Valdemar admite plano de golpe no governo Bolsonaro e desconversa se Flávio Bolsonaro poderia tentar novamente: ‘sei lá’

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Por Paulo Emilio — Brasil 247

247 – O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu nesta quarta-feira (7) que houve planejamento de um golpe de Estado no período final do governo de Jair Bolsonaro (PL), após a derrota do então presidente para Luiz Inácio Lula da Silva (247) na eleição de 2022. Ao abordar o episódio, o dirigente partidário minimizou a articulação e argumentou que discutir uma ruptura institucional sem concretizá-la não deveria configurar crime.

Segundo o jornal O Globo, as declarações foram dadas ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha. Na entrevista, Valdemar também defendeu a anistia aos condenados pela tentativa de golpe e pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

Ao falar sobre uma eventual anistia aos envolvidos na tentativa de golpe, o presidente do PL afirmou que a intenção é “soltar todos os militares que estão presos injustamente”. Em seguida, comparou o planejamento golpista ao planejamento de um assassinato para sustentar seu argumento.

“A lei diz que você pode planejar um assassinato, mas se você não assassinou o camarada, e não tentou, não é crime”, afirmou Valdemar.

Questionado sobre as articulações realizadas após a eleição presidencial de 2022, acrescentou: “tudo bem, discutiram de dar o golpe, mas não deram o golpe, e daí?”

Valdemar: “não tenha dúvidas”

O apresentador Paulo Germano perguntou diretamente ao dirigente do PL se ele reconhecia que houve um “planejamento” de golpe. Valdemar respondeu afirmativamente.

“Não tenha dúvidas. Quantos planejamentos você não faz e vê que depois que está errado e para no meio?”, declarou.

O jornalista perguntou, então, quem poderia garantir que uma articulação semelhante não ocorreria novamente em um eventual governo do senador Flávio Bolsonaro (Pl-RJ), candidato à Presidência da República, e se aliados do senador poderiam “tentar de novo”.

“Sei lá, sei lá”, respondeu Valdemar. Na sequência, porém, ele descartou a possibilidade e mencionou as consequências sofridas por Jair Bolsonaro.

“Pode haver planejamento, não existe isso. Isso deu certo? Olha o Bolsonaro, o que tá pagando? Você acha que alguém quer fazer isso? Nunca, jamais”, disse.

Presidente do PL defende anistia aos golpistas

Valdemar demonstrou otimismo com a possibilidade de Jair Bolsonaro ser beneficiado por uma anistia em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. O senador disputa o segundo turno da eleição presidencial contra Lula após terminar o primeiro turno à frente do petista.

Ao todo, 1.402 pessoas foram condenadas por crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro e à tentativa de golpe. Desse total, 29 integram os principais núcleos do planejamento, entre eles Jair Bolsonaro, os generais Walter Braga Netto, Paulo Sérgio Nogueira e Augusto Heleno, além de Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

As investigações também localizaram o chamado plano “Punhal Verde e Amarelo”, que, segundo a Polícia Federal, previa o assassinato de Lula, Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a investigação, militares das Forças Especiais chegaram a monitorar Moraes e realizaram, em 15 de dezembro de 2022, uma ação para avaliar a possibilidade de prendê-lo ou assassiná-lo.

A apuração aponta que a trama golpista buscava criar condições para impedir a posse de Lula e reverter o resultado da eleição presidencial de 2022.

Bolsonaro teria influência informal em governo do filho

Outro ponto da entrevista foi o papel que Jair Bolsonaro poderia desempenhar caso fosse anistiado e Flávio Bolsonaro chegasse à Presidência.

Valdemar afirmou que o ex-mandatário não receberia um cargo formal, mas continuaria exercendo influência política sobre o governo.

“Bolsonaro logicamente vai dar opinião no governo, não tenho dúvida disso. Mas não vai fazer parte do governo”, declarou.

Mudanças na Constituição

Os entrevistadores também questionaram Valdemar sobre declarações feitas por Flávio Bolsonaro durante uma agenda com Ronaldo Caiado (PSD), quando o candidato do PL afirmou que promoveria mudanças na Constituição.

Inicialmente, Valdemar disse que Flávio estava preocupado com a “parte tributária”, com o excesso de impostos e com o número de ministérios. Posteriormente, apontou o fim da reeleição como uma das mudanças constitucionais pretendidas.

“Ele quer acabar com a reeleição”, afirmou.

Ao avaliar a disputa presidencial, Valdemar demonstrou confiança na vitória do candidato de seu partido.

“Não tem erro”, disse.

Impeachment de ministros do STF

Valdemar também foi questionado sobre propostas de impeachment de ministros do Supremo, pauta defendida durante a campanha por integrantes do PL e pelo próprio Flávio Bolsonaro.

O presidente do partido evitou garantir que eventuais pedidos de afastamento seriam levados adiante e defendeu que o assunto seja debatido pelo Congresso.

“Isso precisa ser discutido. O ideal para nós era que o Supremo resolvesse os problemas dentro do Supremo, mas é uma pauta que vai ter uma discussão grande. Não vamos resolver nada com guerra, na minha opinião. Temos que ter habilidade de tocar o país para frente. Se brigar com Supremo, Legislativo, isso atrasa o país.”

Segundo O Globo, ao menos 49 senadores defendem a pauta relacionada ao impeachment de ministros do STF.

Michelle entrará na campanha

Valdemar confirmou ainda que Michelle Bolsonaro, eleita senadora pelo Distrito Federal, terá participação na campanha de Flávio Bolsonaro durante o segundo turno.

O dirigente elogiou a capacidade eleitoral da ex-primeira-dama e afirmou que ela poderá percorrer o país em apoio ao candidato do PL.

“Agora ela vai poder andar o Brasil nesse período para trabalhar para o Flávio para valer. Ela tem muito talento, faz muita falta em todo lugar. É uma craque.”

Fonte: Brasil 247

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