Treinamento cerebral reduz emoções negativas em pessoas com depressão
Por Tiago Souza — Carta Capital
Menu
Ensaio clínico com uma única sessão identificou melhora temporária no humor, mas o efeito não persistiu nas avaliações posteriores
Uma única sessão de treinamento cerebral melhorou temporariamente o humor de pessoas com depressão, segundo um ensaio clínico randomizado conduzido por pesquisadores da Escola de Medicina Icahn, do Hospital Mount Sinai, em Nova York, e publicado na revista Molecular Psychiatry. O procedimento, chamado neurofeedback, mede a atividade cerebral de forma não invasiva para ajudar o paciente a aprender a regular essa atividade. Os participantes foram orientados a alterar o funcionamento de uma região ligada à motivação e à recompensa.
O estudo recrutou 32 pessoas diagnosticadas com transtorno depressivo maior e outras 30 sem histórico de problemas de saúde mental. Todos os participantes estavam sem medicamentos que afetam o cérebro, incluindo antidepressivos, por pelo menos uma semana.
Durante cerca de 30 minutos, os voluntários deveriam pensar em situações que os motivassem, como o apoio de pessoas próximas, a conquista de objetivos e o ato de cantar, enquanto permaneciam em um aparelho de ressonância que media a atividade da área tegmental ventral (VTA, na sigla em inglês), região associada a comportamentos motivados por recompensa e à própria depressão.
O objetivo da intervenção era aumentar a atividade na VTA, exibida aos participantes por meio de uma imagem semelhante a um termômetro. Metade do grupo recebeu feedback ao vivo de sua própria atividade cerebral. A outra metade, sem saber, acompanhou sinais pré-gravados de outra pessoa, formando o grupo de controle simulado.
Segundo os pesquisadores, as pessoas com depressão que receberam o feedback real obtiveram pontuações mais altas em dois questionários de humor, em comparação com aquelas que viram os sinais simulados. As avaliações foram feitas imediatamente após a saída do aparelho e no dia seguinte. De acordo com Laurel Morris, que liderou o trabalho, o neurofeedback parece ter reduzido emoções negativas, como a tristeza, em vez de elevar as positivas. Entre os participantes sem depressão, houve pouca diferença nas pontuações de humor entre os grupos real e simulado.
A pesquisadora afirma que a magnitude da redução das emoções negativas ainda não pode ser considerada clinicamente relevante. Os efeitos também foram de curta duração e desapareceram no acompanhamento realizado uma semana depois. Além disso, a atividade cerebral não apresentou diferença expressiva entre quem recebeu feedback real e quem viu os sinais simulados.
Para Kymberly Young, da Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, pensar em situações motivadoras pode ser o que de fato ajuda, e não o neurofeedback em si. Os autores, no entanto, observaram que os participantes com maior capacidade de regular a VTA relataram melhoras mais acentuadas no humor.
Morris coordena agora um novo ensaio na Universidade de Oxford para testar os efeitos de duas sessões de neurofeedback, em vez de uma. O estudo começou em setembro, mas os resultados não são esperados antes de alguns anos.
*Conteúdo produzido com auxílio de IA sob a supervisão de um profissional do CartaLab.
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Desenvolvido por OKN Technology Agency
Fonte: Carta Capital