Zudizilla apresenta “Quintessência”, seu quinto álbum de estúdio que mescla alquimia, liberdade e identidade negra
Por SOM.VC — Mídia NINJA
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Novo trabalho do artista gaúcho reúne participações de nomes como Catto, Cristal, Vitor Ramil, Renato Borghetti, Kamau, Febem, Bruna Mendez e Luciana Mello em uma obra marcada por pesquisa, experimentação e uma sonoridade singular
Após construir uma trajetória marcada pela pesquisa estética e pela construção de universos conceituais próprios, Zudizilla apresenta “Quintessência”, seu quinto álbum de estúdio, que chega às plataformas digitais no dia 24 de setembro, às 21h. O projeto nasce a partir da simbologia do número cinco e de sua recorrência ao longo da caminhada do artista, transformando referências históricas, filosóficas e espirituais em uma narrativa musical profunda sobre liberdade, movimento e transformação — ouça aqui.
O conceito do álbum também se desdobra em uma narrativa audiovisual com “ÉTER”, filme dirigido por KVPA, que acompanha uma passagem simbólica entre processo, transformação e obra. Em uma galeria, bailarinos conduzem Zudizilla até o set onde nasce a capa do disco, fotografada por Thaís Vandanezi. Ao final, a imagem é contemplada por seu filho, Dayo, conectando criação e legado — veja aqui.
O próprio título “ÉTER” amplia a dimensão conceitual de “Quintessência”, ao fazer referência ao elemento associado à luz primordial e às referências históricas ligadas à Etiópia, símbolo de independência e resistência negra. Essa ideia se conecta ao conceito alquímico que inspira o álbum: alcançar, após cinco destilações, a substância mais pura de um elemento. Para Zudizilla, a simbologia do número cinco atravessa sua trajetória e abre espaço para novos territórios sonoros e discursivos.
“Quintessência mescla referências da alquimia, da Etiópia, da Renascença Negra e da Nação dos 5% para ser um grito de liberdade e identidade. É um disco que propõe novos caminhos para mim enquanto artista e que exige um olhar cuidadoso porque vai além das músicas”, comenta.
Ao reunir essas referências, “Quintessência” estabelece um diálogo entre alquimia, ancestralidade e cultura hip-hop, refletindo sobre consciência, autonomia, identidade e liberdade.
Musicalmente, o projeto representa um passo importante na busca de Zudizilla por uma assinatura sonora única. Pela primeira vez, a dinâmica de sua banda ocupa papel central dentro do estúdio, aproximando as gravações da energia, da improvisação e da intimidade presentes em seus shows ao vivo. O resultado é uma sonoridade que atravessa o rap, o jazz, o soul, o samba e ritmos tradicionais do sul do Brasil, especialmente influências da rota afro-açoriana do Rio Grande do Sul.
Além disso, as participações especiais surgem como peças fundamentais dessa construção. Nomes como Catto, Cristal, Vitor Ramil e Renato Borghetti ajudam a desenhar a geografia sonora do sul brasileiro, enquanto a presença do Maestro Bira e seu conjunto de cordas amplia as conexões com tradições eruditas presentes na raiz da cultura da música. Já Kamau, Febem, Bruna Mendez e Luciana Mello representam encontros artísticos e afetivos que Zudizilla desejava registrar há anos.
Zudizilla constrói “Quintessência” a partir da pesquisa, da escuta e da experimentação para chegar a um trabalho que amplia os horizontes criativos do rapper, ao mesmo tempo em que reafirma sua conexão com a música negra, a ancestralidade e os debates sobre liberdade e pertencimento.
“É o resultado de uma grande pesquisa que começa com o olhar para o céu azul de sol quente e termina com a reivindicação de liberdade de direito para a comunidade ampla, plural e afro”, finaliza.
Nas rimas de Zudizilla cabe o mundo. Nascido em Pelotas (RS), o rapper abre portas e rumos a cada nova produção arrojada e organicamente conectada às principais tendências sonoras do momento. Zudizilla flerta com o jazz e a cultura hip-hop em um misto de referências e ideais da música popular brasileira, acentuando de modo preciso sua obra com o aqui e agora, ainda que, para sua caneta, noções como passado, presente e futuro caibam todas num mesmo verso.
Além da música, o artista sempre traz um olhar afiado aos seus projetos, com diversas referências audiovisuais que personificam imageticamente suas rimas e canetadas. Zudizilla lançou mixtape, dois EPs e cinco discos, trazendo sempre curtas-metragens ligados à obra. Ao longo de quatro anos, a trilogia “Zulu” foi um projeto de grande destaque em sua carreira.
“Zulu Vol. 1: De Onde Eu Possa Alcançar o Céu Sem Deixar o Chão” (2019) é o pontapé para a reflexão racial sobre como o artista se encontra nessa luta em seus lugares de casa: Porto Alegre e São Paulo. Em 2022, “Zulu Vol. 2: De César a Cristo” chegou às plataformas e ao YouTube com dois curtas vinculados. Em 2023, ano em que recebeu o prêmio de Melhor Disco de 2022 pelo Prêmio Rap Brasil, encerra o projeto com o “Zulu Vol. 3: Quarta Parede”, que também conta com a mescla de música e cinema.
Em novembro de 2024, Zudizilla deu início à travessia de um caminho que tem como foco suas habilidades de produção musical. O lançamento do EP “Le Fauve”, assim como em uma vitrine, apresenta uma amostra das novas sonoridades que o artista pretende explorar após o encerramento da trilogia, carregando texturas, compassos e ritmos que traduzem o novo momento de sua carreira. Inspirado por elementos do Expressionismo e navegando pelo R&B, o projeto traz a colaboração de artistas como Soul Diggin, 808 Luke, B.Artz e Dcazz.
Multifacetado, para além da música, Zudizilla aprofundou sua relação com a moda na coleção “A VIDA ESTÁ NA ÁGUA”, parceria com a Ciclo Arte inspirada no álbum “Bom Mesmo é Estar Debaixo D’água Deluxe”, de Luedji Luna. Lançada em janeiro de 2024, a collab traz panôs, shorts, hot pants e t-shirts que mesclam inspirações oitentistas e atuais, referenciando as canções que compõem o disco. Reconhecido por nomes como Dod Alfaiataria — marca que o artista veste na capa de “Zulu Vol. 3: Quarta Parede” —, Zudizilla entende que esse universo é um atalho para compreender culturas e evidenciar tradições, buscando fugir de um sistema que cada vez mais reprime personalidades e nos torna homogêneos.
Entre as parcerias de destaque, Zudizilla já lançou com grandes nomes como Luedji Luna, Emicida, Jonathan Ferr, Melly, Tuyo e o duo YOÙN. Em 2025, o rapper subiu pela primeira vez ao palco do Lollapalooza, levando um público engajado e entusiasmado a conhecer o universo denso do jazz mesclado ao hip-hop, além de suas habilidades enquanto letrista do rap mais clássico.
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Fonte: Mídia NINJA