Willer Tomaz cobra Blaze após perder R$ 163 milhões
Por Leonardo Lucena — Brasil 247
247 – O advogado Willer Tomaz moveu ação contra a Blaze para tentar reaver R$ 163 milhões perdidos em jogos online. Ele apostou quase R$ 5 bilhões em 2025 e movimentou R$ 10 bilhões entre ganhos e perdas apenas na Blaze. Em seguida procurou a Justiça alegando vício em jogos e acusou a empresa de burlar regras de jogo responsável para lucrar com sua suposta compulsão. A informação foi divulgada nesta terça-feira (29) pela coluna Demétrio Vecchioli, no Metrópoles.
A Polícia Federal apontou o advogado como “verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico” de investigados pela Máfia do INSS. A ação de Tomaz foi protocolada na 44ª Vara Cível de São Paulo três dias antes da operação da PF que teve o advogado como alvo. No processo, Willer afirma que a relação contínua com a plataforma o levou a um dos níveis mais altos do programa de fidelidade da Blaze: o nível 171.
Segundo os registros citados pela reportagem, Willer fazia apostas em períodos curtos, mas com valores elevados. Em 29 de julho, por exemplo, jogou das 2h às 4h, fez 11 depósitos de R$ 100 mil cada e perdeu tudo em centenas de giros de roleta com apostas acima de R$ 50 mil.
A rotina continuou em 2026. Em 19 de janeiro, Willer depositou R$ 500 mil na Blaze pela manhã, sacou R$ 1 milhão em dez operações depois de meia hora de jogo, recebeu um bônus de fidelidade de R$ 325 mil à tarde e perdeu R$ 725 mil à noite.
Na mesma data, Willer voltou dos Estados Unidos ao Brasil em seu jatinho e deu carona ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República atualmente.
A relação entre os dois ganhou destaque nacional após notícias de hospedagem do parlamentar em apartamento do advogado, festa de aniversário da filha em casa de Willer em Angra dos Reis e cinco viagens internacionais conjuntas em 2025.
Atendimento VIP e limites de saque
Antes da regulamentação, em 2023, Willer passou a receber atendimento VIP da Blaze após enviar extratos bancários que mostravam repasses milionários de seus escritórios de advocacia e de uma emissora de televisão do Maranhão. O advogado tinha um funcionário holandês da bet dedicado a atendê-lo pelo WhatsApp.
Conversas anexadas ao processo mostram Willer irritado com a exigência de reconhecimento facial para sacar R$ 100 mil. “Todos os saques estão pedindo reconhecimento facial. Isso dificulta muito, amigo”, reclamou em janeiro de 2025. Depois, pediu que a plataforma aumentasse o limite de saque para R$ 500 mil.
O funcionário da Blaze apresentou uma solução proibida pela regulamentação: “Você não vai mais ser amolado com o reconhecimento facial, então você pode fazer quantos pedidos (de saque) quiser”.
Em outro diálogo, Willer argumentou que gerava lucros altos à empresa. “Duvido que exista alguém no mundo que tenha te dado mais lucro do que eu. Acho que nem mesmo meu amigo Njr”, escreveu ao atendente, em provável referência a Neymar Jr., garoto-propaganda da Blaze.
O advogado também pediu uma linha de crédito semelhante à usada por ele em cassinos de Las Vegas. “As autoridades reguladoras estão me questionando, assim como os bancos. Existe alguma solução? Talvez criar uma linha de crédito para fazer uma única transação mensal? Assim como faço com os cassinos em Las Vegas. Tenho uma grande linha de crédito com cassinos como o WYNN e outros”, escreveu.
R$ 10 bilhões movimentados
O relatório apresentado no processo mostra que Willer ganhou R$ 4,800 bilhões em jogos de cassino em 2025 e perdeu R$ 4,963 bilhões, com resultado negativo de R$ 163 milhões. Em apostas esportivas, teve lucro de R$ 39 mil.
Quatro dias depois de receber o relatório que mostrava perdas superiores aos ganhos, Willer já tinha uma ação pronta contra a Blaze. Antes de entrar com o processo, procurou a empresa, mencionou o risco de exposição pública do caso e ofereceu um acordo para que a plataforma devolvesse 70% das perdas.
Na ação, a defesa afirmou que o caso envolve “a assimetria entre depósitos e saques, na retenção e reversão reiteradas de solicitações de saque, nos obstáculos operacionais que mantinham os recursos dentro da plataforma, nos incentivos vinculados às perdas e na ausência de medidas eficazes de jogo responsável, apesar do volume extremamente elevado de movimentações”.
A tese do vício em apostas apareceu no processo protocolado em agosto. “Não existe leitura possível desse padrão (de apostas) que não seja a de jogo patológico em grau extremo”, argumentou o ex-ministro Eugênio Aragão, sócio de Willer e seu advogado na ação.
Aragão anexou ao processo um laudo do psiquiatra Diego Canelhas, assinado em julho. O documento afirma que Willer estava “iniciando tratamento” e cita que os valores apostados “falam por si só sem precisar de muito raciocínio”.
Tentativa de autoexclusão
A defesa sustenta que Willer pediu à Blaze o bloqueio de sua conta e não foi atendido. Para reforçar essa versão, juntou prints de diálogos breves entre um perfil não identificado e o chat da plataforma, sem registro de data.
“Quero que vcs bloqueie o meu acesso a jogos. E parem de me enviar promoções estimulando apostas. Estou com problemas de saúde. Estou viciado. Já perdi o que tinha e o que não tinha”, diz uma das mensagens atribuídas a Willer.
Em outro diálogo, o usuário atribuído ao advogado afirma: “Não é email. É mensagem no telefone. Com bônus e código de bônus, incentivando a jogar. E ainda está sendo possível jogar. Bloqueie em definitivo pfvr. Como vocês sabem, eu já tenho diagnóstico de ludopatia”.
Aragão também afirma que Willer continuou recebendo publicidade dirigida da Blaze após o pedido de exclusão. Para demonstrar isso, juntou print de um grupo de Telegram com 474 mil inscritos e SMSs com oferta de crédito recompensa de R$ 1 mil e giro diário com prêmios de até R$ 15 mil.
Atuação no setor de apostas
Willer trabalha diretamente com apostas esportivas. Ele é beneficiário final da RioPag, empresa que recebeu da gestão Cláudio Castro (PL) a exclusividade na intermediação de pagamentos entre apostadores e casas de aposta para bets licenciadas pelo estado do Rio de Janeiro.
O advogado Willer atua como advogado da RioPag e que seu escritório patrocinava, até pelo menos o mês passado, a Aposta Legal, associação de casas de apostas presidida por um funcionário do escritório. O mesmo funcionário administra a cota de Willer no jatinho que também pertenceu ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O ex-banqueiro está preso por envolvimento em um esquema bilionário de fraudes financeiras descoberto por investigadores da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF.
Fonte: Brasil 247