Vorcaro, Flávio Bolsonaro, o médico e o monstro
Por Xico Sá — ICL Notícias
Escritor e jornalista, faz parte da equipe de apresentadores do ICL Notícias. Com passagem por diversas redações e emissoras de tv, ganhou os prêmios Esso, Folha, Abril e Comunique-se. Participou de programas como Notícias MTV, Cartão Verde (Cultura), Redação Sportv, Papo de Segunda (GNT) e Amor & Sexo (Globo). É autor de Big Jato (Companhia das Letras) e A Falta (Planeta), entre outros livros. O colunista nasceu no Crato, na região do Cariri cearense, e iniciou sua trajetória profissional no Recife.
Na história de “O Médico e o Monstro” — o estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde —, um cidadão inglês vive o conflito de ter um lado de correto profissional da saúde e o outro de assassino que toca o terror em Londres.
Como se usasse a mesma poção mágica do experimento científico da obra do escritor Robert Louis Stevenson, o comitê bolsonarista separa o Vorcaro bom do Vorcaro banqueiro bandido do escândalo Master.
Para Flávio, o Daniel Vorcaro ladrão é apenas o que faz contrato com o escritório de Viviane Barci de Moraes; o Vorcaro que entrega R$ 72 milhões (de R$ 134 milhões negociados) ao filho 01 de Jair é ungido, imaculado, um santo.
Não podemos culpar apenas Flávio Bolsonaro por esta manipulação rasteira. Parte da imprensa hereditária também tem replicado esse raciocínio troncho.
O que Vorcaro entregou com a mão direita para o filme-lavanderia “Dark Horse” é dinheiro privado; o dinheiro público seria apenas a parte da grana conduzida com a mão esquerda.
Como fosse possível saber o que veio de fraude da RioPrevidência — via governo do também irmão Cláudio Castro — e o que veio de golpe em fundos da Faria Lima ligados a personagens do PCC.
Só resta ao próprio Vorcaro, lá da sua estadia no presídio da Papudinha, olhar para a câmera e falar, repetindo o que foi dito pelo médico/monstro do livro:
“Compreendi que, embora eu pudesse ser reconhecido como duas pessoas distintas, era apenas porque eu era radicalmente um só; pois minha vida era o cativeiro daquele punhado de dias em que sofria prazerosamente a minha condenação, e era o próprio Jekyll quem se comprazia com as trapaças de Hyde.”
Além do regime ilegal, trabalhador relatou falta de higiene, constrangimentos e comida estragada
Fonte: ICL Notícias