“Torcedores também são eleitores e pode dar merda”, diz Vampeta
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O ex-jogador e comentarista Vampeta expressou forte preocupação com os impactos da proibição das casas de apostas esportivas, conhecidas como bets, em todo o território nacional. Em análise apresentada no canal VampTV, o ex-atleta classificou a iniciativa do governo federal como um “tiro no pé” do ponto de vista econômico, esportivo e político, alertando para o risco de um colapso financeiro generalizado em clubes de futebol, campeonatos e veículos de imprensa.
As declarações de Vampeta foram feitas antes da edição oficial da Medida Provisória pelo Poder Executivo. Na sexta-feira (25), o presidente Lula (PT) assinou a MP que proíbe definitivamente os jogos de apostas de quota fixa e cassinos online no país. O texto estabeleceu um cronograma gradual e rígido para o encerramento total das operações:
- 25 de setembro: Publicação da Medida Provisória e início da proibição imediata de novos aportes financeiros nas plataformas;
- Até 5 de outubro (às 23h59): Prazo final limite para que os apostadores realizem a retirada voluntária dos seus saldos;
- A partir de 6 de outubro: Saída definitiva do ar de todos os sites e aplicativos de apostas;
- Entre os dias 7 e 8 de outubro: Prazo para que as empresas do setor informem às instituições financeiras todos os saldos remanescentes, devidamente discriminados por CPF;
- De 9 a 14 de outubro: Janela para a devolução e repasse direto dos saldos aos apostadores por parte das instituições bancárias;
- A partir de 14 de outubro: Havendo qualquer obstáculo operacional que impeça os bancos de efetuar a devolução, a Caixa Econômica Federal receberá os recursos e providenciará o ressarcimento aos titulares.
Impacto orçamentário no futebol brasileiro
Durante o programa, Vampeta ressaltou que os patrocínios de casas de apostas se tornaram a principal fonte de arrecadação do futebol brasileiro, superando em diversas situações os valores recebidos pelas cotas de transmissão televisiva. O comentarista destacou que praticamente todos os times das Séries A e B do Campeonato Brasileiro contavam com aportes dessas empresas. “Eu vejo como um tiro no pé”, declarou Vampeta.
O ex-jogador lembrou que a injeção desses recursos permitiu elevar o patamar financeiro do esporte nacional, viabilizando salários elevados e a contratação de atletas de peso. Sem essas receitas, diversos clubes enfrentarão severas dificuldades para manter elencos competitivos e honrar compromissos financeiros já contratados.
Riscos para os veículos de mídia e repercussão política
A crise decorrente da proibição não se restringe ao campo esportivo. No debate, foi ressaltado que grandes emissoras de televisão, como Globo, SBT, Band e RedeTV!, além de rádios, portais de notícias e criadores de conteúdo na internet, possuem forte dependência das cotas publicitárias comercializadas com as plataformas de apostas. Com o encerramento dos contratos comerciais, os veículos de comunicação sofrerão perdas orçamentárias expressivas.
No plano político, Vampeta alertou para os desdobramentos eleitorais e a insatisfação popular, principalmente entre os torcedores indecisos. “Torcedores também são eleitores e pode dar merda”, ponderou o comentarista.
Ao discutir os problemas sociais associados ao vício em jogos, Vampeta argumentou que a proibição não erradica o hábito, comparando a situação ao mercado de tabaco.
Fonte: Brasil 247