Tribunal de Nova York decide hoje sobre pedido de prisão domiciliar para Cilia Flores

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Por José Reinaldo — Brasil 247

247 – A Justiça federal dos Estados Unidos tem uma audiência marcada para esta quinta-feira (8), em Nova York, para analisar o pedido de liberdade sob fiança da deputada venezuelana Cilia Flores, apresentado por sua defesa com base em problemas de saúde. Segundo a agência Prensa Latina, os advogados propõem que ela aguarde o julgamento, previsto para começar em 1º de junho de 2027, em uma residência particular, com guardas armados e tornozeleira eletrônica.

O juiz federal Alvin K. Hellerstein agendou a sessão para examinar os argumentos da defesa. Flores está detida no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn desde que foi levada aos Estados Unidos, em janeiro, junto com Nicolás Maduro, após uma operação militar norte-americana em Caracas.

No pedido, protocolado em 10 de setembro, a defesa relata que a deputada já apresentava “palpitações cardíacas e dores epigástricas ocasionais” antes da captura. Os advogados também afirmam que ela perdeu mais de 11 quilos e dois dentes molares.

Outro episódio citado ocorreu em 29 de julho, quando Flores teria sentido fortes dores no peito. De acordo com o relato apresentado por sua representação jurídica, as dores cessaram sem a administração de medicamentos.

A proposta dos advogados é substituir a permanência no centro de detenção por liberdade sob condições de vigilância. O endereço indicado fica em Nova York, onde a deputada permaneceria sob supervisão de guardas armados e monitoramento eletrônico enquanto aguarda o julgamento.

Imunidade será discutida em novembro

A discussão sobre o pedido de fiança antecede outra audiência, marcada para 17 de novembro, destinada à análise do pedido de imunidade processual.

Segundo a Prensa Latina, a promotoria sustenta que o governo venezuelano, liderado pela presidente interina Delcy Rodríguez, não solicitou formalmente a libertação de Maduro ou de Flores por canais diplomáticos. Os promotores também alegam que Caracas não reivindicou imunidade para os dois no processo conduzido nos Estados Unidos.

A agência relata ainda que especialistas questionam a competência dos tribunais norte-americanos para processar Maduro. Na avaliação desses especialistas, a legalidade da prisão deveria ser examinada por um tribunal arbitral internacional, com base em um antigo tratado de extradição entre Venezuela e Estados Unidos.

Esses argumentos integram a controvérsia jurídica em torno do caso. A audiência desta quinta-feira tem como objeto o pedido de liberdade sob fiança apresentado pela defesa de Flores.

Acusações são negadas pelos réus

Maduro e Flores negam as acusações, que incluem tráfico de drogas. A Prensa Latina informa que há possibilidade de novas acusações serem acrescentadas ao processo, mas o relato fornecido não detalha quais seriam elas.

Os dois foram sequestrados nas primeiras horas de 3 de janeiro, durante um ataque dos Estados Unidos à Venezuela, e posteriormente transferidos para Nova York.

Mais de cem pessoas morreram no ataque, entre elas 32 cubanos. Mais de nove meses após a operação, Flores permanece detida no Brooklyn, enquanto sua defesa busca autorização judicial para que ela aguarde o julgamento fora da prisão.

Fonte: Brasil 247

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