Vice-premiê chinês visitará os EUA para negociações comerciais em busca de maior segurança comercial internacional

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Por Leonardo SobreiraBrasil 247

247 – O vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, liderará uma delegação aos Estados Unidos para uma nova rodada de consultas econômicas e comerciais entre 19 e 23 de setembro, informou o Global Times neste sábado (19).

O anúncio, feito neste sábado pelo Ministério do Comércio da China (MOFCOM), destaca que as negociações abordarão questões de interesse mútuo e serão orientadas pelo consenso previamente estabelecido pelos chefes de Estado de ambos os países.

As reuniões ocorrem em um momento de intensas interações diplomáticas e econômicas entre Pequim e Washington. Na última quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, conversou por telefone com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

Segundo especialistas chineses, a nova rodada de consultas ajudará a consolidar os avanços obtidos nas negociações de maio, realizadas na Coreia do Sul, além de tratar das preocupações bilaterais e administrar divergências, fortalecendo a estabilidade global.

Mais cooperação é necessária

O encontro da próxima semana representa o mais recente esforço de intercâmbio após os resultados positivos alcançados em maio, que incluíram acordos sobre tarifas, resolução de barreiras não tarifárias e fomento ao comércio bilateral, com destaque para o setor agrícola.

“Esta rodada de consultas econômicas e comerciais entre China e Estados Unidos ajudará ainda mais a consolidar os resultados positivos das negociações comerciais bilaterais realizadas na Coreia do Sul em maio”, afirmou neste sábado ao Global Times He Weiwen, pesquisador sênior do Centro para a China e a Globalização. Para ele, o diálogo deve proporcionar um ambiente mais previsível para os mercados e empresas de ambos os países.

He Weiwen ressalta que o mecanismo de consultas oferece um canal de comunicação profissional e regular, essencial para a troca franca de opiniões e a redução de incertezas. Entre os compromissos firmados em maio, destaca-se a criação de conselhos de comércio e investimento. Por meio do conselho comercial, os dois países concordaram, em princípio, em reduzir tarifas em escala equivalente para produtos de interesse mútuo.

Sobre a proposta de um acordo-quadro para a redução recíproca de tarifas — que abrangeria US$ 30 bilhões em produtos de cada lado —, o porta-voz do MOFCOM, He Yadong, informou na quinta-feira que as equipes mantêm comunicação estreita. Como as duas maiores economias do mundo, os ajustes tarifários impactam diretamente os custos operacionais, a estabilidade das cadeias de abastecimento e os consumidores.

“Se conseguirem, por meio do respeito mútuo e de consultas em condições de igualdade, encontrar um equilíbrio que responda às preocupações de cada lado, isso não apenas favorecerá um comércio bilateral saudável, como também trará maior segurança à economia global”, avaliou o pesquisador.

Os dados recentes refletem a resiliência desse intercâmbio: até agosto, as importações e exportações da China com os EUA registraram crescimento por cinco meses consecutivos. O comércio acumulado nos primeiros oito meses do ano atingiu 2,76 trilhões de yuans, uma alta de 1,3%, segundo a alfândega chinesa.

Em paralelo, o rápido avanço da inteligência artificial (IA) tornou a segurança e a governança tecnológica um foco central de cooperação. Huo Jianguo, ex-diretor da Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Econômica, classificou a colaboração no setor como uma necessidade prática e uma escolha racional.

“Como duas grandes potências em inteligência artificial, os dois lados podem trabalhar juntos na governança conjunta da IA, na definição de padrões, no equilíbrio entre restrições ao desenvolvimento e facilitação, e na ampliação da adoção tecnológica, ajudando a conduzir a IA em direção a uma competição mais padronizada e justa”, pontuou Huo. Analistas reforçam que, diante da crescente fragmentação geoeconômica, essa estabilidade comercial protege as cadeias de abastecimento e apoia a recuperação da economia mundial.

Continuidade dos intercâmbios

O diálogo comercial soma-se a uma agenda diplomática ativa. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, confirmou na sexta-feira que ambos os governos mantêm tratativas para organizar novas interações entre os chefes de Estado ainda este ano.

Durante sua conversa com Marco Rubio, Wang Yi destacou que as relações bilaterais têm avançado no caminho da estabilidade estratégica construtiva, atendendo às expectativas da comunidade internacional. Wang enfatizou que a diplomacia presidencial é a “âncora” das relações sino-americanas e defendeu que a próxima etapa de intercâmbios de alto nível seja guiada pela igualdade, respeito e benefício mútuo.

Essa postura já havia sido reforçada no final de agosto, quando Wang se reuniu com o embaixador dos EUA na China, David Perdue, instando os dois países a eliminarem obstáculos aos intercâmbios bilaterais. O bom momento também se refletiu na diplomacia cultural: nos dias 16 e 17 de setembro, os EUA devolveram à China 64 peças, incluindo obras de arte, artefatos culturais e fósseis paleontológicos. Para a chancelaria chinesa, a devolução “demonstra as amplas perspectivas para a construção de uma relação construtiva entre China e Estados Unidos baseada na estabilidade estratégica”.

Mais sinceridade é necessária

Apesar dos avanços, Pequim cobra mudanças na postura de Washington, que tem mantido medidas restritivas nos campos tarifário e tecnológico. No dia 8 de setembro, agências norte-americanas emitiram um alerta acusando empresas chinesas de realizar destilação de dados em “escala industrial” para replicar capacidades de modelos de IA de ponta dos EUA, recomendando ações defensivas. A China repudiou o anúncio, classificando as alegações como infundadas e desprovidas de base jurídica.

Além disso, o governo americano sancionou na sexta-feira uma lei que endurece as sanções contra a Rússia e o Irã, autorizando a aplicação das chamadas “tarifas secundárias” de até 100% sobre países terceiros que importem petróleo ou gás natural russos. Analistas preveem que a China esteja entre os alvos da medida. Em resposta, o MOFCOM criticou a legislação, afirmando que o país adotará todas as medidas necessárias para proteger sua soberania e interesses, e instou os EUA a priorizarem o diálogo.

Para He Weiwen, a China tem demonstrado consistência na busca por resoluções pacíficas, mas o lado norte-americano precisa corresponder com ações concretas para evitar escaladas.

“No complexo ambiente internacional de hoje, o mundo precisa mais do que nunca da cooperação entre China e Estados Unidos em áreas-chave. Desde a manutenção da estabilidade das cadeias industriais e de abastecimento globais e o avanço da segurança e da governança da inteligência artificial até o enfrentamento das mudanças climáticas e o estímulo à recuperação econômica mundial, a coordenação entre China e Estados Unidos pode gerar efeitos positivos e oferecer maior segurança à comunidade internacional”, concluiu o especialista.

Fonte: Brasil 247

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