Li Yafang defende cooperação China-América Latina para fortalecer o Sul Global
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 — A cooperação entre a China e a América Latina e o Caribe deve abrir novos caminhos para a modernização do Sul Global, com respeito à diversidade das civilizações e fortalecimento do multilateralismo. Essa foi uma das principais mensagens de Li Yafang, subdiretora editorial do Grupo de Comunicação Internacional da China (CICG) e presidenta da Academia de Estudos sobre a China Contemporânea e o Mundo (ACCWS), durante o IX Fórum de Diálogo de Civilizações entre a China e a América Latina e o Caribe, realizado nesta segunda-feira (19), na Cidade do México.
Em sua intervenção, Li defendeu a aproximação entre governos, centros de pesquisa, meios de comunicação e instituições culturais para transformar o diálogo em cooperação concreta. O encontro também conta com a participação de Leonardo Attuch, presidente do Instituto Sul Global e fundador do Brasil 247, como um dos palestrantes.
“China e América Latina pertencem ao Sul Global”, afirmou Li, ao destacar que os dois lados compartilham necessidades de desenvolvimento e afinidades em suas concepções de cooperação internacional.
Modernização com diversidade e soberania
Li sustentou que chineses e latino-americanos devem praticar o verdadeiro multilateralismo, defender a justiça internacional e contribuir para a transformação da governança global. Sua fala associou essa agenda à construção de um mundo multipolar e à democratização das relações internacionais.
Para a dirigente, o intercâmbio de experiências permite explorar a diversidade dos caminhos de modernização em diferentes contextos civilizacionais. Entre os campos de diálogo, mencionou concepções de desenvolvimento, políticas industriais e práticas de redução da pobreza.
A presidenta da ACCWS também destacou as atividades promovidas pela instituição para aproximar diplomatas, pesquisadores e representantes da imprensa latino-americana em torno de experiências de governança e aprendizado mútuo.
Tecnologia e educação como prioridades
No campo econômico, Li ressaltou a importância de alinhar estratégias de desenvolvimento e aprofundar a cooperação em infraestrutura, agricultura, alimentos e energia. Também apontou oportunidades em setores como energia limpa, comunicações 5G, economia digital e inteligência artificial.
“A chave está na cooperação pragmática, no benefício mútuo e nos ganhos compartilhados”, afirmou.
A programação do fórum reflete essas prioridades, com debates sobre cooperação digital e modernização do Sul Global, além de educação e construção de sistemas autônomos de conhecimento. A perspectiva apresentada por Li conecta a transformação tecnológica à capacidade dos países de produzir conhecimento e definir seus próprios caminhos de desenvolvimento.
Literatura e juventude aproximam as sociedades
A dirigente também destacou a tradução e a circulação de obras como instrumentos de aproximação entre os povos. Citou iniciativas que levaram ao público chinês livros de autores latino-americanos, como Rubén Darío e Darcy Ribeiro, e projetos para ampliar o acesso à literatura chinesa na América Latina, incluindo obras de Ba Jin.
Li mencionou ainda a publicação das edições em espanhol e português de Xi Jinping: a governança da China e a participação de jovens latino-americanos em iniciativas de intercâmbio ligadas à região da Ásia-Pacífico.
Ao encerrar, reafirmou a disposição do CICG de aprofundar a cooperação institucional com governos, centros de pesquisa, veículos de comunicação e editoras da América Latina. O objetivo, afirmou, é fortalecer a amizade, construir pontes entre civilizações e contribuir com propostas para a união e a cooperação do Sul Global.
Fonte: Brasil 247