‘Tivemos mais conquistas como evangélicos no governo de Lula”, destaca teólogo

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Por Franciele Petry Schramm — Brasil de Fato

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Fieis e líderes de igrejas evangélicas, católicas e de religiões de matriz africana se reuniram em Curitiba, no fim da tarde desta sexta-feira (16), para defender a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A mobilização realizada na Praça Santos Andrade, no Centro da capital paranaense, foi organizada pelo Comitê Interreligioso Lula Presidente, que reúne diferentes denominações religiosas em apoio à eleição de Lula.

Yalorixá de Candomblé e Umbanda, Mãe Cris de Oxum, conta que em seu terreiro, Ilê Ase Iba Omi Osun, defende a reeleição do presidente por entender que é necessário manter o Brasil um Estado laico –  em que governo e religiões são oficialmente separados –, algo que pode estar em risco com a eventual eleição de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo ela, já há um cenário de perseguição religiosa promovida pelo bolsonarismo. “Com as religiões de matriz africana e com as pessoas negras a perseguição é mais intensa, porque justamente a intolerância religiosa é um ato racista”, aponta.

Para Mãe Cris de Oxum, a laicidade não enfraquece o Brasil; ao contrário, fortalece. “Não somos um país de uma religião só, e precisamos ser respeitados”, reivindica. Para ela, atos interreligiosos como o realizado nesta sexta-feira são importantes para mostrar à população que é possível que pessoas de diferentes denominações religiosas estejam juntas. “Essas atitudes têm que ser cada vez mais demonstradas para que isso chegue à consciência da população, de que a gente tem que colocar a solidariedade, o amor e o respeito em todos os espaços.

Ao ser questionado, o teólogo e integrante da igreja Comunidade Liberta, Gilson de Souza, desmente a ideia de que Lula promoveria uma perseguição às igrejas evangélicas. “Se nós analisarmos, tivemos muito mais conquistas como evangélicos no governo do Lula e do PT”, avalia. “Eu mesmo fui beneficiado, assim como muitos dos meus pares, porque antes do Lula nós não tínhamos diploma de Teologia. Foi o Lula que, em 2005, assinou para que pessoas formadas em seminário de Teologia tivessem uma complementação e pegassem o diploma de Teologia”, conta. 

Para Souza, a eleição de Flávio Bolsonaro (PL), ao contrário, pode representar um perigo para a população evangélica brasileira. “Os evangélicos brasileiros são pobres, trabalhadores que, em grande parte, estão nas periferias. Um governo contrário ao trabalhismo, à população, às políticas afirmativas – e eu falo também como pessoa negra – prejudica tremendamente essa população”, alerta.

Teologia do domínio

Além dos retrocessos em direitos e políticas sociais, o teólogo alerta para os riscos da apropriação religiosa por parte do bolsonarismo. Gilson explica que isso é parte de um projeto de poder teológico chamado Teologia do Domínio, que prevê a conquista das áreas da sociedade –  tanto da economia quanto do governo –  por grupos que, segundo ele, muitas vezes são ligados ao próprio cristofascismo. Ele alerta para o perigo desse tipo de pensamento. “Esse não é um pensamento autorizado pela bíblia, pelo evangelho, pelos apóstolos, não é esse pensamento evangélico natural na sua essência: é o pensamento de um grupo que quer tomar o poder, quer estabelecer a sua ideia de evangelho a partir do evangelicalismo norte-americano”, explica.

“O ambiente do evangelho é um ambiente de liberdade. Se não há liberdade, não há libertação e ações libertárias, são contrárias ao evangelho. O evangelho é o poder de Deus para transformação progressiva da sociedade”, destaca.

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Fonte: Brasil de Fato

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