Fonte: Brasil 247