Usar IA pra treinar IA gera demissão em empresa de IA
Por Sérgio Spagnuolo — Núcleo Jornalismo

O setor de inteligência artificial é cheio de ironias e contradições. Um exemplo recorrente é que, se modelos de IA geram de fato resultados tão bons, por que esses mesmos resultados não podem ser utilizados pra treinar novos modelos?
Pois é, funcionários terceirizados da OpenAI, uma das líderes desse setor, foram pegos fazendo exatamente isso, e não deu boa – deu demissão.
Segundo o 404 Media:
A OpenAI possui um exército de funcionários terceirizados que lêem prompts de usuários reais do ChatGPT e usam outros dados para ajudar a melhorar as respostas do chatbot. A ideia é que esses contratados forneçam, obviamente, um toque humano aos modelos da OpenAI. Bem, nem todos estão fazendo isso. A 404 Media descobriu que vários contratados selecionados para melhorar os modelos da OpenAI foram demitidos por usar IA para treinar a IA. Isso não é ótimo para os próprios modelos, mas há também uma ironia óbvia em empresas de treinamento de IA que trabalham para a OpenAI demitindo pessoas por usar IA quando o objetivo da OpenAI é fazer as pessoas usarem IA no trabalho.
Pois é, essa ironia não fica perdida para ninguém. A utilização de dados sintéticos (ou seja, gerados por IA) para treinar sistemas de IA já foi apontada como uma das soluções para problemas de direitos autorais, mas esses dados simplesmente não são bons. O ser humano, com sua forma caótica de pensamento e escrita, adiciona muito mais valor a essa tarefa.
Uma outra contradição do setor é que eles querem que essas ferramentas sejam utilizadas por todas as empresas, em todos os setores, mas eles mesmos não as utilizam nesses casos. Isso equivale a executivos de redes sociais não permitirem que seus filhos apareçam em todas essas mesmas plataformas.
Dá pra dar muitos mais exemplos dessas contradições, mas parei por aqui.
Via 404 Media
Fonte: Núcleo Jornalismo