Wellington Dias afirma que reajuste do Bolsa Família terá “total eficiência fiscal”
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, afirmou nesta quinta-feira (17) que o reajuste de 15,04% do Bolsa Família será financiado por meio do remanejamento de recursos economizados em outras áreas do governo. Segundo ele, a medida foi estruturada para recompor a inflação acumulada sobre os benefícios sem comprometer a eficiência fiscal.
Ao explicar a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Dias destacou que a atualização alcançará todas as parcelas que compõem o programa.
“Dois anos após a implementação do programa Novo Bolsa Família, o presidente Lula autorizou o reajuste de 15,04% sobre todas as parcelas do Bolsa Família. Significa recompor a inflação, mesmo baixa, das pessoas que mais precisam no Brasil. Garantir também que isso fosse feito com total eficiência fiscal, ou seja, de dinheiro do remanejamento de economias feitas em outras áreas, que garante o reajuste do Bolsa Família”, afirmou o ministro.
A declaração ocorre após o governo anunciar que o piso do Bolsa Família passará de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio, atualmente em R$ 675, deverá chegar a R$ 777. Os novos valores começam a ser pagos em outubro.
Dias projeta redução do peso do Bolsa Família no PIB
Wellington Dias também argumentou que, apesar do aumento dos benefícios, a participação dos gastos com o Bolsa Família em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) deverá diminuir.
De acordo com o ministro, o programa chegou a representar 1,5% do PIB. A projeção apresentada por ele é que essa proporção fique em 1,25% em 2027, já considerando o reajuste anunciado pelo governo.
“Eu destaco também que lá atrás, o programa Bolsa Família, o valor total pago correspondia a 1,5% do PIB. Mesmo com esse reajuste, a previsão é de 2027, o PIB comparado com o Bolsa Família, o Bolsa Família ser o equivalente a 1,25%, ou seja, proporcionalmente abaixo do que era. Por quê? Porque a economia está crescendo e porque também mais pessoas estão superando a pobreza”, declarou.
Na avaliação apresentada pelo ministro, dois movimentos explicam essa redução proporcional: o crescimento da economia brasileira e a saída de pessoas da situação de pobreza.
Ministro destaca entrada de beneficiários no mercado de trabalho
Dias também associou a redução da pobreza à maior inserção de pessoas inscritas no Cadastro Único no mercado de trabalho. Segundo ele, aproximadamente 80% das vagas de emprego estão sendo ocupadas por pessoas que fazem parte do cadastro social do Bolsa Família.
“E também o próprio Bolsa Família, ele também com mais eficiência, um cadastro moderno, a Rede Suas, a área da segurança alimentar e eu destaco ainda as pessoas com oportunidade de ir para o emprego, para o empreendedorismo e para o cooperativismo. Aqui, 80% aproximadamente das vagas de emprego é o povo do cadastro social do Bolsa Família”, disse.
O ministro citou ainda a modernização do cadastro, a Rede Suas e as políticas de segurança alimentar como componentes da estratégia do governo para ampliar a eficiência do programa e criar caminhos de acesso ao emprego, ao empreendedorismo e ao cooperativismo.
Reajuste terá impacto de R$ 22 bilhões em 2027
Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o aumento do Bolsa Família terá impacto fiscal de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de R$ 22 bilhões em 2027. O governo afirma que o percentual de 15,04% corresponde à recomposição da inflação acumulada desde o início do atual mandato de Lula, em 2023.
Com o reajuste, o valor mínimo destinado a cada integrante da família passará de R$ 142 para R$ 164. O adicional para crianças de até 6 anos aumentará de R$ 150 para R$ 173, enquanto as parcelas destinadas a gestantes, jovens de 7 a 18 anos incompletos e bebês de até seis meses passarão de R$ 50 para R$ 58.
O novo piso de R$ 691 começa a valer na folha de outubro. O reajuste ocorre dois anos após a implementação do atual desenho do Bolsa Família, retomado pelo governo Lula em 2023.
Fonte: Brasil 247