TSE investiga rede de collabs ligada a Flávio Bolsonaro no Instagram

0

Por Otávio RossoBrasil 247

247 – O Tribunal Superior Eleitoral abriu uma investigação sobre uma rede de perfis no Instagram que, segundo ação apresentada pela coligação de Lula, teria usado publicações em coautoria para ampliar a circulação de conteúdos eleitorais ligados a Flávio Bolsonaro (PL).

De acordo com a coluna de Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva determinou que a Meta preserve dados das contas indicadas no processo e forneça informações que possam identificar os responsáveis pelos perfis. A decisão parte de um levantamento publicado pela coluna na sexta-feira (18).

A apuração inicial foi feita pelo Jurídico do PT e pela Secretaria Nacional de Comunicação do partido. O estudo identificou o uso recorrente da ferramenta de collabs do Instagram, que permite que uma mesma publicação apareça simultaneamente em diferentes perfis. Na avaliação da coligação, o uso articulado desse recurso pode ter ampliado artificialmente o alcance de conteúdos eleitorais.

Segundo a ação, essa dinâmica poderia produzir efeito semelhante ao impulsionamento de publicações, fazendo com que postagens de candidatos também circulassem em páginas de apoio e alcançassem usuários que não seguem os perfis oficiais. A prática de impulsionamento irregular de conteúdo eleitoral é proibida pelo TSE desde 2024.

O TSE, porém, ainda não concluiu que houve irregularidade. Ao admitir a ação, Cueva afirmou que os fatos narrados podem, em tese, se enquadrar em hipóteses de uso indevido dos meios de comunicação social e abuso de poder econômico ou político. Até o momento, a decisão apenas autoriza o processamento do caso e a produção de provas.

No primeiro levantamento, foram identificadas 492 publicações em collab entre 15 de agosto e 7 de setembro, envolvendo 324 perfis. Desse total, 74 eram contas oficiais de candidatos ou campanhas. Em atualização enviada ao TSE, o universo analisado subiu para 1.826 collabs e 492 perfis.

Entre 8 e 17 de setembro, de acordo com a decisão, foram registradas 1.334 publicações e 168 novos coautores. Os perfis envolvidos somavam 147,3 milhões de seguidores, embora houvesse sobreposição de públicos entre as contas.

A coligação de Lula sustenta que o uso coordenado das collabs poderia configurar uma forma de impulsionamento sem contratação formal, sem identificação de responsável e sem registro contábil. A acusação também aponta um padrão de associação entre candidaturas proporcionais e a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

A Meta terá 48 horas para preservar registros de conexão, acesso, cadastro e conteúdo. A determinação inclui metadados das publicações em collab, identificação de autores e coautores e datas de envio e aceite dos convites de coautoria, inclusive de contas que estejam indisponíveis.

A empresa também deverá fornecer dados cadastrais dos titulares e administradores dos perfis citados pela coligação, registros de IP dos últimos 90 dias e informações sobre contas que compartilhem administrador, telefone, e-mail ou dispositivo. Os dados serão enviados sob sigilo e poderão ser usados apenas na instrução da ação.

A decisão também determinou que a Meta suspenda a divulgação de links de venda mantidos nas biografias e publicações de perfis relacionados ao processo. Segundo a ação, 12 perfis, que somariam mais de 10 milhões de seguidores, divulgavam links para produtos de campanha vendidos por uma loja na Shopee chamada Bella Chic Store.

A Shopee também terá 48 horas para informar dados da loja e esclarecer se ela integra seu programa de afiliados. O descumprimento das determinações dirigidas à Meta e à Shopee poderá gerar multa diária de R$ 50 mil.

A ação ainda pede informações sobre os gabinetes de Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar e Mario Frias, incluindo servidores ligados à comunicação, despesas com produção audiovisual e uso de ferramentas de inteligência artificial. Esses pedidos de produção de prova ainda serão analisados pelo TSE.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *