Protestos na Europa exigem combate à carestia e mais recursos para Educação

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Por Hora do Povo — Hora do Povo

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Manifestações de estudantes e trabalhadores crescem na França, Itália, Espanha e Albânia

Vários países europeus vêm sendo sacudidos, há dias e até semanas, por protestos em massa que incluem diferentes setores da população. O forte descontentamento social não para de crescer, mantendo os manifestantes nas ruas, decididos a não abrir mão de suas exigências que envolvem melhoras no sistema educacional, no alto custo de vida, a má qualidade dos serviços públicos e contra a corrupção.

FRANÇA

Desde meados de setembro, a França vive uma onda de protestos de estudantes do ensino médio contra a falta de professores, a superlotação das salas de aula e a deterioração de diversas instituições de ensino que se espalharam por todo o país e, em vários locais, resultaram em violência e repressão policial.

A grande maioria das universidades e escolas de ensino médio permanece bloqueada ou fechada devido aos protestos, e as manifestações estudantis transformaram-se rapidamente em um movimento de abrangência nacional contra a desigualdade e o baixo nível de gastos públicos.

Neste sábado (17), mais de 800 mil pessoas foram às ruas protestar por toda a França, em uma mobilização que reuniu estudantes, sindicalistas e remanescentes do movimento dos “Coletes Amarelos” contra o alto custo de vida e a deterioração do modelo social do país. Uma fonte próxima ao Ministério do Interior francês afirmou que foram realizadas 500 ações em todo o país, além de cerca de 90 manifestações.

ITÁLIA

Milhares de estudantes foram às ruas na Itália, nesta sexta-feira (16), para protestar contra o governo liderado pela primeira-ministra Giorgia Meloni, no que chamaram de “O dia do não a Meloni”.

Os estudantes reivindicaram melhorias nas condições educacionais, mas também incluíram em sua pauta de demandas o alto custo de vida e o questionamento de um decreto polêmico que limita o número de estudantes estrangeiros. O lema deles foi: “Dinheiro para as escolas, não

para a guerra”, o que constitui uma crítica ao crescente gasto militar do governo que atingiu um recorde histórico de US$ 48,14 bilhões em 2025, de acordo com dados do Trading Economics, colocando o país na 12ª posição no ranking mundial de despesas teoricamente de defesa.

Os manifestantes alertaram que, “se as coisas não mudarem, acontecerá o mesmo que na França”>

ESPANHA

Na Espanha, o caso de Maricarmen Abascal — uma idosa de 87 anos que foi despejada, em Madri, do apartamento onde viveu por mais de 70 anos e que acabou morrendo sem conseguir retornar à sua casa — foi o estopim que reuniu milhares de pessoas nas ruas do país.

O despejo dela desencadeou protestos em frente ao imóvel, que posteriormente se espalharam por outros pontos da capital espanhola, como a Puerta del Sol, a Plaza Cibeles e os arredores do Congresso, onde chegaram a ocorrer acampamentos. Além disso, manifestações aconteceram em outras cidades, incluindo Barcelona, Valência, Sevilha e La Coruña.

O Sindicato de Inquilinos e Inquilinas alertou que não encerraria a mobilização nas ruas, sob o lema “Nem mais uma Maricarmen”. O caso acendeu “uma faísca” na luta pelo direito à moradia digna — um direito previsto na Constituição espanhola, mas violado por uma crise habitacional marcada pela especulação.

ALBÂNIA

Na Albânia também aconteceram protestos contra a corrupção e os altos custos da educação. Inicialmente, as manifestações começaram com exigências por melhores condições de estudo nas universidades, redução dos custos da educação e maior apoio financeiro aos estudantes. No entanto, em pouco tempo se transformaram em protestos generalizados contra o governo do primeiro-ministro Edi Rama, a corrupção, a desigualdade social e a falta de oportunidades de trabalho.

Nesta quarta-feira (14), dezenas de milhares de estudantes foram às ruas da capital Tirana para exigir seus direitos — uma ação que resultou em incêndios provocados e confrontos com a polícia. Os manifestantes atearam fogo ao prédio do Ministério da Educação, afirmando tratar-se de “uma revolução”. “Não vamos parar até que Rama renuncie”, declarou uma das estudantes.

No ápice do movimento, conhecido popularmente como “Revolução dos Flamingos”, as estimativas da mídia local chegaram a apontar manifestações históricas com mais de 250.000 participantes.

A faísca inicial acendeu-se no começo de 2026 contra um megaprojeto turístico de luxo nas áreas preservadas de Vjosa-Narta e na ilha de Sazan, idealizado por Jared Kushner e Ivanka Trump (genro e filha do presidente dos EUA, Donald Trump). O receio de um impacto ecológico sobre as aves migratórias deu nome ao movimento.

O descontentamento ambiental rapidamente converteu-se em uma revolta sistêmica. Em meados deste mês de outubro, milhares de estudantes secundaristas e universitários juntaram-se em massa para protestar contra o alto custo das mensalidades, a precariedade das universidades, a corrupção generalizada e a falta de empregos para os jovens.

“A juventude despertou também por nossos pais. A indiferença e a arrogância são intoleráveis. Não pedimos privilégios. Reivindicamos nossos direitos, nosso futuro e um país melhor”, afirmou à AFP Sinan Billa, estudante de Jornalismo e um dos participantes dos protestos.

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Fonte: Hora do Povo

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