Trabalho infantil cai em 2025 e atinge menor nível da série histórica
Por Ana Beatriz Garcia — TVT News
O número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil no Brasil caiu 9,2% em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (16). O total baixou de 1,65 milhão, em 2024, para 1,49 milhão, o menor patamar da série histórica, iniciada em 2016. Leia em TVT News.
O trabalho infantil compreende atividades econômicas ou de produção para o próprio consumo que desrespeitam as regras de proteção à infância e à adolescência.
Apesar da redução, o levantamento mostra que 4% da população brasileira de 5 a 17 anos ainda estava nessa condição. Em 2016, primeiro ano da série, eram cerca de 2,1 milhões de crianças e adolescentes, o equivalente a 5,2% dessa faixa etária. Em nove anos, a queda acumulada chegou a 28,6%.
A redução registrada em 2025 representa o menor índice desde o início da série histórica, mas o país ainda enfrenta o desafio de eliminar o trabalho infantil. A erradicação está entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, com meta global para 2025.
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Bolsa Família teve importância na queda
A redução foi registrada em um contexto de mercado de trabalho aquecido e aumento da renda das famílias. Segundo o pesquisador do IBGE Gustavo Fontes, diferentes fatores podem ter contribuído para o resultado, entre eles políticas públicas de transferência de renda, fiscalização e melhores condições econômicas.
O Bolsa Família teve participação expressiva na queda: entre 2024 e 2025, o número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em famílias beneficiárias caiu de 717 mil para 573 mil. Foram 144 mil casos a menos, correspondentes a mais de 95% da redução total registrada no país.
Mais de 500 mil ainda exercem atividades de risco
Embora o total tenha recuado, 525 mil crianças e adolescentes ainda exerciam, em 2025, as chamadas piores formas de trabalho infantil. A classificação inclui situações de trabalho consideradas perigosas ou prejudiciais à saúde e ao desenvolvimento, como determinados trabalhos na construção civil, em matadouros, na coleta de lixo e no comércio ambulante em locais de risco.
O número representa uma redução de 6,3% em relação a 2024, quando 560 mil crianças e adolescentes estavam nessas condições.
Maior parte são adolescentes mais velhos
A pesquisa também aponta que a incidência do trabalho infantil aumenta com a idade. Entre crianças de 5 a 13 anos, 280 mil estavam nessa situação em 2025, o equivalente a 1,1% da faixa etária. Entre adolescentes de 14 e 15 anos, eram 348 mil, ou 5,9%. Já no grupo de 16 e 17 anos, o total chegava a 871 mil, correspondendo a 14,5%.
A maioria das pessoas nessa condição era do sexo masculino, que representava 65,4% dos casos. Pessoas pretas ou pardas também eram maioria, somando 67% do total.
O levantamento aponta ainda impactos na educação: a frequência escolar entre crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil era de 86,9%, abaixo da média nacional de 97,5% para a faixa etária. Além disso, 21,4% trabalhavam 40 horas ou mais por semana, jornada que pode comprometer o tempo dedicado aos estudos, ao descanso e ao lazer.
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Fonte: TVT News