Vamos à luta com essa juventude
Por Denise Assis — Brasil 247
Flávio Bolsonaro ainda não ganhou a eleição, mas age como se eleito estivesse. À frente na corrida do primeiro turno nas eleições presidenciais – embora com pouca diferença para o segundo colocado, Luiz Inácio Lula da Silva: (47,03% dos votos válidos), e Lula (PT) com (45,16%) -, sentiu-se vitorioso a ponto de cogitar “ministeriáveis”. É cedo, para tantos rapapés. Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira (13/10), em seu primeiro levantamento para o segundo turno, encontrou um cenário apertado nos votos válidos, com Flávio registrando 52%, e Lula, 48%, o que configura empate técnico pela margem de erro.
Até então, todos os dados à sua volta o incensavam. Recebeu, de pronto, o apoio de nome tradicional da política (Ronaldo Caiado – PSD, embora tivesse saído das urnas muito mal colocado, em quinto lugar). Em seguida veio Augusto Cury, do Avante, outro nanico que desidratou ao final da corrida. Talvez por isso tenha se sentido à vontade para agir como se eleito estivesse. Recitou o “programa” de governo e praticou censura contra a campanha dos adversários. Tudo isso, com amplo apoio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ali, sabe que tem dois aliados, os indicados pelo papai.
Desgraçadamente, quis o destino que Kassio Nunes Marques e André Mendonça, ambos terrivelmente bolsonaristas fossem os respectivamente presidente e vice do TSE durante as eleições mais cruciais das nossas vidas. Quando os ventos da barbárie sopram ameaçadores sobre o nosso país. Como foram parar lá, nessa quadra da história? Por votação dos seus pares, é bom lembrar. Numa terça-feira, 14 de abril de 2026, por 6 X 1, a Corte da JE elevou o ministro do STF, Kassio Nunes, à condição de presidente da casa. É assim, com a mão das forças contrárias que conduzem os setores mais estratégicos para cima do braseiro, que vamos saindo do espeto e torrando na grelha da má sorte de ter tal conjunção de “astros” à frente da Justiça Eleitoral.
Está lá, na página oficial, para quem quiser conferir. “A eleição ocorreu no plenário do TSE, por meio de urna eletrônica, entre os membros do Tribunal. Antes do início da votação, um servidor designado como mesário imprimiu a zerésima, comprovando que não havia nenhum voto na urna. Em seguida, os sete ministros escolheram entre os números 10, para Nunes Marques, e 20, para André Mendonça. Encerrada a votação, a ministra Estela Aranha, escrutinadora, leu o boletim de urna e anunciou o resultado(…)”.
Preocupação houve, mas o que fazer se esta era a regra do jogo? E como de onde se espera aí é que vem mesmo, hoje temos uma eleição envolvida em mais de 400 ações no TSE, guerra de autoridade entre o corregedor – que tem agido em cima do lance – e Nunes Marques, senhor absoluto da pauta, onde exara decisões as mais grotescas e sem respaldo técnico (faltam provas e argumentos nelas). Sua atitude é a de um censor.
A quem recorrer, quando um ministro responsável pela lisura do processo age às escâncaras, tomando lado e manobrando em favor do candidato que nos ameaça, dentre outras coisas, de tirar a paridade entre o salário-mínimo e as aposentadorias? O que dizer, quando o candidato em questão, promete “redemocratizar” o país ao seu bel prazer, destroçando a Constituição? Que modelo é este, que ele quer implantar, e que está certamente na cabeça do seu pai, a quem recorreu hoje, em visita “sentimental”, depois de um período de proibição de visitas?
Com a força de um Congresso eleito ainda com o combustível das emendas parlamentares e, portanto, reacionário, conservador, e disposto a anistiar Jair por qualquer meio, Flávio Bolsonaro olha para os próprios interesses. E tão absorto está nesse exercício de mirar o próprio umbigo, que não se deu conta de que deprimido em casa, com a perna purulenta esticada sobre um tamborete e banhado em lágrimas pela derrota, ficava o seu pai. Lula caminha pelo Brasil arrastando multidões, como a que se comprimiu na Avenida Paulista, no domingo. Ou mesmo atos sem ele, como o de cerca de dois milhões de pessoas que foram a Copacabana gritar pelo seu nome. Pode ser que isso não resulte em vitória, mas deixa flagrante a diferença entre um estadista e um “mito” que não sabe perder. Lula acredita “é na rapaziada, que segue em frente e segura o rojão”, como cantou o saudoso Gonzaguinha. Vamos à luta “com essa juventude, que não foge da raia a troco de nada”.
Fonte: Brasil 247