Vai comprar um carro elétrico? Saiba o que o seu condomínio precisa ter para instalar o carregador
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Publicado em 06 de Outubro de 2026 às 08:00
Ana Caroline de Moraes Fagundes
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O avanço dos veículos eletrificados (híbridos e 100% elétricos) no Espírito Santo aumenta a demanda por pontos de recarga em condomínios residenciais. Em 2025, 4.496 mil veículos eletrificados de diferentes fabricantes (carros e comerciais leves) foram emplacados no Estado, segundo dados do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Espírito Santo (Sincodives). O cenário amplia a necessidade de infraestrutura para recarga e exige que os condomínios avaliem as condições técnicas antes da instalação dos equipamentos.
A instalação de carregadores não depende apenas da disponibilidade de uma vaga na garagem. A Norma Técnica nº 23/2026 do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (CBMES) estabelece requisitos de segurança para sistemas de alimentação de veículos elétricos em garagens. Entre as exigências estão medidas de proteção elétrica, aterramento, dispositivos de segurança e condições específicas para a localização dos equipamentos.
O engenheiro eletricista Augusto Tedesco, que atua com projetos relacionados a sistemas de recarga de veículos elétricos, explica que a estrutura do prédio precisa ser analisada antes da instalação. Segundo o profissional, a avaliação deve considerar a curva de carga da edificação e verificar se a rede existente suporta a nova demanda. O estudo também pode apontar a necessidade de adequações em transformadores, fiação, quadros elétricos ou no padrão de entrada de energia.
A análise da estrutura também está relacionada à segurança dos moradores. De acordo com Tedesco, uma instalação sem o dimensionamento adequado pode provocar sobrecarga, aquecimento dos componentes e falhas elétricas. Além disso, o especialista alerta para os riscos de choque e incêndio. A localização do carregador precisa ser avaliada para evitar interferências em corredores, rotas de fuga e áreas destinadas à circulação em situações de emergência.
A experiência no condomínio Parque Vista dos Montes, em Cariacica, mostra como a instalação pode ocorrer na prática. O subsíndico Gabriel Franco acompanhou o processo após um morador solicitar um carregador para o próprio veículo elétrico. Segundo Franco, a administração autorizou o equipamento, mesmo sem uma previsão específica sobre o tema na convenção do condomínio.
A estrutura elétrica do local foi considerada suficiente para receber o equipamento, sem necessidade de adaptação da rede. O carregador ficou ligado ao padrão individual do morador, que passou a ser responsável pelo consumo das recargas. A administração também exigiu a apresentação de uma Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) de um engenheiro eletricista.
A definição sobre o pagamento da energia é um dos pontos que precisam ser estabelecidos antes da instalação. No local, a individualização permitiu que o consumo do carregador não fosse dividido entre os demais moradores. Para Tedesco, a definição prévia das responsabilidades ajuda a evitar conflitos e permite que o condomínio estabeleça critérios para futuras instalações.
Antes de instalar um carregador, o morador deve procurar a administração do condomínio e verificar as regras internas. A avaliação da estrutura elétrica deve ser realizada por profissional habilitado, que poderá indicar as condições necessárias para o serviço. O condomínio também precisa definir como serão tratados a instalação, o consumo de energia, a manutenção dos equipamentos e eventuais adequações na infraestrutura comum.
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