Universitários que passam por empresas juniores conseguem emprego quatro vezes mais rápido
Por Allan Ravagnani — Carta Capital
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Rede com 25 mil estudantes em 270 instituições de ensino treina liderança, comunicação e autonomia em consultorias para pequenos negócios e órgãos públicos
Universitários que passam por empresas juniores conseguem o primeiro emprego quatro vezes mais rápido do que colegas sem essa experiência. O levantamento indica que o contato com clientes e projetos reais ainda na graduação encurta o caminho até a contratação.
Na prática, essas organizações funcionam dentro das próprias universidades, sem fins lucrativos, e são criadas e administradas pelos alunos. Elas prestam consultoria a micro e pequenos empreendedores, entidades sociais e órgãos públicos.
Atualmente, a rede soma mais de 1.470 empresas juniores, espalhadas por 270 instituições de ensino superior, com 25 mil estudantes envolvidos. No ano passado, o faturamento passou de R$ 66 milhões, e todo o valor voltou para a capacitação dos membros.
Por trás dos números está a Brasil Júnior, confederação que coordena o Movimento Empresa Júnior (MEJ) em todo o país e responsável pela pesquisa. Para Julianne Melo, presidente da entidade, o dia a dia nas EJs antecipa situações que o estudante só encontraria depois de formado.
“Os universitários das EJs lidam com clientes, lideram equipes, tomam decisões estratégicas e entregam resultados. Essa experiência real auxilia e acelera o amadurecimento profissional e prepara os estudantes para contribuir em desafios reais desde o início da carreira”, afirma.
Entre as habilidades trabalhadas estão liderança, autonomia, comunicação, resolução de problemas, visão de negócio, gestão do tempo e trabalho em equipe. A lista inclui ainda empatia, pensamento crítico, proatividade e tomada de decisão.
Para quem recruta, a passagem por uma EJ serve de indicativo de que o candidato está pronto para entregar resultados. Segundo a Brasil Júnior, estudantes com esse histórico mostram mais autonomia e clareza de propósito, e o desempenho tende a aparecer já na integração.
Nos atendimentos, os alunos contam com acompanhamento técnico e supervisão de professores. Não há remuneração para os membros, já que toda a receita cobre a operação e a formação da equipe.
Um dos exemplos vem de Santa Catarina. A I9 Neuro, empresa júnior da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), desenvolve equipamentos de reabilitação física e já entregou mais de 150 produtos em todas as regiões do país, o que amplia o acesso a soluções de saúde a custo reduzido.
Anos depois da formatura, os efeitos aparecem dentro das companhias. Fabrício Bloisi, que presidiu o iFood e hoje é CEO global da Prosus, principal investidora do aplicativo no Brasil, começou a carreira no movimento.
Da mesma forma, há ex-integrantes em postos de comando na Ambev, na Stone e no Nubank, segundo a confederação.
Além da formação, a composição da rede chama atenção. Mulheres são 54,8% dos membros, pessoas LGBTQIAP+ somam 22,3% e 44,2% se declaram pretos ou pardos. Mais de 32% vêm de famílias com renda inferior a 1,5 salário mínimo.
Em agosto, Belo Horizonte (MG) recebeu a edição deste ano do ENEJ, encontro de empreendedorismo jovem apontado pelos organizadores como o maior do mundo, com mais de 4,7 mil participantes.
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Fonte: Carta Capital