Por Maria Luiza Franco Busse — Brasil 247

Nas décadas de 1970, 80 e 90, corria em Paris um chiste sobre a racionalidade francesa que envolvia as avós. Para fazer o netinho ou netinha comer, elas diziam: Manges, manges, tu ne connais pas la guerre. Adaptado para o Brasil de agora, o “come, come, você não conhece a guerra” pode ser modificado para: vota, vota em Lula, você não viveu o nazifascismo original e ainda não se deu conta total do que é o atualizado para os dias de hoje.

Como a eleição só acaba quando termina, sempre há tempo e espaço para combater o regime de teologia política que nada tem a ver com religião. Tem a ver com o estado de exceção pela via jurídica que dá ao presidente da República o poder de personificar o povo, ou seja, nada nem ninguém nem instituição representará mais a sociedade além do Líder, o Führer. Personificação X Representação, partida que está sendo jogada neste 2026.

Entre Lula e o candidato da Personificação está o destino do Brasil. Dizendo desse modo, parece brincadeira de oratória para ver quem leva a melhor. Não é. As avós francesas sabiam do que estavam falando. Eram crianças quando foram submetidas ao experimento do regime de exceção e sobreviveram ao osso duro de roer da violência nazifascista.

Eleger Lula é assegurar o mínimo de contenção em favor do Estado de Direito democrático liberal como disposto na Constituição Cidadã de 1988. Bem dizer, na letra da Constituição em vigor, já que os praticantes liberais parecem ter embarcado no trem de volta a 1932, ano em que as elites agrária, financeira e industrial da nova república alemã assinaram a Petição dos Industriais. O documento pedia ao então presidente que nomeasse o “caipira” para chanceler, certos de que “isso dará ao governo a autoridade necessária e a confiança popular indispensáveis para a implementação das duras medidas econômicas que ainda se fazem necessárias”.

Deu no que deu.

As avós francesas das décadas de 1970, 80 e 90 tinham sete anos de idade em 1932. O que parecia uma racionalidade embrutecida em cada colherada de sopa significava a mais terna poética do amor à vida.

Fonte: Brasil 247

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