Zucco prepara transição com Leite e aposta em modelo de educação criticado por entidades
Por Redação — Brasil de Fato
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O governador eleito Luciano Zucco (PL) se reunirá com Eduardo Leite (PSD) nesta sexta-feira (9), às 9h, no Palácio Piratini, em Porto Alegre, para iniciar formalmente a transição de governo. Enquanto organiza a equipe, Zucco encaminha a escolha para a Educação com o modelo paranaense como referência e a promessa de ampliar escolas cívico-militares, proposta criticada por entidades do setor.
A composição da equipe de transição já dá indícios do que esperar do próximo governo. Será coordenada por Leonardo Pascoal, ex-prefeito de Esteio e secretário de Educação de Porto Alegre, e contará também com Cezar Schirmer, secretário de Planejamento da Capital, ex-prefeito de Santa Maria e ex-secretário estadual de Segurança Pública.
Pascoal participa da implementação da parceria público-privada (PPP) Escola Bem-Cuidada, que transfere à iniciativa privada serviços de infraestrutura, manutenção, segurança e limpeza das escolas municipais por 20 anos. Oficializada em julho, a medida é criticada pelo Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) como privatização de serviços essenciais. A prefeitura afirma que a parceria não interfere na gestão pedagógica.
Na rede estadual, o leilão da PPP para serviços em 98 escolas foi suspenso em julho pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS). O Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers), sindicato dos professores e funcionários de escola da rede estadual, cobra o cancelamento da proposta do governo Leite e investimento direto na rede pública.
Schirmer, à frente da Segurança Pública em 2016, defendeu o cerco policial à Assembleia como “defesa da democracia” durante os protestos contra o pacote de privatizações, extinção de fundações e demissões do governo Sartori. Na ocasião, manifestantes foram reprimidos com gás lacrimogêneo e balas de borracha.
Completam a equipe Leandro Sonne, servidor estadual e coordenador da bancada do Republicanos na Assembleia; o empresário Alencar Capucci; e Norton Baum, assessor parlamentar e ex-chefe de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Rural.
Pela gestão Leite, o secretário da Casa Civil, Ranolfo Vieira Júnior, conduzirá a coordenação política, e a secretária de Planejamento, Governança e Gestão, Danielle Calazans, ficará responsável pela parte técnica. O escritório de transição funcionará no Edifício Guaíba, na Capital.
As secretarias preparam informações sobre contratos, programas, orçamento e compromissos da administração. O governo também abriu mão da relatoria do orçamento na Assembleia para que a base de Zucco participe da elaboração da proposta que será executada pela próxima gestão.
“Vamos trabalhar para que essa mudança aconteça com maturidade institucional e para que nenhum projeto importante sofra descontinuidade”, afirmou Leite, após reunir o secretariado nesta terça-feira (6).
Segundo a colunista Rosane de Oliveira, de GZH, Zucco convidou o atual secretário de Educação do Paraná, Roni Miranda Vieira, para comandar a pasta no Rio Grande do Sul. A coluna informa que Vieira aceitou o convite. Durante a campanha, o governador eleito apresentou a educação paranaense como referência, com destaque para as escolas cívico-militares.
A ampliação desse modelo contraria a posição do Cpers. Em nota publicada em junho de 2024, a entidade apontou que a militarização ameaça a educação pública ao substituir práticas pedagógicas inclusivas por uma lógica autoritária e disciplinar, restringindo a liberdade de pensamento e expressão. O sindicato também questiona a atuação de militares sem formação pedagógica específica e afirma que não há evidências científicas de que o modelo melhore a qualidade do ensino.
Zucco também anunciou reuniões com instituições e entidades no Instituto Caldeira, em um espaço chamado Casa do Diálogo, a partir de segunda-feira (12). Nesta quarta-feira (7), tem encontro previsto em Brasília com Flávio Bolsonaro (PL), para atuar na campanha do segundo turno presidencial.
Outra agenda reunirá Zucco, Jorginho Mello (PL), governador reeleito de Santa Catarina, e Sergio Moro (PL), governador eleito do Paraná, para discutir um Fundo Constitucional para o Sul e o Sudeste, malha ferroviária e segurança integrada.
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Fonte: Brasil de Fato