Voto útil: especialistas analisam a escolha estratégica no primeiro turno das eleições

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Por henriquenunes — Fundação Perseu Abramo

A disputa presidencial de 2026 recoloca o voto útil no debate eleitoral. A expressão descreve a decisão de apoiar uma candidatura considerada mais competitiva e próxima das próprias posições, mesmo quando ela não é a primeira preferência do eleitor. Com a polarização, essa escolha estratégica passa a ser discutida antes mesmo do primeiro turno.

O fenômeno não é novo. Em Os Partidos Políticos, publicado em 1951, o cientista político Maurice Duverger analisou como as regras eleitorais influenciam o comportamento de partidos e eleitores. Sua ideia de “efeito psicológico” ajuda a compreender por que as chances de vitória pesam na decisão de voto. A concentração em nomes vistos como viáveis, porém, também pode reduzir o espaço de candidaturas menores e de novas representações.

A escolha se antecipa

Para Matheus Toledo, coordenador do Núcleo de Opinião Pública, Pesquisas e Estudos (NOPPE), a combinação de polarização e rejeição aos principais candidatos deixa pouco espaço para outras candidaturas.

“Estamos vendo neste momento um cenário muito parecido com as duas eleições presidenciais anteriores. Lula e Flávio combinam alto grau de votação e alto grau de rejeição, e há pouco espaço para outras candidaturas. Então, temos que considerar que estamos diante de um quadro eleitoral em que cada voto vai fazer muita diferença. A distância entre Lula e Flávio Bolsonaro é muito pequena tanto no primeiro quanto no segundo turno”, afirma.

Segundo Toledo, a escolha estratégica, antes associada sobretudo à definição do segundo turno, passou a entrar mais cedo no cálculo do eleitorado. Ele identifica esse movimento nos pleitos gerais recentes, em meio ao agravamento da polarização.

Campo democrático

Para o jornalista e mestre em Políticas Públicas Antônio Augusto de Queiroz, o voto útil em 2026 deve ser analisado à luz das diferenças entre os projetos em disputa. Em sua avaliação, ciência, soberania, inclusão social e democracia estão no centro dessa escolha.

“O voto útil faz todo sentido”, afirma. Queiroz considera que prolongar a disputa até um segundo turno abriria mais espaço para a desinformação durante a campanha.

Ele também defende que o eleitorado já dispõe de elementos para comparar as candidaturas. “O eleitor pode comparar os governos Lula e Bolsonaro e tomar uma decisão consciente. O Flávio é o prolongamento do pai”, afirma.

Fonte: Fundação Perseu Abramo

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