Vamos fazer outra reforma do Judiciário, diz Lula em jantar com empresários em São Paulo
Por Letícia Mori — JOTA
O presidente Lula afirmou nesta sexta (25/9), em um jantar com empresários em São Paulo, que em um quarto mandato, fará a reforma do Judiciário e uma “verdadeira reforma política”.
“Para um país dar certo, tem que ter estabilidade política e tem que ter estabilidade jurídica, que é uma coisa muito incerta nesse país”, disse Lula, sem, no entanto, dar detalhes. “A primeira grande reforma no Judiciário quem fez? Grita aí, foi o Lula”, disse, ao lembrar que ela resultou na criação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e “vamos ter que fazer outra”. “Esse Vorcaro devia ser um malandro mesmo. O que ele não corrompeu com dinheiro, ele corrompeu com orgia”, disse Lula
“A gente vai ter que fazer uma reforma política de verdade. O Congresso não pode tomar 50% do orçamento da União”, afirmou.
A fala foi feita em um evento dos grupos empresariais Esfera, organizado pelo empresário José Camargo; CNBC Parlatório, coordenado pelo empresário Carlos José Marques; e do grupo Prerrogativas, de advogados. Estavam presentes cerca de 300 empresários dos 380 do Parlatório, além dos empresários convidados do Esfera.
Lula disse também que é um negociador nato e que vai ser capaz de fazer as negociações necessárias.
“Quem é que acreditava que a gente ia fazer uma reforma tributária com 70 deputados e dois senadores? Mas fizemos”, disse ele.
Minerais críticos
O presidente afirmou que Brasil não deve “entregar para fora” os minerais de terras raras.
“Minerais de terras raras têm que ser minerados aqui, processados aqui e vendidos de acordo com nossos interesses”, disse o presidente.
“Vão dizer que eu não quero empresas que venham de fora, eu quero. Mas que trabalhem sob nosso comando”, afirmou Lula.
A fala sobre os minerais atendeu ao pedido do presidente da Vale, Gustavo Pimenta, que perguntou sobre planos do governo para minerais críticos. Ele foi um dos três empresários a falar — também fizeram perguntas o presidente do Secovi (sindicato da indústria imobiliária de SP), Jorge Cury; e o chefe de negócios de Infraestrutura da Brookfield, Marcos Almeida.
Também participaram do jantar os empresários Joesley Batista, da JBS, Joaquim Levy, do Banco Safra, Milton Maluhy, do Itaú; entre outros nomes da indústria, do mercado financeiro, da energia e da mineração.
A presença do PIB no evento, no entanto, não significa necessariamente endosso à candidatura — a disposição foi de ouvir de forma mais aprofundada as propostas econômicas.
A proibição das bets no país, anunciada oficialmente em uma coletiva pouco antes do evento, foi bem recebida pelos empresários — que vibraram quando o advogado Marco Aurélio Carvalho, do Prerrogativas, citou a Medida Provisória na abertura.
Apesar da expectativa do empresariado de ouvir Lula falar das propostas econômicas, o foco da fala do presidente foi maior no tema da soberania, com críticas ao que chamou de submissão aos EUA do governo anterior.
Lula disse, no entanto, que “estabilidade fiscal” é uma “coisa obrigatória”.
“É uma obrigação nossa, não é nem mérito. Quanto mais as contas tiverem desajustadas, quem vai pagar o preço é o pobre”, afirmou o presidente. “Aprendi com a Dona Lindu [mãe de Lula], não faça dívida que você não pode pagar e não gaste o que não tem”.
O presidente também ironizou pedidos para menores taxas de juros. “Vocês que quiseram a independência do Banco Central, não fui eu”, afirmou.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, no entanto, deu mais detalhes sobre a visão da gestão em sua fala. Citou a expectativa de fazer uma operação no estilo da operação Carbono Oculto “a cada semestre”, em termos de tamanho e volume de recursos analisados.
Também falou em boas práticas fiscais para acertar as contas públicas — ele disse que não houve nenhuma despesa contratada pelo governo para o Orçamento no último ano sem receita equivalente.
“E quando houve no Congresso, fomos ao STF, que determinou que o Congresso Nacional não pode aprovar medida sem compatibilidade orçamentária”, afirmou Durigan, que também citou as revisões em 10% de benefícios fiscais. “Na nossa gestão, todas as agências de risco aumentaram a nossa nota.”
“Dinheiro público tem que ser usado com austeridade”, concluiu Dario Durigan. “Sem desperdício, benefícios, sem penduricalhos.”
O vice-presidente Geraldo Alckmin também falou em acabar com “desperdício e privilégios”, citando salários públicos de R$ 400 mil e deputados estaduais com dezenas de assessores.
Fonte: JOTA