Zema resiste à pressão de bolsonaristas e aliados para desistir de candidatura ao Planalto
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) tenta sustentar sua candidatura à Presidência da República em meio a uma crescente pressão de aliados de seu próprio partido e de setores bolsonaristas para que abandone a disputa. A proximidade do primeiro turno intensificou os apelos para que o político mineiro abra mão do pleito em favor do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, segundo o Metrópoles.
Entre os principais nomes que cobram publicamente a renúncia de Zema está o candidato ao Senado por Minas Gerais Marco Antônio Superman (Novo). O aliado defende abertamente que o presidenciável do Novo adote a postura que prega e consolide o apoio ao “01” de Jair Bolsonaro (PL).
“O Zema, se quer ser patriota de verdade e mostrar uma posição a direita, para defender o Brasil do petismo e do Lula, tem que embarcar na campanha do Flávio Bolsonaro”, afirmou Superman, que também estendeu o apelo de desistência a outros postulantes do campo da direita, como o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante).
A postura de Superman reflete um movimento mais amplo dentro do próprio partido Novo, onde figuras como a candidata a deputada federal Marina Helena (Novo-SP) já deixaram de apoiar o correligionário para declarar voto em Flávio Bolsonaro. Apesar da debandada e das cobranças internas, Zema tenta se manter firme no cenário eleitoral e reafirma que não vai desistir de concorrer.
De acordo com os dados mais recentes da pesquisa divulgada pela Quaest na segunda-feira (28), a corrida presidencial é liderada pelo presidente Lula (PT), que registra 39% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 34%. Ronaldo Caiado e Augusto Cury aparecem empatados com 4% cada, enquanto Renan Santos (Missão) soma 3%. Romeu Zema aparece com apenas 1% das intenções de voto. Os eleitores indecisos somam 5%, e os votos brancos e nulos chegam a 10%.
A ofensiva sobre Zema é alimentada por apelos de lideranças de expressão nacional. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu publicamente a unificação das forças da direita em torno do nome de Flávio Bolsonaro.
No âmbito estadual, o atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD) — sucessor e ex-vice de Zema —, demonstrou intenção de declarar apoio a Flávio Bolsonaro ainda no primeiro turno, embora já tivesse anunciado a aliança para um eventual segundo turno. O movimento antecipado de Simões, no entanto, foi vetado pelo próprio Zema. Simões tenta se consolidar como o único candidato ao Palácio Tiradentes formalmente aliado ao pré-candidato do PL em território mineiro, em um cenário complexo no qual o PL local lançou o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe (PL), e grande parte dos filiados da legenda apoia a candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos).
O ambiente de pressão sobre a candidatura presidencial do Novo ganhou força após a desistência de Ricardo Salles (Novo-SP), que abriu mão da disputa eleitoral para apoiar os candidatos André do Prado (PL-SP) e Guilherme Derrite (PP-SP). A decisão de Salles foi celebrada por bolsonaristas, incluindo o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que consideraram a medida um gesto em prol do país. Antes de abandonar a disputa, Salles, que pontuava 4% nas pesquisas, vinha fazendo duras críticas a André do Prado, afirmando que o adversário não representava a verdadeira direita e o classificando reiteradamente como “pupilo do Valdemar [Costa Neto, presidente nacional do PL]”.
Aproveitando o precedente aberto por Salles na capital paulista, Marco Antônio Superman passou a cobrar também a renúncia do senador Carlos Viana (PSD), candidato à reeleição em Minas Gerais. Viana conta atualmente com 12% das intenções de voto, enquanto Superman registra 4% da preferência do eleitorado mineiro, embora este último conte com o endosso direto de Nikolas Ferreira.
Fonte: Brasil 247