Voto de eleitores 70+ pode ser decisivo nas eleições

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – O voto dos brasileiros com mais de 70 anos pode ter peso decisivo nas eleições de 2026. O grupo reúne cerca de 15 milhões de pessoas aptas a votar, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e ganha relevância diante de uma disputa presidencial marcada pelo equilíbrio entre os principais candidatos. O voto é facultativo a partir dos 70 anos.

A dimensão desse eleitorado aumentou significativamente. Dados divulgados pela TV Brasil mostram que o número de brasileiros com 70 anos ou mais aptos a votar cresceu quase 60% desde 2014. Ao mesmo tempo, a abstenção permanece elevada: em 2022, aproximadamente 58% desse grupo não compareceu às urnas.

A importância potencial desses votos fica mais evidente quando comparada à eleição presidencial anterior. Em 2022, o presidente Lula venceu Jair Bolsonaro no segundo turno por pouco mais de 2,1 milhões de votos — diferença pequena diante dos milhões de eleitores idosos que deixaram de comparecer.

Interesse por política contrasta com abstenção

Dados do Datafolha indicam que os eleitores mais velhos demonstram disposição significativa para participar da vida política. Em pesquisa realizada em agosto, 61% dos entrevistados com 60 anos ou mais disseram que votariam mesmo se não houvesse obrigatoriedade, percentual superior aos 48% registrados entre jovens de 16 a 24 anos.

Entre os eleitores acima dos 70 anos, levantamento do Datafolha apontou que 76% afirmam que votariam mesmo sem a obrigação legal. O dado contrasta com o elevado índice histórico de abstenção dessa faixa etária.

A diferença entre disposição declarada e comparecimento efetivo indica que obstáculos práticos também interferem na participação. Dificuldades de locomoção, problemas para chegar ao local de votação e necessidade de acompanhamento podem pesar na decisão de sair de casa.

“Votaria até duas vezes”

Aos 71 anos, Júlio Neves está entre aqueles que tratam o comparecimento às urnas como exercício de cidadania. Ele afirma que votaria até duas vezes se isso fosse possível e procura convencer parentes e conhecidos da mesma faixa etária a participar.

Para Júlio, a experiência acumulada ao longo da vida reforça a importância do direito de escolher os representantes. No dia da eleição, ele mantém seu próprio ritual e vai votar vestido de vermelho. Também se dispõe a ajudar familiares mais velhos que tenham dificuldades para chegar às urnas.

A relação entre memória histórica e participação eleitoral também aparece no relato de Mally Freire, de 76 anos. A experiência de ter vivido durante a ditadura militar brasileira faz com que ela atribua especial importância ao direito de escolher livremente os governantes.

Mally prefere votar à tarde, quando acredita encontrar menos movimento, e recomenda que idosos com limitações de mobilidade procurem familiares, amigos ou cuidadores para acompanhá-los.

Voto como resposta à polarização

Eva Cardoso, de 84 anos, também pretende votar. Para ela, participar da eleição é uma maneira de reagir politicamente a ataques, hostilidades e discursos de ódio que observa no ambiente público.

Diferentemente de Júlio, Eva evita exibir símbolos políticos no caminho até a seção eleitoral por receio de confrontos ou hostilidade. A diferença entre os rituais não altera o ponto comum entre os entrevistados: a defesa da participação eleitoral e do direito democrático ao voto.

Milhões ficaram em casa em 2022

O potencial de participação desse segmento é expressivo. Dados históricos mostram que a abstenção entre brasileiros com mais de 70 anos caiu de 63,6% em 2014 para 62,7% em 2018 e 58,9% em 2022. Apesar da queda, portanto, quase seis em cada dez eleitores dessa faixa etária deixaram de votar na última eleição presidencial.

No segundo turno de 2022, somente cerca de 45% das pessoas com 70 anos ou mais compareceram às urnas, segundo informações divulgadas pelo Senado.

Em uma eleição competitiva, uma mudança mesmo parcial nesse padrão de comparecimento pode representar milhões de votos adicionais.

Mobilização na reta final

A participação dos mais velhos tornou-se, por isso, um tema da reta final da campanha. Além das preferências políticas de cada eleitor, movimentos da sociedade civil vêm estimulando pessoas com mais de 70 anos a exercerem o direito facultativo ao voto.

O argumento apresentado por eleitores como Júlio, Mally e Eva é que a decisão de comparecer às urnas ultrapassa a escolha individual de um candidato. Para eles, votar significa preservar a possibilidade de escolher os governantes e participar das decisões sobre o futuro do País.

A mensagem que procuram transmitir a parentes, amigos e outros idosos é simples: mesmo depois dos 70 anos, quando comparecer às urnas deixa de ser uma obrigação legal, cada eleitor continua tendo nas mãos um voto que pode fazer diferença.

Fonte: Brasil 247

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