Vorcaro relata pagamento de R$ 30 milhões para documentário sobre Lula; PF e PGR negam delação por falta de provas
Por Mylenna Scheidegger — Jornal Opção

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou ter negociado o pagamento de cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo reportagem publicada pela revista Veja nesta sexta-feira, 9, os recursos teriam sido liberados no contexto de negociações para ampliar a atuação do Banco Master junto a fundos de pensão de servidores públicos.
A proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro, no entanto, foi rejeitada pela Polícia Federal (PF) por falta de elementos mínimos que dessem credibilidade às declarações, conforme informações confirmadas por integrantes da corporação à CNN Brasil. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também teria considerado insuficientes as provas apresentadas.
Ainda segundo a reportagem da Veja, as informações constam em documentos e mensagens obtidos pela revista. Vorcaro teria detalhado as acusações em um anexo apresentado à PGR durante as tratativas para um acordo de colaboração premiada. A defesa do ex-banqueiro argumentou que havia mensagens, registros de pessoas que teriam retirado o dinheiro e informações sobre os locais utilizados para as entregas.
Segundo a publicação, o dinheiro seria destinado à produção do documentário Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone, e teria sido repassado por fora ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto. Vorcaro também teria mencionado outros pagamentos à instituição.
Negociações com integrantes do PT
Na versão apresentada por Vorcaro, a aproximação com integrantes do PT teria sido articulada por Augusto Lima, então CEO do Banco Master e sócio do ex-banqueiro. O primeiro contato com o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto teria ocorrido com a intermediação de aliados políticos, entre eles o senador Jaques Wagner (PT-BA), que à época liderava o governo Lula no Senado.
Conforme o relato atribuído a Vorcaro, teria sido discutido um pagamento de aproximadamente R$ 30 milhões para cobrir despesas do documentário, além de repasses ao Instituto Lula. Em contrapartida, o banco buscaria obter credenciamento para operar com fundos de previdência ligados ao Banco do Brasil, à Caixa Econômica Federal e à Previ.
O ex-banqueiro também teria afirmado que Vaccari exigiu uma comissão de 10% sobre os recursos captados junto a fundos de previdência de servidores da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios. A estimativa mencionada seria de R$ 10 bilhões em operações, com R$ 9 bilhões destinados ao Banco Master e R$ 1 bilhão ao PT.
A reportagem também cita o então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e o ex-secretário-executivo da pasta, Olavo Noleto, entre os nomes que teriam participado das articulações. As acusações, contudo, fazem parte da versão apresentada pelo ex-banqueiro e não foram comprovadas pelas autoridades.
PF aponta falta de provas na delação
A rejeição da proposta de colaboração premiada é um dos principais contrapontos às acusações publicadas pela Veja. Segundo a CNN Brasil, integrantes da Polícia Federal afirmaram que os elementos apresentados por Vorcaro não eram suficientes para dar credibilidade aos relatos. A avaliação teria sido compartilhada pela PGR.
Uma fonte da PGR ouvida pela CNN em caráter reservado afirmou ainda que um dos áudios atribuídos a Vorcaro e divulgado na reportagem da Veja não havia sido encaminhado à equipe responsável pelas negociações da delação. Segundo essa fonte, havia suspeita de que a gravação tivesse sido feita depois de frustradas as tratativas.
A mesma fonte afirmou que os relatos apresentados pelos advogados durante as negociações eram esquemáticos e escritos em terceira pessoa, diferentemente do conteúdo atribuído ao ex-banqueiro na gravação divulgada pela revista.
Vorcaro já teve duas propostas de delação rejeitadas. Segundo as informações publicadas pela CNN Brasil, as negociações não avançaram diante da insuficiência dos elementos apresentados para sustentar as acusações.
Lula e Padilha negam envolvimento
Procurado pela Veja, Lula afirmou que “jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira nem autorizou terceiros a receber recursos de Vorcaro em seu nome”.
Alexandre Padilha também negou ter relação com o ex-banqueiro. Olavo Noleto informou que não iria se manifestar, segundo a CNN Brasil. A emissora também procurou o Instituto Lula e outros citados, mas não havia obtido resposta de todos até a publicação da reportagem.
As acusações atribuídas a Vorcaro permanecem sem comprovação pública, e a rejeição da proposta de delação pela PF e pela PGR reforça a necessidade de tratar os relatos como declarações do ex-banqueiro, e não como fatos estabelecidos.
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Fonte: Jornal Opção